Em seu segundo romance, Adriana Vieira Lomar compõe a saga de uma família multirracial em meio ao preconceito e de suas reverberações estruturais na sociedade brasileira contemporânea — Livro vencedor da 7ª edição do Prêmio Kindle de Literatura 2022. No fim do século XIX, Ébano, uma mulher negra alforriada, e José, jovem imigrante português, se apaixonam, casam e têm um filho. Mas os dois não podem continuar vivendo esse amor, pois um boicote silencioso, motivado pelo racismo, desestabiliza o pequeno negócio familiar.
Acho que dos vencedores do Prêmio Kindle que eu já li, esse é o melhor. Muitas vezes os jurados escolhem histórias bem escritas, porém maçantes, definitivamente não é o caso. "Ébano sobre os canaviais" é envolvente e prende a atenção do início ao fim. Apenas acho que algumas expressões não seriam usadas no século XIX, mas nada que comprometa a ótima reconstituição de época.
Gostei bastante, de início achei que não ia gostar, e achei a leitura meio confusa, apesar de estar ficando um pouco saturado de livros nessa temática, é inegável o seu apelo quando a história é bem escrita, me senti mais investido na leitura quando começou a história da Maria Antonieta, esse tipo de conflito me chama muito a atenção, mas depois, sem dúvida, quando a Ébano passou a ter mais protagonismo na história, foi quando a história ficou realmente boa, tanto que eu não gostei muito do final, porque a "redenção" da Maria Antonieta não me convenceu, enquanto a história da Ébano me conquistou totalmente, ainda acho o início muito fraco, devido a história do José, bem como a das pessoas que o acolheram bem fracas, mas ainda é um bom livro.
Sobre ancestralidade e as belezas de ser brasileiro.
um livro com uma temática importantíssima. com diversos pontos de vista, retrata o período escravagista do Brasil, as dificuldades e sofrimentos dos negros escrivizados, o processo de abolição, mesmo já livre o povo negro se via preso - perante a sociedade majoritamente racista.
apesar de um tema que me prende muito, sinto que a história, por vezes, foi corrida e não detalhada, frente a tantos personagens relatados. por este motivo, fico devendo uma estrelinha.
"bem disseste: sou preta e ele é branco. impossível viver com ele e ainda criar um filho mulato. sem mim, meu filho será branco."
achei um retrato histórico muito bom dos tempos de senzala e exploração de escravos, obviamente com um viés partindo por vezes ao lado romântico (como muitos romances assim fazem), mas com um lado bem crível. apesar de não entender muito o ponto de vista da Maria Antonieta (no fim tudo fez sentido), eu gostaria que talvez tivéssemos mais páginas com olhares dela, ou até mais pistas sobre a relação entre ela e os demais pontos de vista. de todo modo, ótimo livro.
Um livro bonito, uma história que poderia ser a de muitas famílias no Brasil, uma representação das várias contradições que vivemos nos direitos das pessoas negras, das mulheres e uma pitada de como até hoje essas contradições afetam indivíduos. Existe alguma simplificação das personagens, mas ainda assim uma leitura prazerosa, capaz de deixar a garganta em nó.
Ébano sobre os canaviais - Adriana Vieira Lomar Lido 31/12/2023 📖 Nota: 4.0 ⭐ ⭐⭐⭐⭐⭐ Premissa ou Primeiras Impressões ⭐⭐⭐⭐ Protagonista(s) ⭐⭐⭐⭐ Personagens secundários ⭐⭐⭐⭐ Conexão com a História ⭐⭐⭐⭐⭐ Page-Turner ⭐⭐⭐⭐⭐ Temas importantes ou Representatividade ⭐⭐⭐⭐⭐ Universo ou Ambiente ⭐⭐⭐⭐⭐ Elemento Surpresa ou Plot Twist ou Final ⭐⭐⭐⭐ Escrita ou Narrativa ⭐⭐⭐ Frases ou Citações
Ótimo livro. Leitura fluída, história interessante e boas construções de personagens. Esse livro nos traz algumas visões importantes dos brasis dentro do Brasil e as realidades totalmente distintas entre as pessoas e classes.
Dói sempre que termino um livro. O que vou fazer depois? Como vou saber da outra história. Da história do outro, de outra... esse livro me fez hoje ler andando, andar lendo. Preciso dizer mais ?! Sem spoiler 💜.
