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«(...) aquela mata que todo mundo diz que é o que faz a diferença,
afinal muitas capitais têm praia, mas uma mata assim, tropical,
verdejante, imensa, só no Rio, aquela mata frondosa, casa de
tucanos, cobras e macacos, aquela mata que exala um cheiro
doce e enjoativo de jaca, aquela mata que todo mundo admira
quando está subindo a Vista Chinesa e na qual quase nunca
reparo, porque quando estou correndo eu me desligo do mundo,
aquela mata virou o meu inferno.»
Antes de uma reunião de trabalho, Júlia sai de tarde para correr e,
enquanto sobe o trajeto para a Vista Chinesa, o famoso miradouro no
parque natural da Tijuca, em plena cidade do Rio de Janeiro, desligada
do mundo e de headphones nos ouvidos, um homem de mãos enluvadas
surge repentinamente, encosta uma pistola na cabeça dela e arrasta-a
para o meio da mata. Júlia é violada. Sobrevive. Anos depois, já mãe,
recorda o horror vivido e as sequelas daquela terça-feira de 2014 —
a dor, a raiva, o medo de acusar um inocente e a força redentora da vida
que continua.
Relato de uma história real de violação, Vista Chinesa é um romance
perturbador, corajoso e necessário, que reflete sobre a violência
ancestral contra a mulher e a transforma em grande literatura.
«A partir do momento em que começamos a ler, já não é possível parar (...) Uma poderosa celebração da vida (...) Pode-se pedir mais da literatura?» José Eduardo Agualusa
«Todos os livros de Tatiana Salem Levy são políticos. Uma leitura obrigatória.»
109 pages
First published March 9, 2021
But there is something that goes beyond chance: that man's hatred, that man's violence, the permission he gave himself to violate my body. That wasn't chance. That was my random encounter with evil.
"Eu estava viva, mas ainda não sabia se a vida seria possível."
"Não deve haver aflição pior do que o desconhecimento tangível da dor de um filho."
"Que a cura talvez venha pelos detalhes. São os detalhes que me vão livrar do todo."
"Mas a dor dos outros não diminuía a minha."