Jump to ratings and reviews
Rate this book

O Estatuto intelectual da Mulher seguido de Profissões para Mulheres

Rate this book

52 pages, Paperback

First published January 1, 2008

11 people want to read

About the author

Virginia Woolf

1,907 books29.1k followers
(Adeline) Virginia Woolf was an English novelist and essayist regarded as one of the foremost modernist literary figures of the twentieth century.

During the interwar period, Woolf was a significant figure in London literary society and a member of the Bloomsbury Group. Her most famous works include the novels Mrs. Dalloway (1925), To the Lighthouse (1927), and Orlando (1928), and the book-length essay A Room of One's Own (1929) with its famous dictum, "a woman must have money and a room of her own if she is to write fiction."

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
7 (31%)
4 stars
10 (45%)
3 stars
4 (18%)
2 stars
1 (4%)
1 star
0 (0%)
Displaying 1 - 2 of 2 reviews
Profile Image for Katya.
493 reviews3 followers
Read
November 30, 2025
Em 1920, o então muito bem sucedido Arnold Bennett publicava um compêndio intitulado Our women: Chapters on the Sex Discord, onde, entre outras coisas, afirmava a superioridade intelectual dos homens e, da mesma forma aleatória, se auto-apelidava de feminista (as suas palavras são, literalmente: Can a decent man, and especially a man who is a convinced feminist, hold forth the horrid truth to these adventurous, valiant creatures(...)? (...)the truth is that intellectually and creatively man is the superior of woman, and that in the region of creative intellect there are things which men almost habitually do but which women have not done and give practically no sign of ever being able to do). Por muito interessante que fosse arengar sobre as falácias da masculinidade e feminismo de Bennett, a questão aqui é que, no mesmo ano, Desmond MacCarthy (vulgo Falcão Cordial) decide publicar uma crítica/elogio a este mesmo livro. E Virginia Woolf, que o conhecia pessoalmente, e bem - já que MacCarthy tinha, por esta altura, ingressado no Grupo de Bloomsbury -, não podia deixar passar esta oportunidade.
Entre as farpas lançadas pelo crítico lia-se:

Embora seja verdade que uma pequena percentagem das mulheres seja tão inteligente quanto os homens inteligentes, o intelecto é hoje, uma especialidade masculina. Algumas mulheres, evidentemente, são muito inteligentes, mas em grau bem menor, do que Shakespeare, Newton, Miguel Angelo, Beethoven, Tolstoy. A capacidade intelectual média das mulheres também parece ser significativamente menor.
Se o intelecto de um homem inteligente, mas não especialmente inteligente, fosse transferido para uma mulher, ela tornar-se-ia imediatamente uma mulher muito inteligente.


A resposta não tardou e O estatuto intelectual da mulher é o título sob o qual se reúne esta troca de galhardetes, publicada na revista New Statesman, entre 2 e 16 de outubro.
Desmontando a retórica retrógrada de MacCarthy (e de Bennett, de quem Woolf não é especial admiradora) estes textos são duplamente loquazes e divertidos:

embora o pessimismo acerca do sexo oposto seja sempre gratificante e revigorante, parece excessivo da parte do Sr. Bennett e do Falcão Cordial felicitar-se com tanta confiança nas evidências à sua frente. Embora as mulheres tenham todas as razões para esperar que o intelecto dos homens esteja a diminuir, seria pouco inteligente anunciar isto como um facto, ao menos até que se tenham evidências maiores que a Grande Guerra e a possibilidade de paz.

Neles, Woolf estende o tapete vermelho e caminha, dona e senhora da razão, desfazendo os mitos de uma suposta igualdade de direitos e oportunidades consagrados às mulheres apesar das conquistas dos movimentos feministas...

Parece-me indiscutível que as condições que tornaram possível a existência de Shakespeare são a existência de antepassados na mesma arte, a condição de membro de um grupo onde esta arte é praticada e a máxima liberdade de acção e experiência. Talvez em Lesbos, e nunca mais, estas fossem as condições de vida das mulheres.

