Portugal, Hoje — O Medo de Existir aborda traços de mentalidade (desde a inveja à dificuldade de «inscrição») que por serem particularmente acentuados no nosso país, entravam o seu desenvolvimento, abertura ao exterior, e, sobretudo, a sua dinâmica interna. E por «dinâmica interna» José Gil entende «um movimento profundo, para além do plano sociológico, que faz mexer as pessoas e as liberta para todo o tipo de procuras, invenções, experimentações nas várias dimensões da vida».O livro revela que um pensamento criativo e com conceitos próprios se pode exprimir numa linguagem acessível.
José Gil (Muecate, Moçambique, 15 de junho de 1939) é um filósofo, ensaísta e professor universitário português.
Nascido em Muecate, Moçambique, estudou Matemática, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, antes de partir para França. Licenciou-se em Filosofia, pela Universidade de Paris, em 1968. Um ano depois obteve o grau de mestre com uma tese sobre a moral de Immanuel Kant. Iniciou a sua carreira como professor do ensino secundário.
José Gil foi considerado pelo semanário francês Le Nouvel Observateur, um dos 25 grandes pensadores do mundo.
Começo pelo que de melhor tem o livro. José Gil consegue ser brilhante, um pensador lúcido e arguto que não só não aceita as palavras-conceitos na acepção tradicional, como as/os reformula e cria uma gramática própria. Expressões como «terror branco e terror negro», «medo horizontal e vertical», «consciência branca», «inscrição e não-inscrição» ou a «potência de vida» (o conatus de Espinosa) são expressões de que se serve para criar significado a partir de um objeto: Portugal e os portugueses. Como (bem, a meu ver) refere, são duas entidades muito pouco abarcáveis na totalidade; o pensamento deles é sempre um pensar mediado pela sinédoque, um pensar (como toda a reflexão) condenada à parcialidade. Mas que isso não impeça ninguém de reflectir, é o que José Gil (também bem a meu ver) advoga. Começa aqui a parte menos boa. Consciente da dificuldade de apanhar com as mãos esse peixe que teima em escorregar (como na poesia de Adília Lopes), o autor insiste não poucas vezes na generalização a partir de tiques ou sentimentos específicos de uma parte da população. O «medo de existir» não é de todos nem está no devir contínuo em todos os quadrantes geográficos e temporais. O «burgessismo», por exemplo, não está em todos, nem é específico do português. Talvez seja muito comum por cá, mas isso é uma característica da população ou uma característica mais vincada entre todas? É claro que é possível pensar esses aspectos, não é essa a questão. Mas nesse caso não estamos a pensar Portugal e os portugueses, mas alguns portugueses e Portugal, como outro José (Mattoso) lembrava, não pode ser identificado, logo pensado, univocamente sem que muita da potência de análise se perca. Então as críticas que lhe foram feitas (e a que responde nas entrevistas incluídas nesta edição) eram legítimas: por vezes José Gil não está a pensar aspectos da sociedade portuguesa, mas de qualquer sociedade. Que esses traços sejam mais evidentes numa parte, digamos maioritária, desta coisa que é Portugal e que estejam menos presentes noutras sociedades, é outra questão. Isto não impede que o filósofo pense brilhantemente os tiques desse conjunto de indivíduos, que a comparação internacional seja adequada, que se retire muito deste livro para o presente e para o futuro. Aliás, é nesta parte que o livro me ganha de novo: José Gil desce aos porquês, às razões desses medos e espaços brancos. Analisa, por exemplo, os impactos do regime salazarista no terror quotidiano e as marcas que deixou para a posteridade de forma brilhante. Somos de facto os herdeiros, mais ou menos directos, desse terror e desses brandos costumes. Mas, aqui, começo a generalizar... Em resumo, como na escolástica. Objecção 1 - Ferramentas potentes para um objecto pálido e difuso (matar mosquitos com um canhão, dizia alguém); Resposta à objecção 1 - José Gil lega-nos utensílios de pensamento geniais, como pouca gente em Portugal (Eduardo Lourenço, claro, mas poucos mais); Respondo que - com falhas mais ou menos graves, é sempre saudável um exercício como este, até porque são escassos. Mérito do autor.
