A volta de A cama na o que mudou 10 anos depois Exatos dez anos depois de sua primeira edição, A cama na varanda, de Regina Navarro Lins, volta às prateleiras em junho. O livro, sucesso editorial, estava esgotado desde 2004. O que mudou na vida sexual e amorosa do brasileiro em uma década? Regina acrescentou um capítulo ao livro sobre as novas formas de amar e afirma que o fim do amor romântico está levando junto a exclusividade nas relações.
Regina Navarro Lins, psicanalista e escritora, trabalha há 47 anos em seu consultório particular. Ex-professora de Psicologia do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, foi colunista de diversos jornais e apresentou programas de rádio. Teve, durante oito anos, uma coluna no portal UOL e realiza palestras sobre relacionamentos amorosos em várias cidades do país. É especialista fixa do programa Amor&Sexo, da TV Globo. Durante quatro anos, foi colunista semanal e comentarista da Globo News. É autora de 14 livros sobre relacionamento amoroso, entre eles o best-seller A cama na varanda, O livro do amor, Novas formas de amar e Amor na vitrine.
"Nosso triplo desafio: conciliar o amor por si próprio e o amor pelo outro; negociar nossos dois desejos - de simbiose e de liberdade -; adaptar, enfim, nossa dualidade à do nosso parceiro, tentando constantemente ajustar nossas evoluções recíprocas. O peso do indivíduo coloca o casal em cheque. A duração da relação passa a ser um ideal e não mais uma obrigação".
O livro foi a minha introdução para o assunto, gostei muito do início do livro, montando aos poucos a nossa sociedade e seus tabus, os rituais uma vez já praticados, o crescimento do patriarcado, casamento, amor romântico etc.
O livro empaca depois disso, gira em torno do poliamor trazendo sempre como solução dos nossos problemas. O questionamento feito sobre a monogamia é muito interessante e de se abrir os olhos até, mas chega num ponto maçante que já perde o sentido, uma idolatria pela não-monogamia.
A obra me decepcionou muito por ser absurdamente hétero, branco e ocidental. Aborda pouquíssimo sobre a homossexualidade masculina e muito muito menos (mesmo) sobre a homossexualidade feminina. Chega ser vergonhoso como o livro é preso no padrão e antiquado. Utiliza a sigla GLS, o que, pra mim, ja demonstra a falta de interesse em estudar e escrever sobre tais assuntos tão pouco discutidos. O último volume é novamente abordado o poliamor, considerando o futuro das relações em todos os aspectos, e fala sobre androginia e bissexualidade de forma tão breve que chega até ser queerbaiting colocar como um capítulo no sumário. No fim, tive uma leitura arrastada e custei para terminar.
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Gosto da forma como a autora expõe a história pros trás dos assuntos de aborda (como amor, casamentos, relacionamentos íntimos e afins), mas confesso que sinto falta de dados, algo palpável, menos "contação de história" (talvez não ser tão científico seja justamente a graça do livro para alguns, mas já que esse espaço é para escrever o que eu achei, me senti no direito de fazer o comentário!). Também gosto da forma como coloca situações vividas por ela em mais de 40 anos de atendimento clínico como psicóloga, muito embora o conteúdo seja colocado de forma extremamente parcial - e disso já não gosto, pois sou defensora "roxa" de que não existem verdades absolutas. Enfim...tinha tudo pra ser nota 5, mas, a parcialidade, a nítida defesa de uma realidade X, e e certa subjetividade na exposição dos dados joga a nota pra baixo. Fora isso, o livro é muito longo, cansa.
Impossível terminar o livro como a mesma pessoa que o começou. É um presente em mudança de paradigmas e fonte de reflexões profundas a respeito do que nos acostumamos a enxergar como “normal”. Mais um tijolo retirado na interminável obra da desconstrução.
