Em seu novo livro, INTIMIDADE, a autora de títulos como Por que homens e mulheres traem? e O Corpo como capital reúne uma série de artigos que ajudam a montar o quebra-cabeça das relações afetivas e sexuais entre brasileiros e brasileiras. Em 20 textos, Mirian conversa intimamente com os leitores sobre questões como intimidade, infidelidade, corpo e envelhecimento, e trata com clareza e sensibilidade do "abismo entre os gêneros quanto ao valor e ao significado da intimidade nos atuais arranjos conjugais".
Com base em sua observação do cotidiano (principalmente do carioca) e em suas pesquisas sobre a construção da vida afetiva contemporânea, Mirian aponta para distinções marcantes entre os universos masculino e feminino. Para ela, homens e mulheres ainda estão muito longe de conquistar uma relação de fato íntima, e identifica as diferentes expectativas e desejos de as mulheres reclamam da falta de intimidade – que, para os homens, se resumiria a uma proximidade física, ao sexo, enquanto para elas envolve uma maneira especial de estar juntos e se comunicar de forma profunda – e os parceiros se sentem incompreendidos, injustamente cobrados e incapazes de satisfazer as excessivas e contraditórias demandas femininas.
Me desculpe a respeitabilidade de uma antropóloga "das mais solicitadas do Brasil", mas no meu entender esse pocket de Mirian Goldenberg não vale o preço pago, nem o tempo gasto. Leiturinha insossa de textos, ou mal selecionados, ou mal escritos mesmo. Ou os dois.
Não conheço os outros títulos da autora, todos bem chamativos. Mas especificamente nesta publicação, me pareceu que a autora carece de leitura suplementar em alguns quesitos, como questão de gênero, avanços no ideário do feminismo, evolução, retrocesso e/ou questionamentos dos papeis sociais e outros assuntos similares.
Ela parece escrever uma repetição chata de senso comum, evoluindo pouco nos relatos das pessoas de quem fala, utilizando um certo teor de pseudo libertação erótica, do tipo "olha gente, eu falo de sexo, tá? hihihi". E dizer que se debruça sobre as "experiências dos leitores" não é desculpa para ser tão rasa. Se não é pra desconstruir e revisar paradigamas, então está a favor da precariedade humana atual.
Ah, e o conto final, para o qual adjetivos pungentes foram usados como 'marketing' pela editora pra fisgar comprador... não é tudo isso.