Em 'Se eu pudesse viver minha vida novamente...', Rubem Alves viaja no tempo e no espaço e lança o olhar sobre os sonhos, sobre as perdas e ganhos, detendo-se nos pequenos detalhes que fazem toda a diferença, recorrendo a memórias ora felizes ora dolorosas, quase sempre com um toque de nostalgia que não é arrependimento, mas sim uma saudade gostosa de algo vivido em plenitude. É assim, com extrema delicadeza, que o autor chega ao coração e à mente do leitor, despertando-o para o agora, acordando um desejo de viver de forma diferente, de aproveitar cada instante, de valorizar cada minuto.
Rubem Alves é um psicanalista, educador, teólogo e escritor brasileiro, é autor de livros e artigos abordando temas religiosos, educacionais e existenciais, além de uma série de livros infantis. Durante sua infância, enfrentou os problemas comuns ocasionados pelas freqüentes mudanças de estados e de escolas. Tais mudanças influenciaram sua atitude de introspecção que o levou à companhia dos livros e ao apoio da religião, base de sua educação. Presbiteriano, tornou-se pastor. Teve três filhos, e entrou numa crise de fé decorrente de um problema de saúde na família, tendo assim de abandonar o pastorado. Apóstata do cristianismo, tornou-se crítico da religião organizada. É considerado persona non grata na Igreja Presbiteriana, pelas suas posições liberais e anticlericais. De volta ao mundo secular, tornou-se escritor e acadêmico.
Este pequeno livro pode ser lido em qualquer idade, mas só vai mesmo fazer sentido se você já passou dos 40 e seus filhos já não são mais criancinhas. O autor é muito honesto, usa palavras ricas, breves, leves, muitas vezes poéticas. Não lhe deixarão triste nem tampouco "para cima", mas sim meio que nostálgico, e creio que se você estiver deprimido poderá piorar a condição. É bem pessoal, mas ao mesmo tempo, universal nos sentimentos que todos temos após certa idade.
Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, teria relaxado mais. Seria mais tolo ainda do que tenho sido; na verdade, bem poucas coisas levaria a sério. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas , nadaria mais rios. Iria a mais lugares que nunca fui, tomaria mais sorvetes e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos imaginários. Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida. Claro que tive momentos de alegria. Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos; não percam o agora.
Terceira vez que leio esse livro e de novo me emocionei. Cada vez de um jeito diferente.
"A vida é assim. Mas, se é manhã brilhante o tempo todo, alguma coisa está errada. Tristeza é preciso. A tristeza torna as pessoas mais ternas. Se é crepúsculo o tempo todo, alguma coisa não está bem. Alegria é preciso. Alegria é chama que dá vontade de viver."
“Viver é estar jogando roleta, sem fim. É sempre possível que algo terrível aconteça. Se acontecer, eu sofrerei. Mas não culparei ninguém.”
"Só nos resta olhar e esperar. E a alma se encheu de uma imensa tristeza ante a possibilidade de um adeus. Mas eu não quero lhe dizer adeus, pois a sua presença faz parte da nossa alegria. E, no entanto, é isso que nós somos, sem que tenhamos coragem para dizê-lo: um adeus (...) Desta distância onde estou quero lhe dizer isso: você faz parte da maravilha do mundo. É preciso que você fique, para que a saudade seja, pelo menos, adiada. Pois isso é o máximo que podemos fazer: adiar a saudade."
Eu não acho que existe uma palavra sequer que possa ser dita após a leitura desse livro, e o fato de eu não saber qual trecho escolher para guardar por aqui já diz muito sobre não ser possível se apegar a somente uma ideia que é dita, que conversa muito com um capítulo específico do autor sobre um baú de memórias, o que acreditamos que queremos manter, e a saudade que fica.
