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Paperback
First published July 1, 1999
Valéry, célebre simbolista francês, declarava, em 1939:
«É um sinal dos tempos, e não é um bom sinal, que hoje seja necessário - e não somente necessário, mas que seja mesmo urgente - fazer com que os espíritos se interessem pelo destino do Espírito, ou seja, pelo seu próprio destino.»Abrindo assim a conferência, dava conta da urgência que tinha a Literatura em restabelecer-se como lugar seleto.
Num misto de analogias, proporções e equiparações, o conferencista divulga o seu raciocínio-manifesto com simplicidade e sageza. Assim, considerando duas economias: uma «espiritual» e outra «material», pretende, no que lhe diz respeito, cotar as «doutrinas» e «ideias». É com base nestas «mercadorias» que estrutura então o «mercado do espírito», que é dizer, grosso modo, o espírito da época. Ora, mantendo o raciocínio, equiparará artistas e mercadores, defendendo que onde o comércio se viu próspero outrora, também a Arte.
Não obstante, o objetivo da conferência vai além da constatação e da correlação, procurando provar o esquecimento em que cai quem realmente Escreve, enumerando os motivos a isso conducentes. Como tal, questiona em grande medida o conceito de «Liberdade» e pesa o impacto das suas “barreiras” em quem escreve, aliás, pesa o impacto das suas barreiras em quem lê (ou em quem consome livros: «O nosso homem está perdido para o livro…») e as repercussões sentidas naqueles.
A propósito de Liberdade, dizia Valéry:
«Tenho-vos falado de liberdade… Existe a liberdade vulgar e a liberdade do espírito.»
«Uma palavra que ergueu os homens e faz tremer as pedras da calçada. Uma palavra que uniu os que pareciam mais fracos, fazendo-os sentir-se mais fortes, contra os que pareciam mais fortes e que não se sentiam os mais fracos.»
Talvez tenha razão…