Melhores trechos: “...Já dizia Freud, a pessoa amada é sempre a pessoa imaginada... Se o individuo vai ampliando, aprofundando e diversificando sua vida sexual, vai ficando corajoso para fazer as coisas. Vive com mais alegria, esperança e decisão. Portanto, pode ficar perigoso do ponto de vista da ordem estabelecida. Não foi à toa que todas as forças repressoras de todas as épocas se voltaram tão sistematicamente contra a sexualidade humana... Só seremos sexualmente satisfeitos no dia em que pudermos ter relações sexuais quando tivermos vontade, com quem tivermos vontade, do modo que for melhor para nós... Vivemos um momento de transição na história das mentalidades, e por conta disso surgem dilemas tão esdrúxulos. Sem duvida, a moça reprimida, que demonstra não se interessar por sexo, perdeu todo o seu glamour. Os tempos são outros, e não faltam estímulos para que se viva um sexo mais intenso e prazeroso, incluindo aí a realização de variadas fantasias... Amor e sexo são impulsos totalmente independentes e pode haver prazer sexual pleno totalmente desvinculado das aspirações românticas. Alias, os homens sempre souberam disso e nunca se furtaram às relações sexuais episódicas com parceiros fortuitos... A condição essencial para ficar bem sozinho é o exercício da autonomia pessoal. Isso significa, além de alcançar nova visão do amor e do sexo, se libertar da dependência amorosa exclusiva e ‘salvadora’ de alguém... Hoje, ao contrário de outras épocas, é comum as pessoas terem vários interesses além dos amorosos e já encontramos quem acredite que se desenvolver como pessoa é mais importante do que ter alguém ao lado... Buscam-se formas de viver a dois, em que os encontros se dêem por prazer e não mais por dependência ou pela imposição de um compromisso... Ao contrário de outros lugares, em que alcançar o máximo de satisfação no sexo é importante, a nossa cultura judaico-cristã valoriza mais o sofrimento, considerando-o uma virtude. O prazer é visto com maus olhos... Há muito tempo nos ensinam que imagens do corpo nu, particularmente experimentando o prazer sexual, são obscenas. E mesmo quando se consegue rejeitar conscientemente todo esse moralismo, a mensagem negativa é absorvida sem que se perceba... Por mais incrível que pareça, o hábito do banho também foi atacado, considerando-se que qualquer coisa que tornasse o corpo mais atraente era incentivo ao pecado. Havia quem acreditasse que a pureza do corpo e das vestes significava a impureza da alma... No Oriente, o tantrismo, o kama sutra e o taoísmo são correntes ideológicas que incentivam a pratica sexual, acreditando que quanto mais e melhor for vivenciado o prazer, mais o ser humano tornará feliz sua existência. Não há conotação de pecado no sexo. Mas no Ocidente é diferente. Por sua atitude sexual uma pessoa pode ser atacada pelas outras... Vivemos, sem duvida, um momento de intensa crise da masculinidade. Os homens sempre aprenderam que deviam tomar a iniciativa da conquista amorosa e esperam que a mulher resista às suas investidas. Muitos só se sentem seguros se conduzirem todo esse jogo até o final. Do outro lado deve haver uma mulher passiva, que em algum momento cede por não resistir à sua sedução. Mas a segurança do homem está sendo abalada. Diante dessa nova mulher desconhecida, experiente, que toma a iniciativa, ele se assusta. Imagina que vai ser avaliado, e quem sabe, comparado a outros homens. Mas não tem jeito. Há 30 anos as mulheres começaram a questionar e exigir o fim da distinção dos papeis femininos e masculinos, ocupando o espaço sempre reservado aos homens, inclusive no sexo... Muitas mulheres, apesar das evidencias em contrário, ainda se esforçam para se convencer de que sexo e amor têm que caminhar sempre juntos. Os homens nunca pensaram assim e jamais isso foi cobrado deles. Quando uma mulher diz que não consegue transar com um homem se não houver muito amor entre eles, na maioria das vezes ela está apenas repetindo o que lhe ensinaram, impossibilitada de perceber os seus próprios desejos. Não há motivo para o sexo não ser ótimo quando praticado por duas pessoas que sentem atração e desejo uma pela outra... A mulher fatal, ao contrário, é forte, dominadora e habilmente induz o homem a fazer o que deseja. Desta forma, não é difícil ele se tornar dependente por encontrar nela a satisfação das necessidades reprimidas desde a infância: ser cuidado e dirigido por uma mulher. Com ela, pode se tornar menino, se sentir protegido. E é claro que sexualmente ela o satisfaz, já que