Rubem Alves é um autor cujas obras eu apenas estou me aventurando este ano, e, por mais que tenha aproveitado mais do que esperava minha leitura anterior, esta aqui é emocionante e sincera em tantos níveis que nem mesmo consigo formular uma frase sequer que preste sobre ela. Como eu poderia, se uma de suas passagens é exatamente essa: "Viver é jogar essa roleta, sem fim. É sempre possível que algo terrível me aconteça. Se acontecer, eu sofrerei. Mas não culparei ninguém. Sofrerei sem revolta, sabendo que Deus é inocente." Eu me pergunto de onde vem toda essa clareza, toda essa... existe alguma palavra para isso? Eu vislumbro um lampejo do que seria e, mesmo assim, não alcanço. Também, como poderia? Por muitas vezes, já vi algumas pessoas dizerem que outras, através de suas obras, parecem ter entendido tudo. Acredito que Rubem Alves só pode ter sido uma delas. Não existe como fazer uma afirmação dessa sem ter entendido, ainda que inconscientemente, o núcleo das coisas.
Passeando por autores que gosto muito para compor sua própria história, como Fernando Pessoa e seus heterónimos, Cecília Meireles, a incrível Adélia Prado, Drummond, Vinicius de Moraes, Sophia de Mello Breyner Andresen e tantos outros, é impossível não sentir um conforto enorme ao longo da jornada, como se cada uma dessas pessoas estivesse pegando sua mão a cada nova citação e dizendo exatamente aquilo que o coração já sabe, mas que às vezes ainda tem muito, muito medo de externar. No fim, as coisas não se tornam mais fáceis ao fim da leitura, mas talvez um pouco mais lúcidas. A névoa se dissipa um pouco do horizonte, a paisagem se mostra com mais clareza, e o desconhecido da sua geografia é o único destino para onde iremos. Agora, talvez, com um pouco menos de medo.
Leitura leve e prazerosa, que te move pelas lembranças de outras pessoas e, é claro, de suas próprias memórias. Abriu novas perspectivas, e noções sobre quais são as coisas importantes, o que é que fica quando a maior parte do tudo se vai. Gosto de pensar que vivo a vida de forma sábia, errando onde se deve, acertando como se pode, rindo sempre que possível, chorando sempre que necessário. Quero ter o prazer de ler essa obra novamente daqui a alguns anos, quando os calos da vida estiverem mais grossos, quando a visão estiver mais turva e a pele mais enrugada, quando estiver mais próxima de ser criança novamente. Talvez até lá eu saiba mais, e entenda mais.
Livro maravilhoso, encantador. Toca na nostalgia, saudade, ser criança e envelhecer. As dores que tenho hoje e as que terei. Fala sobre a morte e como ela deve ser falada. E liga tudo isso a literatura.
É um bom livro, todavia, conhecendo outros livros do autor, não gostei tanto deste (talvez estivesse com expectativa muito alta devido aos outros livros).
A alegria de ler Rubem Alves é de sentir como quem está sentado embaixo de uma árvore no meio da roça ao lado dele, ouvindo suas histórias e comendo manga. Pelo lado simples das coisas.
Gostoso de ler, traz aquela sensação de nostalgia boa, de paz, de acalanto em meio ao caos natural do cotidiano. Ainda trata da experiência literária como transformadora da vida, tema que me encanta.
"E é isso que desejo deixar aos meus filhos como herança: a imagem da vela que queima na solidão silenciosa, sem se deixar perturbar pela loucura barulhenta e apressada dos homens de ação e sucesso; sob a luz da vela, no gozo da tranquilidade solitária, acordar o poeta que dorme em nós. O que não é garantia de felicidade. Mas é garantia de beleza e de serenidade. E que coisa mais pode alguém desejar receber como herança?"
este é um livro de bolso, com textos selecionados de um livro maior e mais completo: é uma gracinha, e tem frases ótimas, como aquelas que só o rubem sabe escrever! adoro os textos do rubem alves, e acho que este é meu livro favorito dele, dentre todos os que li. de uma delicadeza e sensibilidade ímpar, o rubem consegue chegar ao coração da gente de forma fácil e bela, com amor. (dá contade de presentear todas as pessoas queridas com este livrinho!)
adoro os textos do rubem alves! este é um livro cheio de textos delicados, bonitos, e maravilhosos! ler o rubem é como estar de frente pro mar: acalma, acolhe, traz reflexão e paz. adoro muito e recomendo! já passei pra minha lista de livros de 'ler sempre', porque vale a pena!
Gosto muito da escrita do Rubem Alves e me identifico com as ideias dele. Assim não tem erro, todo livro que leio dele sempre me faz pensar várias coisas e me dá uma amável ternura. Este não foi diferente.