Partindo da ópera de Mozart Don Giovanni ou O Dissoluto Punido em que Don Giovanni é condenado aos infernos por ter seduzido 2065 mulheres, José Saramago, em Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido reanalisa o será Don Giovanni culpado? E o Comendador, e Dona Ana, e Dona Elvira, e Don Octávio? Serão um modelo de virtudes? Onde está a culpa? Onde está a virtude? Onde está a hipocrisia? Caligrafia da capa por Alexandre Delgado.
José de Sousa Saramago (16 November 1922 – 18 June 2010) was a Portuguese novelist and recipient of the 1998 Nobel Prize in Literature, for his "parables sustained by imagination, compassion and irony [with which he] continually enables us once again to apprehend an elusory reality." His works, some of which have been seen as allegories, commonly present subversive perspectives on historic events, emphasizing the theopoetic. In 2003 Harold Bloom described Saramago as "the most gifted novelist alive in the world today."
José Saramago makes us see the other side of this myth; Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido is a beautiful play, a direct reference, a theme inspired by Mozart's opera, Don Giovanni. It is a point of view that excuses Don Giovanni's seductive attitude and observes that not everything is as it seems. It is essential to see (or re-see) Mozart's beautiful opera, both comical and serious, contrasting with José Saramago's profound irony in this excellent book.
A minha estreia no texto dramático de Saramago, e não podia começar da melhor forma.
Uma excelente leitura onde o autor desconstrói esta figura mítica e com isso trás para a discussão o (eterno) debate entre os opostos, o bem e o mal.
Através do seu já bem conhecido tom irónico, Saramago aproveita (como sempre e bem) para lançar as suas criticas à sociedade, num texto repleto ainda de muitas tiradas bem humoradas.
Uma obra que vale muito a pena, e lê-se de uma assentada!
Uno spassosissimo Don Giovanni per concludere in bellezza la rassegna dei vari rifacimenti che la vicenda del famoso seduttore ha incontrato nel corso dei secoli. Confidando che questo sprint iniziale possa darmi la forza per affrontare il temutissimo file di 50 pagine di Letteratura teatrale - e l'esame.
Primeiro contato com o Saramago dramaturgo. Em Don Giovanni ele trabalha muito bem um dos aspectos mais marcantes dos seus romances: a ironia afiada. Não me sinto capaz de julgar teatro, mas Saramago é sempre Saramago.
Duas mil e sessenta e cinco. Foram duas mil e sessenta e cinco aquelas com que me deitei. Mas duas mil e sessenta e cinco foram aquelas que não desejei. Com uma qualquer me deitei e com uma qualquer me deitaria, Mas contigo despertar tudo isto evitaria.
Saramago escreveu este texto a pedido do compositor Azio Corghi para ser adaptado à ópera. À medida que o autor ia escrevendo a peça teatral o compositor ia construindo o libreto. (O posfácio “Génese de um libreto”, esclarece como o projecto foi sendo construindo: troca de correspondência (email) com as diversas ideias e sugestões dos dois criadores.) Neste texto, Saramago altera o mito de Don Juan (já muito abordado por vários autores), isto é, em vez de o condenar aos infernos por ter seduzido 2065 mulheres, decide absolvê-lo e mostrar que ele é que foi seduzido. Estamos, evidentemente, perante uma paródia, tal como o original espanhol. Ao longo das cinco cenas de um único acto, desfilam as personagens que vão mostrar o propósito do autor. Quem é o Don Giovanni de Saramago, um sedutor, ou um seduzido? Temos, então o próprio dissoluto Don Giovanni e o seu criado Leporello, a estátua do comendador, as mulheres que o tentam seduzir: a nobre Dona Ana, a burguesa Dona Elvira e a camponesa Zerlina e ainda os traídos Don Octávio e Masetto. Em poucas páginas, e à boa maneira saramaguiana, se satirizam os valores e comportamentos de uma sociedade hipócrita.
L’ennesima riscrittura del personaggio Don Giovanni? Forse sì, ma l’inesauribile interesse che può suscitare l’archetipo del “dissoluto” e la maestria e la capacità di sguardo di Saramago rendono questa breve piece teatrale davvero intrigante, ricca di spunti e riflessioni. Uno sguardo fresco e nuovo su uno dei personaggi più discussi di sempre, uno sguardo moderno spogliato della tradizionale morale ipocrita e perbenista, che ci dimostra come solo Don Giovanni la forza di essere onesto e rimanere fedele a se stesso e ai suoi “difetti di uomo”.
In un mondo parallelo, don Giovanni rimane sempre don Giovanni, ma l'universo dei personaggi che lo circonda ritrovano i propri valori letti in un'altra luce, ribaltando tutti gli equilibri del libretto dapontiano.
É uma história engraçadinha e senti que está um nível acima do que meu intelecto pode apreciar. Bacana o posfácio que fala um pouquinho sobre o processo de criação da história. Gostei. Não amei.
Esta obra parte da ópera de Mozart Don Giovanni ou O Dissoluto Punido em que Don Giovanni é condenado aos infernos por ter seduzido 2065 mulheres.
Saramago, nesta peça adaptada reanalisa o mito: será Don Giovanni culpado? E o Comendador, e Dona Ana, e Dona Elvira, e Don Octávio? Serão um modelo de virtudes? Onde está a culpa? Onde está a virtude? Onde está a hipocrisia? Ou seja, invés de condenar o pobre do Giovanni é apresentada toda uma tese de defesa para o absolver!
Uma tremenda alegoria! Dá para rir e pensar! Uma obra espectacular!
Recomendo para quem quer entrar no género literário!!
Curiosidade: Esta peça de teatro foi "encomendada" para ser adaptado a uma ópera do compositor Azio Corghi
"Oxalá o leitor possa escutar, chegando bem o ouvido à página, aquela outra música que as palavras têm e que estas talvez não tenham perdido por completo." José Saramago