Esta edição contém adaptações das seguintes crónicas constantes da edição original de História Trágico-Marítima por Bernardo Gomes de Brito em 1735-1736: - Naufrágio de Sepúlveda (1552) - A catástrofe da nau Santiago (1585) - A tragédia dos baixos de Pêro dos banhos (1555) - O triste sucesso da nau São Paulo (1560) - As terríveis aventuras de Jorge de Albuquerque Coelho (1565)
António Sérgio de Sousa (1883-1969), que sempre assinou os seus escritos como António Sérgio, nasceu na Índia Portuguesa, viveu parte da infância em África,e já em Lisboa, seguindo uma tradição familiar, estudou no Colégio Militar, e depois na Escola Politécnica e na Escola Naval. Cedo sentiu grande interesse pela poesia e pela filosofia, devendo-se o seu precoce pendor racionalista à leitura da Ética de Espinosa e ao estudo da geometria Analítica e ao interesse pela obra de Antero de Quental. Iniciando uma carreira de oficial da Marinha, faz várias viagens que o levam a a Cabo Verde e a Macau; casa com Luísa Epifâneo da Silva (que assinará os seus notáveis escritos pedagógicos Luísa Sérgio) com quem terá uma grande camaradagem intelectual. As suas duas primeiras obras publicadas são um volume de Rimas e uma obra filosófica sobre Antero de Quental onde reage contra o naturalismo positivista. Abandonou a Marinha com a implantação da República em 1910 por ter jurado fidelidade ao Rei deposto. Em 1912 concorreu para assistente para a secção de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, num concurso a que também se apresentou Leonardo Coimbra e Matos Romão, que haveria de ser nomeado. Sérgio, muito influenciado por Antero e portanto pelo socialismo de Proudhon, não considerava a questão república/monarquia importante por julgar a questão social (melhoria das condições de vida das classes trabalhadoras) mais fundamental que a revolução política. A sua acção e pensamento, inicialmente guiados por figuras como Alexandre Herculano, Oliveira Martins e Antero de Quental, foi marcadamente voltada para a reforma das mentalidades, para a compreensão histórico-sociológica de Portugal e para a problemática da Educação; defendeu o modelo da Escola-município, basaeado no ideal de self-government e de educação cívica; a sua interpretação da história de Portugal, que foi amadurecendo entre 1913 e 1924, valorizou os factores socio-económicos (As duas políticas: Transporte e fixação)e de psicologia social (dicotomia ideal-típica entre particularismo e comunarismo, originária da corrente sociológica francesa do grupo de La Science Sociale, onde se destacaram Edmond Desmolins e Léon Poinsard o autor do Le Portugal Inconnu de 1909), e criticou as histórias românticas que enalteciam os feitos guerreiros e a aventura norte-africana de Dom Sebastião, esquecendo a pesada herança do nosso colonialismo.O seu pensamento inscreve-se numa constelação de pensadores voluntaristas seus contemporâneos, defensores da democracia e de ideiais socialistas, entre os quais se contam John Dewey, Guglielmo Ferrero, Ramsay MacDonald, Georg Kerschensteiner. Durante a década de 1910 a sua intervenção foi enquadrada pelo movimento cultural da Renascença Portuguesa (onde pontificavam Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão); Sérgio considerou proritária a constituição de uma opinião pública e de uma elite, recrutada sobre a base social mais ampla, a qual fiscalizaria os representantes eleitos - esta era a sua noção prática de democracia,a qual, na acepção filosófica, equivaleria ao regime em que todo o ser humano estivesse investido da dignidade que resulta de o considerar sempre como fim em si e nunca como meio (Kant); por isso teorizou sobre a noção de elite, para a qual se inspirou de Proudhon, de Gabriel Tarde e de Paul de Rousiers. Após estudos de pós-graduação no Instituto Jean-Jacques Rousseau (1914-16) grande centro mundial do movimento da Escola Nova onde estudou junto com sua esposa, e onde priva com Édouard Claparède e com Adolphe Ferrière, participa no mais consequente projecto de reforma do Ensino Português elaborado durante a Primeira República (Projecto Camoesas); a sua vida aventurosa fê-lo viver em diversos lugares (Lisboa, Rio de Janeiro, Londres, Genebra, Paris, Santiago de Compostela, Madrid) favorecendo o seu assumido Cosmopolitismo. Durante o consulado sidonista (1918-19) lança a Revista Pela Grei, para a qual convoca diversos especialista
Este não é o livro clássico que detalha desventuras navais da era da expansão portuguesa. Adaptação de António Sérgio, selecciona cinco histórias de naufrágios de naus na carreira da Índia. Mais do que histórias de tragédia marítima, salta à vista o lado impiedoso dos homens que se faziam ao mar. Após a tormenta do naufrágio seguiam-se maiores tormentas, onde a acreditar nos relatos coligidos os sobreviventes não hesitavam em abandonar companheiros de infortúnio em alto mar ou em baixios desolados, deixando-os para a morte à força de armas. As desventuras sucedem-se: acidentes, tempestades, navegadores incompetentes, fome, sede, doenças, nativos pouco amigáveis ou piratas em alto mar. Cada uma das histórias contidas neste tomo daria um excelente filme catástrofe, a sublinhar a impiedade humana naqueles piores momentos em que da união tudo depende.
Este livro apresenta ao leitor cinco narrativas de naufrágios que aconteceram ao longo do século XVI. Apesar de o livro não ser grande, o vocabulário técnico pode exigir um pouco mais do leitor do que o previsto antes de iniciar a leitura. De qualquer das formas, uma agradável leitura que nos permite idealizar as terríveis condições que os homens e mulheres tinham de enfrentar àquela altura quando se "lançavam" pelo mar.