...e alargando-se sobre as vicissitudes a que sempre se viram reduzidas as mulheres - de intelecto ou não -, sacrificadas a papéis de submissão aos quais se cola o rótulo de cuidadora e educadora:

O facto, sobre o qual penso que concordaremos, é que as mulheres, desde a antiguidade até ao tempo presente, geraram toda a população do universo. Esta ocupação tomou-lhes naturalmente muito tempo e força. Também as colocou em submissão ao homem, e acidentalmente se é que isto é relevante - incutiu-lhes e desenvolveu nelas, as qualidades mais amáveis e admiráveis da raça humana.

Em réplicas que nos soam de um à-vontade desconcertante, como só as capacidades como Woolf admitem, a autora permite-se jogar com a arrogância masculina e exigir o lugar da fala e o eterno "espaço só para si" que as mulheres possam ocupar sem medo de julgamento ou represálias:

Devo repetir que o facto efectivo das mulheres terem progredido (o que agora o Falcão Cordial parece admitir), demonstra que elas podem progredir ainda mais. Não vejo razão por que se deva colocar o limite do progresso feminino no século dezanove e não no século cento e dezanove.
Mas não é necessário apenas educação. É preciso que as mulheres tenham liberdade de experimentar, que possam ser diferentes dos homens, sem medo, e que expressem estas diferenças livremente.

A carta que encerra esta correspondência faz uso de argumentos que ultrapassam o condicionalismo da luta de sexos em que MacCarthy se compraz e termina com chave de ouro uma discussão que não deixa dúvidas em relação ao vencedor:

Certamente, não posso duvidar que se estas opiniões prevalecerem no futuro, permaneceremos na condição de bárbaros semi-civilizados. É como defino uma eternidade de dominação por parte de uns, e de submissão por parte de outros. Porque a degradação de ser escravo só é igualada pela degradação de ser o seu senhor.

No bom espírito de Bloomsbury, a réplica final do Falcão Cordial é simultaneamente uma admissão de derrota e uma provocação que nos deixa com vontade de ver continuar o debate:

Se a liberdade e a educação das mulheres é impedida pela expressão das minhas opiniões, não discutirei mais.

*****

Cerca de 10 anos depois, Woolf era convidada a discursar na National Society for Womens Services. Publicado originalmente na coletânea de ensaios com o título Killing the angel in the house - onde podemos ler as proféticas palavras: will not the adequate critic of women be a woman?, o seu discurso ficaria posteriormente ligado ao título The death of the moth.
Debruçando-se sobre a sua profissão de romancista, Woolf lembra a luta das primeiras mulheres escritoras para matar "o "anjo da casa" - figura alegórica/metafórica da feminilidade, bem como os desafios ainda presentes no caminho de qualquer mulher que queira ser independente:

(...)creio que ainda passará um longo tempo antes que uma mulher possa sentar-se para escrever um livro sem encontrar um fantasma para ser assassinado, ou uma rocha para ser esmagada. E se é assim em literatura, a mais livre de todas as profissões para mulheres, como será nas novas profissões em que estão-se a incorporar agora pela primeira vez?
Vocês ganharam o vosso próprio espaço na casa até agora possuída exclusivamente por homens. Vocês são capazes, embora não sem grande trabalho e esforço, de pagar as despesas mensais. Vocês já estão a ganhar as suas quinhentas libras ao ano. Mas esta liberdade é apenas um começo; o quarto já é vosso, mas ainda está vazio. Ele tem que ser mobilado; tem que ser decorado, tem que ser repartido. Como vocês irão mobilá-lo, como vocês irão decorá-lo? Com quem vão dividi-lo, e em que termos?
Estas, eu acho, são questões da maior importância e interesse. Pela primeira vez na história vocês são capazes de colocá-las; pela primeira vez vocês são capazes de decidir por si mesmas, quais poderiam ser respostas.


*****

A tradução destes dois textos é medonha, mas são 3€ que não irei chorar. Não há como estragar Virginia Woolf.
Displaying 1 - 2 of 2 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.