Rui Ramos, Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Monteiro, professores universitários da nova geração de historiadores apresentam a História de Portugal num só volume, da Idade Média ao século XXI. Numa narrativa clara e rigorosa os autores abordam os nove séculos da nossa história através das suas dimensões política, económica, social e cultural, dando uma visão integrada de cada época e momento histórico, colocando, ao mesmo tempo, a História de Portugal no contexto da História da Europa e do mundo. Com ilustrações a cores, mapas, cronologias e lista de governantes trata-se sem dúvida de uma obra de referência fundamental para compreender o passado e o presente num momento de grandes decisões e escolhas para o futuro de Portugal.
RUI MANUEL MONTEIRO RAMOS nasceu a 22 de Maio de 1962, em Torres Vedras. É licenciado em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1985) e doutorado em Ciência Política pela Universidade de Oxford (1997). Ensinou na Faculdade de Letras de Lisboa (1985-1986), na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa (1998-2001), e na Universidade de Évora (2000). Actualmente, dirige seminários no Mestrado em Ciências Políticas da Universidade Católica (desde 2002) e no Mestrado em Política Comparada do Instituto de Ciências Sociais (desde 2003). É ainda Professor Convidado do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa e Membro do Conselho de Curadores da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (desde 2012).
Enquanto historiador, especializou-se na história de Portugal dos séculos XIX e XX, estudando sobretudo os aspectos políticos e culturais. Tem-se dedicado em particular à investigação da época do final da monarquia constitucional e da I República. Foi um dos fundadores e membro do conselho de redacção da revista Penélope - Revista de História e Ciências Sociais (1988-2006) e um dos organizadores dos dois congressos de História Social das Elites (1991 e 2003). Foi condecorado pela Presidência da República com o Grande-Oficialato da Ordem do Infante D. Henrique, em Junho de 2013 e foi vogal do Conselho das Ordens Nacionais da Presidência da República (2014-2016).
Em Outubro de 2002, a Academia Europaea outorgou-lhe a distinção de Burgen Scholar “in recognition of excellent academic achievement”.
Na imprensa, teve uma coluna semanal no Diário Económico (2005), e depois no Público (2006-2009), Correio da Manhã (2009) e Expresso (2010-2013). Colaborou em programas de debate semanal na RTP-N, TVI-24, SIC-Notícias e Canal Q, e fui autor da série de 12 episódios “Portugal de...”, da RTP-1 (2006-2007).
Este livro dá imenso prazer a ler. E isto sem prejudicar a abordagem em (relativa) profundida dos temas e o elevado rigor histórico. Este quase perfeito equilíbrio torna-o melhor que outras obras do género, como a de A. H. de Oliveira Marques (mais enfadonha, se bem que mais detalhada em certos aspectos) e a de José Hermano Saraiva (de fácil leitura mas mais superficial e popularucha). O 1º terço, a cargo de Bernardo Vasconcelos e Sousa, é a melhor parte. Com uma escrita muito fluída, Vasconcelos e Sousa vai tocando em quase todos os pontos essenciais e consegue ainda problematizar q.b., defendendo de forma convincente teses em contra-corrente (como o significado de Alfarrobeira) e explicando outras de forma clara e sucinta (como a opção de Ceuta). O 2º terço é a parte menos bem conseguida. A escrita de Nuno Gonçalo Monteiro é mais rebuscada (porquê tantos "de resto" no início dos parágrafos?) e o seu discurso resulta menos claro. Por outro lado, parece fugir das polémicas - ou pelo menos de as referir enquanto tal - em prejuízo da obra. Acresce que alguns factos são aflorados de forma algo atabalhoada e resulta a sensação de não terem sido bem explicados (como o motivo da súbita embirração do Marquês de Pombal com os jesuítas - se não se conhece a causa, a ignorância deveria ter sido admitida). Apesar destes pequenos reparos, a Idade Moderna ressalta das páginas, sobretudo na parte dos Descobrimentos. É notório, na 3ª e maior parte do livro, que Rui Ramos domina a matéria. Dá uma vívida imagem das invasões napoleónicas, do drama da independência brasileira e da guerra civil. Descreve em pormenor, mas sem se deter em demasia, os múltiplos episódios bizantinos da Monarquia Constitucional e da 1ª República, bem como do Estado Novo. Já mais discutível é o relegar do Império Africano para terceiro plano. Também é discutível a opção por debitar dados estatísticos em catadupa (como acontece na última parte sobre o início do Século XXI) que, sendo importantes, tornam alguns capítulos num Pordata em prosa. De notar também um irritante toque misógino, ao qualificar de "caprichos" os objectivos políticos de D. Maria II, enquanto que as restantes tropelias da Casa de Bragança e dos outros actores republicanos (todos homens) já não merecem, obviamente, este epíteto. Por vezes deixa também alguns factos por explicar, como é o caso dos boatos sobre a vida privada de D. Luís - quando se refere a existência de um boato, é certo e sabido que o leitor quererá