não mede esforços para tê-lo nas mãos. A entrega dele é total... Como o número de mulheres que não têm orgasmo é enorme, a quantidade das que fingem também é grande. E os motivos são os mais variados. Desde o temor de não ser considerada sensual ou boa de cama, passando pelo constrangimento de perceber o homem pouco à vontade na relação, até o medo de desagradar e não manter o casamento... Quem tem a auto-estima elevada e se considera interessante e com muitos atrativos não supõe que será trocado com facilidade. E se a relação terminar, sabe que vai ficar triste e sentir saudade, mas também sabe que vai continuar vivendo sem desmoronar... É claro que é possível viver um tipo de amor bem diferente, sem projeções e idealizações, longe da camuflagem do mito do amor romântico. Para isso precisamos, primeiro, ter coragem de abrir mão das nossas antigas expectativas amorosas e depois, então, torcer para que mais pessoas façam o mesmo. Descobrindo outras formas de amar podemos experimentar sensações até agora desconhecidas, mas nem por isso menos excitantes... O mais grave nos contos de fadas é a idéia de que as mulheres só podem ser salvas da miséria ou melhorar de vida por meio da relação com um homem. As meninas vão aprendendo, então, a ter fantasias de salvamento, em vez de desenvolver suas próprias capacidades e talentos... Em ultima análise a mensagem dos inocentes contos de fadas, como Cinderela, é que não somente as prostitutas, mas todas as mulheres devem negociar seu corpo com homens de muitos recursos. Em vez de desenvolver suas próprias potencialidades e buscar relações onde haja uma troca afetivo-sexual, em nível de igualdade com o parceiro, muitas mulheres se limitam a continuar fazendo tudo para encontrar o príncipe encantado...”
Simplesmente fantástico. Livro que recomendo para todos que queiram entender sobre a historia do amor, sexo e família. Com relatos de casos e estudos, muito bem elaborado.
Apesar de já um pouco desatualizado nas questões mais recentes sobre tecnologia e gêneros sexuais, o livro da Regina Navarro responde à várias questões sobre natureza humana, relacionamentos e sexualidade.
Aprendi muita coisa durante a leitura e descobri que muitas das minhas aflições são comuns e acontecem com a maioria das pessoas.
A leitura pode ser difícil pra quem não é aberto a ideias novas ou àquelas pessoas que são presas aos conceitos ainda amplamente aceitos sobre homem, mulher, monogamia, heterossexualidade.
Ao se ater a natureza humana e se desprender de qualquer crença a leitura se torna muito proveitosa.
Achei a ideia principal do livro muito boa e importante, abriu meus olhos para várias coisas e eu recomendo al leitura. As três estrelas são porque em vários momentos eu senti que ela tocou em tópicos sociais importantes sem expandir muito o que falava... O capítulo sobre prostituição e homossexualidade especialmente me incomodou, ela claramente não entendia a vivência lésbica então poderia só não ter falado sobre do que jogar um monte de asneira. Mas, de uma forma geral, é uma boa leitura, planejo ler mais livros da autora.
ler esse livro mudou a minha vida. foi um divisor de águas em um momento que eu precisava muito conhecer mais sobre mim mesma, então a história sobre mulheres, patriarcado, relações sexuais e até mesmo como a forma de amarmos foi construída propositalmente, fizeram muito sentido para mim. se eu pudesse, recomendaria que todas as pessoas dessem uma chance e lessem esse livro. é uma experiência de auto conhecimento, conhecimento histórico e sobre pessoas.
Título e resumo totalmente despretensioso do real conteúdo do livro. Como já sabia da vertente psicanalista da autora, esperava por um livro de análise de casos clínicos modernos através de uma abordagem mais leve e reflexiva, sobre as relações amorosas modernas. Em via contrária, a autora traz um enredo extremamente complexo, que engloba a história do amor, desde as sociedades primitivas até a atualidade, com a ascensão do amor moderno e sua provável queda. Achei o livro fascinante! Uma verdadeira enciclopédia pra quem interesse em transitar sobre os diversos assuntos que envolvem o amar.
I loved author's perspective on how patriarchal society emerged and how damage can be felt by both genders regardless sexual preferences. Despite written in the 80s the stories are still absurdly current.
Extremamente óbvio num sentido revelador. Ótimo e faz você perceber quantos erros comete e de que maneira toda sua postura tem uma explicação, realmente um livro elucidativo!