Filhos da Costa do Sol é uma história de amor e morte, passada nos dias agitados da revolução de Abril. Fala-nos da vida despreocupada e doce da Costa do Estoril, mas também da recusa de uma sociedade fechada e dos seus preconceitos. Filhos da Costa do Sol é o retrato impiedoso de uma geração inquieta mas cheia de romantismo e ideais. Será que tudo se perdeu? Filhos da Costa do Sol de Manuel Arouca
Vivi este período e quando li em 1980, na altura da primeira publicação, lembro-me da loucura que foi e a comparação que faziam com o livro "Filhos de Torremolinos" de James A. Michener. Reli agora e acho um livro algo fraco e que me fez perceber porque o autor se dedicou a escrever telenovelas. As referências à juventude que estava a descobrir a liberdade são como umas pinceladas muito superficiais, mas talvez despertem a curiosidade a quem lê para descobrir mais sobre um período que transformou por completo Portugal. As descrições de uma determinada juventude de Cascais, sem falar de todos os outros grupos que existiam à volta da capital Lisboa, faz que este livro seja a descrição de um microcosmos que existiu no final dos anos 70. A ler apenas como curiosidade.
Este livro retrata a vida dos jovens da Linha do Estoril entre os anos 1973 e 1977. Aqueles pertenceram a uma geração que viveu despreocupadamente, apesar da tensão que se vivia no país naqueles anos. Os temas abordados contiunuam a ser tão actuais como hoje: sexo, drogas, partidos de esquerda versus direita, a emancipação da mulher, etc.
"Já viste, Chico, ali a quinhentos metros estão milhares de gajos encafuados, comendo enlatados, esperando a abertura das boîtes para se roçarem... e aqui estamos os dois sozinhos, em fato de banho e tronco nu, curtindo este paraíso... Esta classe média está cheia de merda na cabeça. Se não fosse esta erva, esta droga tão perigosa! Coitados! Se calhar estávamos nós ali enfiados, a pensar que isto era um perda de tempo."
A liberdade para a grande maioria é uma bênção. Os nichos de puder sempre foram e serão ditaduriais. E nichos de privilégios que se perdem numa época de incertezas e personalidades fracas podem contar mais da miséria humana do que aquilo que se supõe. Apesar de muitas críticas serem desfavoráveis, encaro o livro como um alerta, mais atual do que se possa imaginar, transpondo-o para os nichos da vida presente.
O livro tinha uma trama interessante porém confesso que achei a leitura pouca fluída.. A história tinha bastantes pormenores, inseridos com o intuito de caracterizar a sociedade e o tempo histórico em que se encontrava, porém, talvez demasiados para quem quisesse emergir na obra por inteiro. Foi curioso acompanhar um tempo que não o meu, absorver as dificuldades e pensamentos de uma personagem como Chico, influenciado não só pelo contexto familiar como também pelo contexto socioeconómico e histórico do país. Não estava à espera do romance que surgiu no fim, mas foi este que me permitiu ler a trama por inteiro.. Isto conseguiu o objetivo, cativar os leitores porém: ERA ESCUSADO ACABAR ASSIM. No geral, não é o meu tipo de leitura mas não me arrependo de ter pegado no livro.
Nao dou rating pq não terminei, no entanto odiei o livro 🤷♀️ achei o narrador super insuportável e a história sem graça… estava quase a meio do livro e não havia qualquer plot point, desisti só! Quanto ao relato da sociedade e época achei super banal 😴
Primeiro autor português que li desde que comecei a ler com assiduidade. Este primeiro livro dos filhos da Costa do sol é muito interessante, desde o relacionamento das personagens, ao pré e pós 25 de abril a vários níveis.
Que horror não gostei nada. Que mania tem este livro de apresentar a vida de um mimado reaccionário como uma grande aventura espiritual e romântica. Não me parace a mim como um olho autêntico ou um relato interessante sobre o perdido pós 25 de Abril.
Livro incrível, retrata a sociedade pôs 25 de Abril. É um romance que desvenda temas complexos tais como famílias dissolutas, sexo, droga e as grandes mudanças políticas e sociais da época.
Interessante retrato da sociedade portuguesa na transição de regime e no pós 25 de Abril. A demonstração que afinal sempre havia algumas liberdades (pelo menos para alguns) antes do 25. Já se saia à noite, se fumava, bebia, drogava. Pelo menos no mundo encantado do Estoril e dos privilegiados que por lá viviam. Em seguida, a análise social do impacto real não tão positivo como achariamos inicialmente que teve na vida das pessoas. A liberdade transformou se mais tarde na descoberta desenfreada das drogas e da obescinidade. Famílias desfeitas que antes ficam apenas das aparências do bem que agora pouco se importa. O impacto económico, desemprego, necessidade de emigrar. A liberdade política e a inutilidade do comunismo. Numa parte mais avançada do livro reencontramos Marta que faz par romântico com o protagonista, uma história de amor e de fragilidade que quando termina nos parte o coração. Um livro que deveria ser recomendado aos jovens para que haja mais conhecimento do que realmente era Portugal na década de 70.
This entire review has been hidden because of spoilers.