Very good written! It is possible that the book becomes boring in some situations, always surrounding same topic, the "no entry". The fact that in this edition exist different interviews with the author, allows clarifying many of the points raised in the book and understand the author's purpose in writing it. In my case, the existence of these interviews helped to improve a lot my idea about the book.
Very good review of the smallness of the Portuguese mentality and how, in general, contents with that.
O livro "Portugal,Hoje, O Medo de Existir", que acabei agora de ler foi uma desilusão. Pareceu-me atabalhoado com várias afirmações sobre a natureza de Portugal (ou de parte dele) não sustentadas em nenhum estudo científico e quase sempre negativas. Por outro lado, muitas das reflexões, segundo o autor, careceriam de maior aprofundamento o que não é feito, sem que se entenda porquê. Muito francamente acho que os males que, na perspectiva de José Gil, alegadamente sofremos são muito dos seus próprios problemas. Com efeito o livro pareceu-me demasiado superficial e com pouco trabalho. Curiosamente estes dois aspectos são precisamente segundo José Gil dois dos nossos grandes problemas. Enfim, usando a própria terminologia do autor, o livro parece-me uma enorme "não inscrição". Finalmente nas Notas Finais o autor reconhece que o título que escolheu para o seu livro afinal é enganoso. De facto segundo José Gil, o livro só trata de um dois aspectos (mas será apenas um ou serão realmente dois ?) da vasta entidade que é o País. Isto é uma afirmação espantosa por parte dum cientista. Eu gostava mais de ver os nossos pensadores apontarem soluções em concreto para os tremendos males que o País, nas suas ópticas, sofre, ao invés de se deliciarem a expor esses mesmo males. Acho mesmo que essa é uma responsabilidade cívica sobretudo de todos os que se dedicam à análise científica do País (seja qual for o seu dominio de actividade - Sociologia, Filosofia, Política, Economia, etc.). A mera descrição dos problemas, ainda que muito exacta, não é suficiente e revela por vezes cobardia intelectual na assumpção das medidas de intervenção social e política,sempre controversas e não isentas de critica.
Right. Ah e tal isto está negro: as influências Salazaristas que propelaram diferentes medos, a inveja e o queixume, a nossa não definição e a recorrente pequenez; e agora a globalização que esmaga a acção criativa. Por isso temos que agir e tarara... (yawn!). Isto enleado num tipo de escrita um tanto ou quanto pretensiosa (deve ser da influência francófona do senhor), cheia de artifícios que a meu ver só enevoavam mais a mensagem (qual mesmo??) que se queria fazer passar – isto nos entretantos do permanente nevoeiro em que ainda vivemos, uma fumarada portanto.
É verdade que ainda fui presenteado com umas quantas brechas de luz, mas não consegui sacudir a ideia de que não eram exclusivas aqui ao nosso Portugal – lá se vai parte do propósito de se ler um livro com este título. José, fica para a próxima.
