Trinta anos depois da morte do pai, o filho, que teve sempre uma relação conturbada com ele, acerta contas com o passado de ambos. Inspira-se na «Carta ao Pai», de Franz Kafka, um escritor por quem nutre uma doentia, mas fértil, obsessão. Uma canção de embalar, «Cala a boca», - a mesma que o pai lhe cantava para o adormecer - serve-lhe de bússola. É também sobre essa canção que assenta a estrutura do livro. Ribamar é um romance que se expõe. Um romance sobre a dor de escrever um romance.
Requisitos para entrar neste livro: ter lido "carta ao pai" e "metamorfose" de Franz Kafka. Este livro é um monólogo interior com todas as certezas e todas as dúvidas de alguém que procura um maior conhecimento de si. Usando como bússola a canção de embalar que liga as várias gerações dos Castellos e como referência a "carta ao pai" de kafka, José Castello vai tentando "escavar" o passado do seu pai, numa tentativa de conhecer o homem genuíno, aquele que vive dentro da máscara da figura paterna. Neste caminho, o narrador esmiuça-se em pensamentos 'soltos', em comparações recorrentes com Kafka e o pai de Kafka, para de alguma forma se desvendar a ele próprio através da figura do pai. O livro é de difícil leitura, não só por causa do Português do Brasil, mas também, pelo texto fragmentado em mil partes.... Um excerto do livro: " a ideia de uma escrita opaca, que veda qualquer leitura, me assombra. ou será que a admiro? Lodaçal das palavras!"