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Primeiros Passos #61

O que é Existencialismo

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Mais que uma doutrina filosófica, o existencialismo passou a ser identificado como um estilo de vida, uma forma de comportamento que designava atitudes excêntricas e caracterizava seus seguidores como depravados, promíscuos e mórbidos. Tudo que infringisse as regras estabelecidas, a linha divisória entre o certo e o errado, era considerada existencialista. O autor, despojando-se dessas idéias preconceituosas e fantasiosas, caracteriza os traços gerais dessa doutrina, seus antecedentes filosófico s e sua relação com o marxismo.

88 pages

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João da Penha

2 books1 follower

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Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for Dario Andrade.
744 reviews26 followers
January 30, 2023
Um daqueles bons livros da Coleção Primeiros Passos. Faz uma boa síntese – bastante clara e didática – do que vem a ser o existencialismo. Se inicia com Kierkegaard para depois se concentrar na dupla Heidegger-Sartre.
Há vantagens e desvantagens nesse recorte. A desvantagem mais óbvia é que outros expoentes – Gabriel Marcel (pouco publicado aqui no Brasil) ou Karl Jaspers (dentre os mais conhecidos) – ficam restritos a uma nota de rodapé. Um nome como Camus – na avaliação do autor – é erradamente apontado como existencialista, “...não obstante exprimir em suas obras certas teses existencialistas”. Infelizmente, e essa é a principal falha do livro, é a de restringir esse comentário a uma linha, a despeito do que parece ser – ao público em geral – a importância do Camus.
A vantagem de restringir-se essencialmente à dupla Heidegger e Sartre é a de poder dar mais atenção ao pensamento desses dois na elaboração do pensamento existencialista.
Selecionei alguns trechos em que ele trata de Heidegger.
“O Dasein é nossa existência cotidiana, é o indivíduo, é o homem (...). [É] um estágio superior à existência cotidiana do Dasein, algo acima do dia-a-dia que lhe constitui a biografia [...] é a Existenz, a existência idealizada do Dasein.”
“O homem autêntico é aquele que reconhece a radical dualidade entre o humano e o não-humano. Desconhecê-la é mergulhar na inautenticidade, é sofrer uma queda. Existência inautêntica e queda são sinônimos. Queda, porque os existentialia (categorias básicas da existência humana: entendimento, sentimento e linguagem) são necessidades ontológicas imprescindíveis ao ser humano, e que no estado de inautenticidade tendem a se degradar. A queda é um estado de decadência, de derrelição, de desamparo.”
“A inautenticidade se apresenta sob duas formas: subjetivamente e objetivamente. Na primeira, uma subjetividade degradada comanda a consciência individual, levando o homem a agir de acordo com que dizem ser certo ou errado, obedecendo a ordens e proibições sem indagar suas origens ou motivações.
O Dasein, o indivíduo, passa a viver sob o signo do “se”, do “dizem” (tradução aproximada do alemão das man): lê o que se lê, come o que se come, segue este ou aquele modismo que dizem ser o mais conveniente seguir. O “Ser-aí”, na vida cotidiana, mergulha numa espécie de anonimato que anula a singularidade de sua existência. Perde-se no meio dos outros Dasein, buscando a justificativa de seus atos num sujeito impessoal, exterior.
A experiência cotidiana do Dasein transcorre, dessa forma, no âmbito da impessoabilidade, o das man torna-se massa, alheia-se de si mesmo. Com os sentimentos embotados, incapaz de livrar-se dos hábitos e das opiniões que lhe são impostos, sua consciência é atormentada por medos e ansiedades neuróticas. A vida interior degrada-se, vulgarizando-se. O indivíduo – embora julgue que tudo lhe é acessível – já não consegue discutir nenhum assunto com profundidade, detendo-se na superficialidade das coisas, sem interrogar os fundamentos daquilo que discute, tagarelando sobre banalidades, o que conduz à perda da expressividade da linguagem, que, enfraquecida, sem a força de seu apelo original, torna-se ambígua.
