Entrei numa maratona de livros de Lowell em dezembro, muitos já lidos na época do lançamento, ou bem perto, porque nas décadas de 1980 e 1990 não eram tão acessíveis no Brasil. Claro que tanto tempo decorrido, alguns eu não posso garantir que já tivesse lido. Outros foram inéditos mesmo. Talvez alguns posteriores ao ano de 2000. Alguém escreveu por aqui que tinha uma relação de amor e ódio com a autora. Eu não chego a extremos. O que me emocionava décadas atrás passou a ser apenas uma curiosidade e um entretenimento. Há horas em que eu preciso me desligar das barbaridades cometidas diariamente pelos humanos. E aí tenho de ocupar todos os espaços da mente com ficções bem fantasiosas ou histórias de detetives (minha favorita de todos os tempos é Agatha Christie). Enfim, não deixa de ser interessante fazer essa revisão, que também tem uma nota de nostalgia - acho que muitos humanos quando envelhecem passam por essa fase de lembrança de uma época em que eram jovens e acreditavam em coisas abstratas.
Como eu fiz na última leva, vou fazer um texto só, para não me repetir. Deve ser o fechamento do ano de 2025. Nos últimos dias li praticamente um livro por dia, exceto Death Echo, que é mais para o suspense, e aí tenho de modular a ansiedade do texto com a minha em acabar logo ou passar pelas partes de suspense literal (com a idade perdi a paciência e o gosto para coisas que me causem ansiedade, acho que a realidade já é suficiente). É interessante observar a diferença entre os textos de cada época. A própria autora, em algum lugar que esqueci, fala que seu modo de escrever havia se modificado. Ainda bem. Críticas à parte, admiro muito essas autoras que reinaram nesse gênero romântico escapista, pela capacidade de construir uma trama que tem começo, meio e fim, e não contêm erros gramaticais escandalosos. Às vezes acho que os livros de Lowell terminam um tanto abruptamente, e é óbvio que ela tem fórmulas que se repetem. Mesmo sabendo disso e me irritando, não me abalo. Algumas frases ("World without end, amen" e "Life is a bitch and then you die") são praticamente uma marca registrada de alguma séries. O casal em que o homem é um misógino ofensivo às vezes exagera na misoginia, e chega às raias do abuso - é óbvio que são atitudes indefensáveis, mas eu vejo como o uso da fórmula que fez sucesso (homem coitadinho traumatizado não consegue aceitar que possa se apaixonar por uma mulher que, segundo ele, não presta blablabla, até reconhecer o valor dela; e ela, por sua vez, o ama incondicionalmente, porque blablabla não dá pra entender que goste tanto de sofrer). Os suspenses fogem dessa fórmula, claro que há um casal que se apaixona instantaneamente, mas pelo menos não há o abuso. Pode haver bombas, vilões, pancadarias, mas é outro tipo de roteiro. Há também os casos de superação de traumas, que eu acho bem aceitáveis, porque é muito humano se ter uma fobia ou um trauma causado por um acidente ou uma tragédia qualquer. Nem acho que vale a pena dissecar cada livro, porque ou você quer entrar nesse jogo ou não. Se quiser, basta saber que é um mundo à parte e muito irreal. Supera em muito qualquer vontade de ler as notícias sobre como os homens estão tratando as mulheres na vida real.
Além de Night Diver, eu li os seguintes livros em sequência: A Woman Without Lies; Dangerous Refuge; Sweet Wind, Wild Wind; Forget me Not; Death Echo; e Only His.
Sem dramas românticos aqui, apenas um homem e uma mulher que se interessam um pelo outro, e se envolvem numa trama rocambolesca que envolve mais descrições de barcos do que necessárias.