= Edição lida: eBook vendido pela Amazon =
Com uma linguagem fria, direta e vulgar, Calibre 22 destaca um lado infame (e de certa forma, realista) da sociedade humana. Em suas 208 páginas, este livro traz 29 contos que, resumindo, giram em torno da violência. Feminicídio, racismo, homofobia e outras faces vis do ser humano dão as caras (há!) de forma recorrente nesses contos.
Este é o livro mais recente do Rubem Fonseca, autor premiado com um Prêmio Camões por suas obras marcadas com sua escrita pesada e cheias de violência e conteúdo sexual. Ao abordar esses temas, Rubem mostra o caráter vulgar do ser humano, seus medos mesquinhos e suas motivações simplórias. Porém a escrita direta do autor não cria uma reflexão sobre esses assuntos, esta tarefa é deixada ao leitor.
O livro acaba sofrendo, devido a seus temas recorrentes, com um pouco de repetição. Ao ler vários dos contos apresentados em seguida, eu fiquei sentindo como se estivesse lendo a mesma coisa escrita de formas diferentes. Felizmente, alguns contos se destacam e quebram essa impressão.
Nas décadas de 70 e 80, R. Fonseca chocou ao apresentar livros que mostravam a misoginia, o preconceito e outros males da sociedade. Nos dias de hoje, entretanto, esses assuntos não são mais tão novidade e algo mais seria necessário para que este livro recebesse uma nota maior que 3/5. O livro não chega a ser ruim, muito pelo contrário. Para os leitores que deseja dar um mergulho no que a sociedade humana pode apresentar de pior numa leitura rápida, Calibre 22 com suas pouco mais de 200 páginas é uma opção.