📱Ébano sobre os canaviais📱 ✒️ Adriana Vieira Lomar ( @adrianavieiralomar)🇧🇷 📑Literatura Brasileira, Romance Histórico, Ficção 📚 Independente (1ª edição 2022) 📖 190 páginas 🏆47/2024 ⭐️⭐️⭐️⭐️✨️
✏️ Resenha: ✔️"Ébano sobre os Canaviais" é um romance histórico que explora as complexidades das relações interraciais no Brasil no final do século XIX. 👤Adriana Vieira Lomar é pós-graduada em Arte, Pensamento e Literatura Contemporânea e em Roteiro para TV, Cinema e Novas Mídias. A obra dessa resenha foi vencedora do Prêmio Kindle 2022. ✔️O livro nos descortina a história de amor vivida entre Ébano, uma mulher negra, alforriada, e José, um jovem imigrante português, pontuando os desafios impostos por uma sociedade profundamente preconceituosa e racista. ✔️A obra apresenta personagens com uma densa carga psicológica, o que os torna complexos e cativantes. Ébano é uma mulher forte e determinada, que luta incansavelmente por seu espaço em uma sociedade opressora. José é um homem decidido, em busca de prosperidade no Brasil, que enfrenta diversos dilemas morais ao se apaixonar por Ébano. ✔️A relação entre Ébano e José é retratada de maneira sensível, evidenciando os inúmeros desafios enfrentados por casais interraciais na época. ✔️A autora utiliza uma linguagem rica e detalhada, garantindo uma ambientação vívida da época retratada pela obra. É evidente a grande pesquisa histórica realizada, o que confere à trama um realismo elevado, inserindo o leitor nas cenas e locais da história. ✔️A coerência e a coesão da narrativa são marcantes, o que facilita sobremaneira a imersão do leitor. Alguns aspectos de verossimilhança, relacionados principalmente às falas dos escravos, em certos momentos poderiam ser aprimorados. Além disso, alguns fatos históricos poderiam ser aprofundados para oferecer uma melhor contextualização ao leitor. No entanto, essas observações não comprometem a qualidade da obra. 💬"Ébano sobre os Canaviais" entrega importantes lições, como resistência, amor, a importância de reconhecer e valorizar as próprias raízes, o empoderamento feminino e a esperança de um futuro melhor. A importância da ancestralidade e a identidade são os pontos altos da narrativa. ✔️É uma obra envolvente, reflexiva, muito bem escrita e com uma contemporaneidade evidente. Para quem busca compreender mais sobre a História e as relações raciais no Brasil do século XIX, este é um livro sensacional.
Morando fora do país, havia anos que não lia literatura brasileira. Foi uma grata surpresa achar esse livro, no momento que comecei, não conseguia parar. Ótimo livro que ambienta o século 19 do Brasil.
Um livro intrigante e belamente escrito sobre amor, coragem e redenção. A autora soube muito bem dosar a violência do racismo com personagens que vivem essa realidade e aqueles que tentam escapar das garras do preconceito. É fluido, emocionante e muito marcante. Recomendo!
uma obra envolvente, muito fluída e fenomenal, mas ao mesmo tempo uma obra triste e pesada, mesmo sendo ficção, tem muita semelhança com uma realidade não tão distante, abordando questões importantíssimas como o racismo
Ébano, a dimensão racial e um diálogo afrodiaspórico
Ébano sobre os Canaviais de Adriana Vieira Lomar
Ébano é a etimologia para cor mais escura. O romance que ganhou o prêmio Kindle de Literatura 2023 fala de ancestralidade e o corpo peregrino negro marcado pelo racismo estrutural. Autores e Ativistas negros como Sueli Carneiro e Jefferson Tenório estiveram no júri, consagrando a qualidade das nuances, belezas e vida literária do romance de Adriana. Mas o que mudamos do séc 19 para cá quando ainda escutamos xingamentos de macaco a um jogador negro de time de futebol? Parece que só “mudaram a mobiliária e a pintura da casa” e a casa colonial do preconceito do Brasil continua o mesmo.
Com contos desenhados no cenário do séc 19, Adriana dá virtude a sua narrativa, com um texto rico sem economias de diálogos ou linguagem, dá vida à José, a escravidão e aos imigrantes com uma história valiosa para a literatura contemporânea brasileira. Ela usa da oralidade e de recursos de linguagem que soam conversa de cidade pequena como Recife no séc 19. José foge de Portugal e se apaixona por uma alforriada e enfrentando a hegemonia branca aristocrata de uma época de racismo e escravidão.
Uma das realidades mais perversas da história humana foi o milenar estatuto da escravidão, diz Leonardo Boff.
A riqueza da referência à cultura popular com a Santinha de Nossa Senhora, o cenário de um Recife antigo onde Sara e Henrique acolhem o menino José, entre canaviais e cafezais, nos engenhos haviam gente pobre trabalhando. O labor, o arado, o colégio, Marina..um enredo encantador para quem gosta de prosas antigas. Mas Adriana cumpre a função social da literatura anti-racista. O que modela para o leitor moderno o lugar do pensamento decolonial e afrodiaspórico
O enrendo rico de memória e ancestralidade, desnuda a escravidão como a mais potente vergonha do Brasil colonial. O lirismo e virtude linguística de Adriana faz o romance criar pontes para reflexões e intertextualidade entre tempo, racialidade, trabalho e dignidade. Afinal a cor de pele ainda é sofrimento para muita gente: a casa colonial brasileira está cheia de racistas que promovem supremacia branca e tiram a dignidade dos mais vulneráveis.
Ébano é forte, bonito, singelo, verdadeiro. Ébano sobre os Canaviais é a mais bela costura de romance de Adriana sobre o processo escravista no Brasil, é história para a escritora e historiadora Mary Del Priore dizer: esta é uma enorme mensagem de qualidade histórico-literária.
Leitura fluida e poética, toca em assuntos importantes sem maniqueísmos. Considero o livro importante e o recomendaria para ser adotado nas escolas pois retrata o período escravocrata e sugere diversas discussões que poderão gerar o auto conhecimento de um povo que desconhece seu passado.
O começo foi bem difícil, não consegui me apegar a nenhum personagem e a história parecia mais do mesmo, a leitura foi bem arrastada. A partir da metade a história ficou mais animada e, apesar de saber como a vida dos diferentes personagens se conectaria (a própria sinopse já conta isso), eu estava curiosa com o desenrolar da trama. Li bem rapidamente.
Mas o final foi narrado com pressa e senti falta de mais cenas, especialmente mostrando o encerramento do conflito central.
Aliás, o livro todo me parece um grande resumo. Uma pena.