Portugal, Hoje: O Medo de Existir, é uma obra que desconhecia e que me foi aqui apresentada neste nosso cantinho livriano pela mui estimada colega livriana Lisa. Escrito pelo filósofo José Gil, tido como um dos 25 grandes pensadores mundiais da actualidade, logo e obrigatoriamente uma figura ou um intelectual de relevo da nossa cultura. O autor neste livro procura analisar a alma lusitana e toda a actual e antiga conjuntura que levaram o nosso país e as nossas gentes ao actual e miserável estado de pessimismo em que o país está atolado (para não dizer outra coisa). Uma análise também ela extremamente pessimista que ressalva apenas os traços mais negativos da nossa forma de ser e da forma como a democracia foi erigida e mantida. Embora José Gil tenha dificuldade em classificar o género deste livro, classificando-o mesmo como “indefinido”, eu não tenho quaisquer dúvidas em o classificar como um Ensaio, porque simplesmente este é um Ensaio ou, na pior das hipóteses, uma espécie de Ensaio sobre os males e os vícios que dominam os portugueses, a sua herança cultural e a forma como essa herança foi aproveitada e consagrada pelo regime salazarista, e são precisamente estes dois últimos pontos que, quanto a mim, destroem toda a abordagem de José Gil. Mas vamos por partes. J osé Gil desde o início refere as más características dos portugueses e a forma como se identifica essa forma de ser: irresponsável; invejoso; dado à inércia; medroso, quase cobarde; sem motivação e auto-estima; resistente à lei; com a mania que é “chico-esperto”, levando essa faceta directa e indirectamente à corrupção. Correcto, digo eu e dirão muitos, no entanto e tendo o cuidado de analisar o livro como um todo, no final do mesmo constatei que o discurso de Gil assenta essencialmente apenas e só nisso, num desenvolver de características tão conhecidas, sem contudo dar qualquer tipo de respostas nem apresentar alternativas para que seja possível uma mudança. Esta é a minha maior crítica. O que o autor faz é essencialmente o seguinte: "os portugueses são uns preguiçosos, não fazem nenhum, são uns despreocupados, estão-se a borrifar para os outros, etc". E porquê que os portugueses são assim? "Ah coisa e tal, salazarismo práqui, salazarismo práli...". Ou seja, ele não dá nenhuma explicação plausível. A única tentativa de explicação e por acaso essa tentativa desapontou-me muito, é dada mediante uma excessiva colagem do Portugal de hoje ao Portugal de 1974 acabado de sair da ditadura, afirmando vezes sem conta ou deixando perceber claramente que nada mudou desde esses tempos, nada se ”inscreveu”, que inclusive os portugueses continuam a viver com um medo herdado do salazarismo... Não concordo! Discordo em absoluto! Não querendo entrar aqui em dissertações ou em discursos que contraponham o que José Gil escreve, penso que e ao contrário do que ele afirma, os portugueses não são como são devido aos 45 anos de ditadura, pese embora que também tenham tido influência. Ele passa praticamente todo o livro a “bater na mesma tecla”, a sublinhar o papel negativo do regime salazarista como principal e único culpado deste actual estado de coisas. Não concordo! Admito que ainda existem muitos vícios que sobreviveram desse regime, mas não concordo que os portugueses são amorfos, medrosos, cobardes, invejosos e irresponsáveis devido apenas a esse regime. É Histórico e Gil esqueceu-se de analisar a História, não faltam relatos desses comportamentos fatalistas, invejosos, brejeiros, “chico-esperto” em vários dos nossos escritores do séc. XVIII e XIX. Camões narra um pouco desses comportamentos no “Lusíadas” e as obras de Eça e Camilo são também um óptimo mostruário. Salazar de facto aproveitou essas características para implantar o medo e a repressão, mas e passados mais de 30 anos da Revolução dos Cravos, nós não somos como somos devido apenas a esse regime, nós sempre fomos assim. Célebre a frase de Júlio César no ano 100 A.C. quando dizia: “nos confins da península existe um povo (lusitanos) que não se governa nem se deixa governar...” Ele refere também e não são poucas as vezes que o faz, das não “inscrições” em Portugal. Tudo é constantemente adiado. É verdade, pelo menos o do constantemente adiado, o de deixar andar, no entanto e no contexto onde ele coloca a expressão “inscrição”, para mim é aberrante essa análise. Será que em mais de 30 