saber do que se tratou. Outro aspecto estranho é total ausência da nomenclatura tradicional para alguns factos históricos. Isto porque, apesar de descrever os episódios, Rui Ramos nunca se refere aos mesmos como "Vilafrancada", "Abrilada" ou "Belfastada". Goste-se ou não, estes nomes fazem também eles parte do património histórico. Por fim, quanto às acusações de que foi alvo, por ser de direita, Rui Ramos está parcialmente ilibado. Sendo um historiador íntegro, não omitiu a violência do Estado Novo e os seus aspectos mais escabrosos. Tanto bastou para conseguir calar os críticos que, de forma pouco inteligente, o acusaram de branquear a História. O seu "bias" direitista é muito mais difuso e só se nota na forma como contextualiza sempre a violência que vem da direita (desde Costa Cabral, João Franco, passando por Pimenta de Castro e terminando em Salazar), quer com o precedente interno ou o contexto externo. Pelo contrário, a violência de esquerda é sempre enfatizada sem grande enquadramento histórico (Afonso Costa surge quase como um hooligan e a restante trupe da 1ª República não sai muito melhor). Dir-se-á que foi de propósito, pois a nossa historiografia tem sofrido do mal inverso. E se isso é verdade, o facto é que a obra perde a aura de objectividade histórica que Rui Ramos sempre lhe quis imprimir. Já menos passível de explicação é a aparente difculdade de Rui Ramos em encadear os factos na sequência causa-efeito, quando isso lhe dá ideologicamente jeito. Por exemplo, descreve a candidatura de Humberto Delgado e depois, mais à frente, refere que Salazar decidiu alterar a forma de eleição do Presidente da República, copiando a V República Francesa. É certamente uma forma de descrever os acontecimentos. Outra forma, mais plausível, passava por dizer que a candidatura de Humberto Delgado assustou Salazar (causa) e este resolveu o problema na secretaria, acabando pura e simplesmente com o sufrágio directo (efeito). É nestes pequenos detalhes e pequenas omissões que Rui Ramos vai desenhando uma imagem do Estado Novo e de Salazar mais simpática do que aquela que seria pintada por um historiador isento
Pelos vistos o Salazar era um gajo porreiro que foi mal interpretado, e o Marcelo era um gajo ainda mais porreiro ainda mais mal interpretado. Vou acreditar, afinal eu não estava cá para ver e os autores são historiadores. É verdade, logo depois do 25 de Abril os partidos de direita passaram as passas do Algarve.
E, novamente, mais um livro que pretende não fazer juízos de valor apesar de gabar os descobrimentos como um feito português, e não como o genocídio que foram, mas vá, naquela altura era moda, e foi um dos raros momentos na história em que ditámos a moda.
Mas tudo bem, eu curto mesmo é o Viriato e o D. Afonso Henriques.
Trabalho desonesto ''empapado de ideologia'' que minimiza e tenta justificar (nos capítulos do estado novo - a ditadura de salazar) as acções de um regime, que com uma máquina de repressão activa, perseguiu e matou. Causou uma guerra colonial desastrosa com uma retirada que foi uma catástrofe. É uma obra que não tem o direito que se lhe chame de 'História', e Rui Ramos não é historiador, é um apologista. Para quem quiser estudar a história de Portugal, ficará muito melhor servido com autores como José Mattoso ou Fernando Rosas.
Um livro bastante completo sobre a nossa história mas que em determinados pontos se torna demasiado denso e até de certa forma rebuscado, com alguns pormenores a ocuparem demasiadas páginas em detrimento de outros acontecimentos que mereceriam mais atenção. A linguagem empregada foi demasiado académica o que torna a leitura mais difícil e desencoraja o leitor. Não é um livro para qualquer público, não o foi para mim e acredito que não será o indicado para qualquer pessoa que não possua previamente um sólido conhecimento da nossa história.
Esta extensa obra pretende apresentar a História da já quase milenar da Pátria de forma concisa, apelativa e acessível, o que consegue de forma brilhante.
Dividida em três partes, divide a narrativa de acordo com as épocas (medieval, moderna e contemporânea), com divisões em capítulos que permitem ao leitor perceber e encontrar rapidamente o que pretende. História que vai desde os visigodos aos novos democratas, oferece ao leitor os dados de forma detalhada mas não exaustiva, abrangendo a política, economia e sociedade de todas as épocas abordadas. De facto, quem lê a obra, fica com uma noção enriquecedora sobre a Nação.
Se tivesse de destacar algo negativo, diria que, para quem já conhece a História de Portugal, o livro não oferece muito de "desconhecido". No entanto, a forma e eventuais novos conhecimentos tornam a obra excelente para qualquer amante de história ou simples curioso.
Acabo de ler "História de Portugal" de Rui Ramos, Nuno Gonçalo Monteiro e Bernardo Vasconcelos e Sousa, e foi uma experiência transformadora. Este livro não só me ofereceu uma visão abrangente da nossa história, desde a fundação até à contemporaneidade, como também me fez refletir profundamente sobre a identidade e a evolução da "alma portuguesa".