A outra forma de inautenticidade manifesta-se no mundo artificial criado pela tecnologia.”
Sartre:
“A essência humana, portanto, só aparece como decorrência da existência do homem. São seus atos que definem sua essência. Logo, inicialmente o homem existe–e só depois é possível defini-lo, conceituá-lo. Enfim, da existência decorre a essência. [...]o homem primeiramente existe, não sendo nada a princípio, se a ideia de Deus é eliminada, se a cada instante o homem tem de escolher aquilo que vai ser, então só a ele cabe criar os valores sob os quais dirigirá sua vida.”
“Para o existencialismo, a liberdade é a capacidade do indivíduo de decidir sobre sua vida, escolhendo-a e por ela se responsabilizando.”
“Ele passa a existir para o outro, o que o torna inautêntico, desprovido de uma afirmação pessoal e autônoma. Move-se em busca da cumplicidade do outro, desejando ser percebido por ele segundo a imagem que criou de si para si e para os outros. Tal ambição, repetimos, é frustrada pela recusa de nosso próximo em nos conceder aquilo que dele esperamos, malogro sintetizado pelo célebre aforismo: “O inferno são os outros”. Garcin, Estela e Ignez são simultaneamente juiz, carrasco e vítima.”
“A ausência de espelho no cenário tem uma função dramática: indica que cada personagem só pode ver a si próprio através do olhar do outro.”
“Na verdade, o inferno [...] é o olhar do outro, que, como diz Sartre, em O ser e o nada, obriga a que nos julguemos a nós mesmos como coisa.”
Talvez o existencialismo acabe por exprimir a angústia moderna (obviamente nas sociedades em que a ideia de indivíduo tem valor) no sentido em que o homem se vê como indivíduo e, assim, como senhor de si próprio. A maioria sequer é capaz de se dar conta disso e, assim, se vê submetido às vontades alheias e a viver as vidas de outros, o que constitui uma vida inautêntica. Nesse sentido, acho que o existencialismo - no sentido de constituir a busca por uma vida autêntica - me parece ter coisas a nos dizer.
Por outro lado e por fim, e fiquei com essa impressão ao ler o capítulo sobre Heidegger, que houve uma apropriação (ou seria uma decorrência de uma semente já existente? Não sei) pós-moderna do existencialismo que vê o homem como uma espécie de massinha de moldar, que pode se transformar em qualquer coisa. Isso, por exemplo, parece ser a tese de algo como o transhumanismo, cuja tese parece ser exatamente essa: o corpo físico é só um invólucro que pode ser transformado em qualquer coisa ou até mesmo transcendido. Acho que essa é uma interpretação possível, mas que não seja muito clara do que pensa Heidegger. Porém teria que ler coisas dele para poder fazer uma avaliação mais sólida.
142 reviews18 followers
April 14, 2018
O livro "O que é existecialismo?" se mostrou como um ótimo introdutório ao existencialismo. O livro tem uma linguagem de fácil acesso e ilustrações encantadoras. Além disso, e o melhor, o livro apresenta de maneira breve, mas rica, a história do existencialismo e os filósofos/existencialistas mais importantes que contribuíram com a essa corrente filosófica.
Profile Image for Vamp.
8 reviews
November 23, 2025
For anyone interested in learning about existencialism, especially Sartre's, I recommend reading this book before "Existencialism is a Humanism". It makes all the difference. The Primeiros Passos collection never lets me down, and every book of theirs I read makes me want more...
Profile Image for Barbara.
127 reviews6 followers
May 29, 2018
sobre a liberdade de fazer escolhas
14 reviews
December 6, 2024
"A linha divisória entre o certo e o errado, era considerado existencialista. Algo semelhante com o movimento hippie, onde bastava a recusa de alguém em cumprir os mais elementares preceitos". p. 07
Profile Image for laura.
32 reviews
March 16, 2024
uma ótima introdução ao existencialismo, especialmente para quem se interessa por sartre. bom ponto de partida para a continuação do estudo dessa corrente filosófica.
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