anos de democracia nada mudou? Obviamente que essa democracia foi mal construída, análise que Gil efectua, tocando nalgumas feridas, mas que diabo, estamos nas mesmas condições que estávamos em 1974? Nada mudou? Penso que bem ou mal, muita coisa se fez nesse país que merece ficar ”inscrito” na nossa sociedade e na nossa História, mesmo afirmando ele que ”Portugal conhece uma democracia com baixo grau de cidadania e liberdade”, afirmação essa que deriva, mais uma vez de uma atribuição de culpas ao antigo regime, eu questiono: Mas isso só acontece em Portugal? Esse alheamento da vida política, esse afastamento só se verifica em Portugal? Nos outros países também não se verifica o mesmo? E o mais decepcionante é que José Gil faz essas declarações, mas nunca efectua nenhuma análise profunda do porquê, dos factores e razões que levaram a esse alheamento e afastamento. J osé Gil vai assim colocando tudo numa condição extremamente pessimista. Embora concorde com parte dessas constatações, não concordo com maior parte delas, sobretudo o modo alarmista como ele as coloca e por serem meras constatações. Considero de facto que ele tem razão em muitas criticas que efectua, no entanto ele coloca as “coisas” como incontornáveis, como se fosse impossível a alteração dessas situações. Mas não será legítimo exigir mais a um pensador desta craveira do que constatações tão simplistas? Para além de tudo o que refiro atrás, ele entra em profundas contradições, pois é célere a criticar o povo pela não ”inscrição” e ele, com este livro, faz exactamente isso (queixa-se, queixa-se), demonstrando também ser um mau conhecedor da História Universal dos povos e com pouca visão e perspectiva do futuro. Por outro lado e ligado ao que afirmei no parágrafo atrás, é arrepiante a forma como ele se esquece de analisar e de incluir a nossa História, afirmando mesmo sermos um povo saudosista mas com poucas referências ou lembranças da História, algo que ele próprio demonstra no livro, pois para ele existe uma massa de gentes encravada num pequeno território à beira de um precipício. Portugal é apenas isso? Não teria ele arranjado melhor explicação (praticamente não dá nenhuma) para a nossa forma de ser, se, por exemplo se desse ao trabalho de analisar os Descobrimentos e o facto de ter sido Portugal uma potência europeia e mundial durante séculos? Em suma: José Gil efectua uma análise ao não desenvolvimento democrático, social, mental e cultural do país e das fracas capacidades dos portugueses. No entanto é uma análise vazia, sem conteúdo, pouco ou nada profunda, pessimista, onde ele se limita ao simples desfilar de defeitos sem nunca evidenciar as virtudes e onde jamais apresenta soluções ou alternativas. Caí assim ele próprio em contradição com as críticas que realiza, pois parece tomar a atitude de um iluminado, quando e depois de tudo exprimido, este livro é extremamente populista, acabando assim por ele próprio se ”inscrever” num grupo que poderemos denominar de ”Vencidos da Vida” (a frase não é minha), grupo esse que me recuso a pertencer. Conceitos abstractos, não explicados e por vezes demasiados densos, acabam por dominar grande parte do livro, tornando-o de ora fácil, ora de difícil leitura, caindo também em blocos extremamente filósofos e de sentido dúbio. A mim decepcionou-me porque estava à espera de uma análise mais cuidada de alguém tão respeitado e tido em todo o mundo, uma análise às razões históricas e sociais que levaram os portugueses a serem realmente um povo tão amorfo. no entanto recomendo, porque José Gil foca alguns dos nossos problemas e defeitos, o que para muitos pode ser um despertar proveitoso para esses mesmos problemas e defeitos, talvez uma tomada de consciência ou um inteirar dos reais problemas deste país.
É muito válida e interessante a perspetiva que este ensaio apresenta das "mentalidades" marcadas por uma herança política ditatorial. A minha interpretação de toda a reflexão é que a relação entre o conhecimento da democracia que se vai muito lentamente aprofundando e partilhando e os entraves que, apesar disso, continuam a ameaçar a própria prática democrática, fazem com que, na realidade, continuemos a ser um "sistema autocrático de tipo desconhecido" em que tudo se tolera, tudo se esquece e nada se faz. Muito obrigada, José Gil, pelo contributo à aprendizagem da democracia dos portugueses.
