Elvas, vinte e cinco anos após a conclusão do liceu. Um grupo de antigos alunos decide reunir-se para um almoço de confraternização, na esperança de reavivar memórias e de apaziguar os conflitos do passado. Mas o epicentro narrativo ocorre após a prova de vinhos e um passeio a uma pedreira de mármore, em Vila Viçosa.
Eis então que uma inusitada falha na pedreira fará com que os antigos colegas se vejam presos dentro de uma gruta obscura, onde irão permanecer durante dois dias, testando os limites do ser humano e lutando entre a vida e a morte, entre as ilusões do presente e os fantasmas do passado, entre um destino fatal e a fatalidade do destino, entre o racional e o irracional.
A Falha, considerado por muitos como o melhor romance até hoje publicado pelo autor e adaptado ao cinema por João Mário Grilo (2002), é certamente uma hábil análise da natureza dos seres humanos e da sociedade portuguesa pós-25 de Abril, uma incisiva metáfora do destino de um povo.
Luís Carmelo (Évora, 1954) é autor de uma vasta obra literária e ensaística, de onde se destacam dez romances (com destaque para A Falha, adaptado ao cinema por João Mário Grilo em 2002) e quinze livros de ensaio (incluindo o Prémio A.P.E. de 1988) sobre semiótica, teoria da cultura, literatura e o cruzamento multidisciplinar de expressões contemporâneas.
Doutorado pela Universidade de Utreque (Holanda), o autor é professor na Escola Superior de Design (IADE), membro da Associação Portuguesa de Escritores (A.P.E.) e da Associação Internacional de Semiótica (I.A.S.S.-A.I.S.).
Para além de autor de diversos manuais de escrita criativa, actividade que coordena em diversas instituições, entre elas o Instituto Camões, é ainda colunista do jornal Expresso (edição online), autor do blogue "Miniscente" e editor do site PNETliteratura.
Adaptado ao cinema por João Mário Grilo em 2002, A Falha, considerado como o melhor romance de Luís Carmelo é, na sua essência, uma análise à sociedade portuguesa pós 25 Abril, sobretudo, a uma geração que na década de 70 andava pela adolescência.
A acção passa-se maioritariamente em Elvas onde um grupo de antigos alunos do liceu local se junta de cinco em cinco anos para um almoço de confraternização. 25 anos após o término do liceu e consequente separação da maioria, este grupo reúne-se numa tentativa de recordar memórias da sua juventude e, em simultâneo, perceber o rumo de vida de cada um deles com os sucessos e insucessos.
Nada homogéneo nos caminhos seguidos assim como nas personalidades, é neste cenário, cheio de memórias liceais que, no final do almoço, o grupo decide dar um passeio a uma adega seguida de uma visita a uma pedreira. E é precisamente nessa pedreira que algo de terrível irá acontecer que testará os limites de cada um deles assim como permitirá conhecer segredos ocultos.
Não posso dizer que o romance me fascinou, no entanto gostei do rumo assim como me agradou a escrita de Carmelo. Salpicada de memórias de todos os intervenientes, achei curiosa a forma narrativa do escritor. Nas memórias utiliza a primeira pessoa do singular, na narrativa emprega sempre a terceira pessoa, como se houvesse um narrador presente que tem como objectivo simplesmente narrar o que está a assistir.
Não é um livro fantástico e em certos momentos até se torna confuso, pois está constantemente a fazer uma "ponte" entre o presente e o passado, mas não deixa de ser engraçado, pelo facto de perceber a série de sentimentos contraditórios que aparecem no reencontro de antigos colegas de liceu, e verificar também como era o seu passado, no que se transformaram e de como conseguiram singrar na vida.
E acima de tudo percebemos que em situações de pânico, medo e terror, todos podemos ter atitudes que jamais nos teriam passado pela cabeça.
Eu confesso que se estivesse fechada numa gruta, com pessoas que conheci no passado, mas que já não conheço no presente, ficaria muito assustada...
três estrelas e meia. Porque não gostei do final. A ideia é boa, no reencontro de antigos colegas de liceu que assim comemoram de 5 em 5 anos. As suas reflexões internas, e até por perceber o que antes não percebi: Porquê o destaque de 7 ou 8. Resposta porque foram os que ficaram presos na pedreira com a pedra de mármore por cima.