Obra de ficção científica, com contos que brincam com as possibilidades futuras da humanidade. Uma mensagem que aparece em mais de um conto é a de que mesmo todo o nosso progresso científico não será suficiente para satisfazer as nossas necessidades e que, em determinado momento, seremos obrigados a nos voltar à arte, à filosofia, à contemplação, às áreas mais "humanas" que o nosso tecnicismo desprezou ao longo dos séculos. É a discussão-chave do conto que dá nome ao livro e aparecente eventualmente em mais alguns outros. Confesso, no entanto, que não apreciei muito os cenários imaginados pelo autor, nada que me causasse o mesmo entusiasmo, por exemplo, que os contos do Kurt Vonnegut. Os contos que mais apreciei foram "O rosto perdido", sobre um bandido que muda literalmente de rosto para escapar da polícia, mas com isso muda também a sua personalidade, situação que acaba se verificando igualmente com o próprio médico, e "O idiota de Xeemunde", sobre um adolescente com necessidades especiais que, apesar disso, mostra-se um gênio da engenharia militar, conduzindo eletronicamente armamentos para destruir a casa de todos aqueles que por algum motivo o desagradaram ao longo do dia. O conto sobre a última viagem do capitão Nemo, que se passa num cenário espacial, eu já havia lido na "Antologia de contos tchecoslovacos", mas novamente não apreciei muito. De todo modo, é um livro raro e o único de ficção científica tcheca publicado no Brasil.