Uma "estuporização colectiva permanente" e um "burgessismo que se nos cola à pele" são alguns dos atributos que Gil reconhece nos portugueses. Será que tem razão? Eu preferia acreditar que não, mas infelizmente acho que tenho de concordar com o autor, não obstante o facto de todas as generalizações valerem o que valem. Por muito que me custe, a verdade é que se calhar somos mesmo um país adiado, um país que deixa tudo a meio, um país que tem medo de existir. Falta deixarmo-nos de nos resignarmos (ou seja, de aceitarmos os males do mundo, já que resultam de um poder que nos ultrapassa). Falta-nos também aprender a incorporar em nós a nossa memória histórica e o mundo que nos rodeia, para sermos melhores.
O autor é claramente anti-"direita" o que, por um lado, pode fragilizar o livro. Por exemplo, no último capítulo, não sei se as críticas e ataques a Santana Lopes fazem muito sentido. Assim, uma análise filosófica e psicológia à sociedade portuguesa de princípios do século XXI (que poderia tornar-se num dos livros portugueses mais importantes deste mesmo século, nessa área), acaba por tornar-se num livro muito (demasiado) contextualizado por acontecimentos que daqui a 50 anos estarão praticamente esquecidos e que não tiveram tanta importância quanto isso.
Julgo mesmo que o livro é um pouco inconstante e, embora concorde com grande parte do que ali é dito, de algumas ideias discordo. Penso também que José Gil se "esquece" de factos que não deixam de ser importantes se se quiser fazer uma reflexão cabal sobre a psicologia colectiva de Portugal (como por exemplo a precoce formação de uma identidade nacional e o facto de ser uma nação que existe há mais de 850 anos e ainda andarmos por cá - diga o que se disser, no fundo, ninguém quereria ser espanhol por melhor que se viva naquele país).
Quanto à maneira de escrever do autor, parece-me que a linguagem utilizada é um pouco prolixa e densa (principalmente nos primeiros capítulos) e excessivamnete filosófica, o que acaba por enfadar um bocado... Dei por mim a ler e a reler a mesma frase para perceber bem o que é que José Gil pretendia dizer. Acho que uma linguagem mais prosaica e mais inteligível para o comum dos leitores não fazia mal nenhum ao livro...
O que não consegui foi perceber se afinal isto é um ensaio, uma análise sociológica, um tratado de psicologia colectiva ou um pouco de todos. E não sei se encontrei mais respostas que perguntas ao ler este livro que, bem lidas as coisas, não deixa de ser interessante.
O livro é interessante, pela reflexão filosófica sobre o Portugal, os portugueses, a justificação de algumas crenças como o país de "brando costumes". Contudo o ensaio poderia ser mais desenvolvido, indo buscar p.e. os contextos históricos, aprofundado as questões levantadas. O último capítulo está desfasado do tempo e parece mais um ataque político. José Gil é um dos grandes pensadores portugueses, considerado um dos principais a nível mundial pelo Le Nouvel Observateur.
Leitura de 2024 Um pouco datado, mas certo na análise de possíveis origens de problemas que ainda atravessam a sociedade portuguesa. Alguns capítulos são complexos de análise e de forte conteúdo filosófico, às vezes parece que nem se ligam com o resto do texto / livro. Porém para além de alguns capítulos menos conseguidos é um bom livro, certeiro na análise referida atualmente. Recomenda se ;)
Grande livro sobre o Portugal de hoje. Os traumas, as faltas e a razão de sermos hoje o que viemos a ser. Tudo por causa daquilo que fomos e do que gostaríamos de ser ainda. Não leva 5 estrelas apenas porque é de leitura confusa e atabalhoada, mas este é o estilo do escritor. Atabalhoadamente dizendo grandes verdades. Filósofo de alta escola. Estas verdades têm de ser arrancadas à força de concentração intensa das poucas páginas, por uma leitura atenta e minuciosa.
Um ensaio brutal, descrito com imensa mestria, que decalca o espírito, postura, modo de ser, pensar e estar dos portugueses actualmente, explicando as suas origens com base no salazarismo.
Um livro extremamente datada, com a visão hipotética de quem extra pula as realidades que não conhece só para evidenciar o seu ponto sobre as realidades que não lhe agradam. What a waste of time