Um dos temas centrais que emerge desta narrativa é a nossa condição periférica e a constante ameaça espanhola ao longo dos séculos. No entanto, é interessante notar, na minha opinião, que, apesar desta posição periférica, Portugal conquistou um papel central na cultura ocidental com os Descobrimentos. Contudo, especialmente a partir do final do século XIX e durante o século XX, com a ascensão dos EUA, não conseguimos reclamar uma parte dessa centralidade. Não nos posicionámos como um potencial hub entre os EUA e a Europa Ocidental, o que teve um custo enorme para os portugueses. Outros países souberam aproveitar essa oportunidade, enquanto nós ficámos à margem. Há oportunidades que foram perdidas e outras que ainda esperam ser conquistadas. A habilidade diplomática sempre teve em conta outros interesses. Tudo chegou tarde a Portugal, incluindo, talvez, o conceito de povo ou nacionalidade. Há muitas incongruências em desfavor da população portuguesa, em favor de uma elite que se perpetua na esfera do privilégio e num corporativismo que ainda hoje se faz sentir. Um exemplo disso é que, de 1960 a 1974, Portugal registrou as maiores taxas de crescimento económico da sua história. No entanto, 1966 foi o ano da maior emigração de todos os tempos.
Como alguém que deixou Portugal em 2012 para viver noutro país europeu, revejo a minha história na história de tantos portugueses — embora as dificuldades e desafios de hoje sejam muito diferentes dos de outros tempos. Os mesmos padrões repetem-se, as revoluções vêm e vão, lembrando-me da famosa frase de "O Leopardo" de Giuseppe Tomasi di Lampedusa: "É preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma".
O livro é extenso, e levou-me mais tempo do que esperava para o concluir, mas agradeço profundamente aos autores por nos darem esta oportunidade de refletir sobre quem somos. Como curioso por história, leio regularmente obras do género e, embora tenha encontrado outras narrativas mais cativantes, frescas e bem escritas, como o último que li: "The English and Their History" de Robert Tombs, considero a terceira parte deste livro particularmente envolvente.
A minha curiosidade está mais desperta, e já procuro outras leituras sobre nós e a nossa história. Alguma recomendação?
Apesar de ser extremamente denso, as “coletâneas” de textos compilados em “A história de Portugal” parece trazer um universo total do que se espera de um livro que fale sobre história, mas em vários momentos parece mais um artigo sobre discussões que parecem travar a narrativa. Se a Parte I organizada pelo Bernardo os textos se atém principalmente a questões históricas da fundação do Estado português, quando entramos na Parte II de Nuno Gonçalves há um misto de análises que parecem empacar no desenvolvimento da leitura o que meio que destoa sobre o principal tema do livro. Não que descobrir fatores sociais e questões de organização do povo não seja de interesse para entender o contexto histórico, mas conforme avançamos na Parte III de Rui Ramos, parece que os organizadores mais gastam tempo em nuances e esquecem de focar sobre um fio narrativo da história. Essa inversão vai se agravando principalmente quando entramos na fase do Marquês de Pombal com passagens rápidas históricas e muita, mas muita retórica no restante do texto. Não existe uma análise crítica dos momentos históricos, há apenas comentários que parecem densos, mas parece aquela discussão de artigo científico para preencher páginas e páginas. Recomendo muito ler a Parte I. Nas demais, melhor procurar outro livro texto…
achei este ser um livro que de forma geral, faz um bom resumo da história de portugal. apesar de da perspetiva de quem se dedica ao estudo da história, ser pouco aprofundado em certos assuntos, é compreensível devido ao seu carácter sumário. outro ponto é a própria linguagem utilizada, que se torna demasiado pesada, demasiado académica para um público mais abrangente, o que em si não facilita a leitura. acaba também, por se focar em discussões desnecessárias que penso que acabem por trazer de uma perspetiva mais positiva a discussão das atualidades historiográficas, mas será algo realmente de extrema importância para a pessoa comum que tem apenas interesse ou um entusiasmo por história? a meu ver, acaba por retirar o foco ao objetivo principal de uma obra destas de carácter mais geral, que seria em princípio, expressar factos e ser objetivo.
Para mim, dos que já li no tópico, o livro mais completo e "simples" da história de Portugal. Tentando meter tudo no contexto, sócio e histórico da época e ver a longo termo os efeitos do acontecimento. Peca por a narrativa não seguir um fio de um só caminho, muitas vezes indo para trás e depois para a frente. Quanto ao dar notas negativas só porque tem um certo historiador de direita a coordenar, é ridículo. Leem primeiro. Porque a história é factos e é isto que este livro apresenta.
Sec. XX enviesado. O salazar pelos vistos foi um gajo porreiro. Poucas mortes nas prisões, poucos presos politicos. E foi uma maldade o que fizeram ao caetano e aos pides. Enfim... Mais do mesmo deste senhor.
Uma agradável leitura aobre a História de Portugal, com excelentes narrações de diferentes episódios marcantes da nação portuguesa. Vale a pena ler e ir refletindo sobre o que os autores decidiram incluir nesta obra.
Lo he comenzado a leer y me está gustando bastante. A veces es necesario precisar determinados datos y darles un valor para que nos sirvan de referencia, aunque ya sabemos que en cuestiones de historia todo es tan relativo y subjetivo.