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Contos Policiais #3

Il mistero della strada di Sintra

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La memoria #194

Nel 1884, a quindici anni dalla prima comparsa del Mistero della strada di Sintra, Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão congedavano l'ennesima delle molte edizioni di questo loro romanzo giallo con parole che solo scrittori innamoratissimi della propria opera avrebbero avuto: «è abominevole, vi è tutto quello che un romanziere non dovrebbe mettervi e che un critico dovrebbe togliere». Sicuramente l'abominio era nel fatto che i due padri del realismo e del positivismo letterario portoghese s'erano fatti tentare dal mistero e dal sogno, in un genere, il poliziesco, appena nato: e per di più complicandolo immaginificamente con la messa in opera di una riuscita mistificazione. Il mistero della strada di Sintra, infatti, uscì a puntate sul quotidiano «Diário de Notícias» dal 23 luglio 1870, come servizio di cronaca nera su di un omicidio e sull'inchiesta di polizia, svelando ai lettori solo con l'ultimo articolo e con la soluzione del delitto che di finzione letteraria s'era trattato.

292 pages, Paperback

First published January 1, 1870

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1651 people want to read

About the author

Eça de Queirós

361 books1,184 followers
José Maria Eça de Queirós was a novelist committed to social reform who introduced naturalism and realism to Portugal. He is often considered to be the greatest Portuguese novelist, certainly the leading 19th-century Portuguese novelist whose fame was international. The son of a prominent magistrate, Eça de Queiroz spent his early years with relatives and was sent to boarding school at the age of five. After receiving his degree in law in 1866 from the University of Coimbra, where he read widely French, he settled in Lisbon. There his father, who had since married Eça de Queiroz' mother, made up for past neglect by helping the young man make a start in the legal profession. Eça de Queiroz' real interest lay in literature, however, and soon his short stories - ironic, fantastic, macabre, and often gratuitously shocking - and essays on a wide variety of subjects began to appear in the "Gazeta de Portugal". By 1871 he had become closely associated with a group of rebellious Portuguese intellectuals committed to social and artistic reform and known as the Generation of '70. Eça de Queiroz gave one of a series of lectures sponsored by the group in which he denounced contemporary Portuguese literature as unoriginal and hypocritical. He served as consul, first in Havana (1872-74), then in England, UK - in Newcastle upon Tyne (1874-79) and in Bristol (1879-88). During this time he wrote the novels for which he is best remembered, attempting to bring about social reform in Portugal through literature by exposing what he held to be the evils and the absurdities of the traditional order. His first novel, "O crime do Padre Amaro" (1875; "The Sin of Father Amaro", 1962), describes the destructive effects of celibacy on a priest of weak character and the dangers of fanaticism in a provincial Portuguese town. A biting satire on the romantic ideal of passion and its tragic consequences appears in his next novel, "O Primo Basílio" (1878; "Cousin Bazilio", 1953). Caustic satire characterizes the novel that is generally considered Eça de Queiroz' masterpiece, "Os Maias (1888; "The Maias", 1965), a detailed depiction of upper middle-class and aristocratic Portuguese society. His last novels are sentimental, unlike his earlier work. "A Cidade e as Serras" (1901; "The City and the Mountains", 1955) extols the beauty of the Portuguese countryside and the joys of rural life. Eça de Queiroz was appointed consul in Paris in 1888, where he served until his death. Of his posthumously published works, "Contos" (1902) is a collection of short stories, and "Últimas Páginas" (1912) includes saints' legends. Translations of his works persisted into the second half of the 20th century.

Source: http://www.imdb.com/name/nm0211055/bio

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Community Reviews

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Displaying 1 - 30 of 171 reviews
Profile Image for Luís.
2,387 reviews1,381 followers
October 13, 2024
O Mistério da Estrada de Sintra challenges all conventions in a sharp criticism of customs to the romantic Portuguese society of the 19th century. In the summer of 1870, two writers, Eça and Ramalho, were involved in a dramatic incident. Ramalho was kidnapped, and the two writers engaged in a challenge to write a collaborative detective story for the Portuguese newspaper Diário de Notícias. The central question at the heart of their conflict was whether the story they created as fiction was based on a real case. This conflict led to a dangerous duel between the two writers, spanning from Sintra to Malta. The resulting booklet was filled with threats, duels, sex, and intrigue, causing an uproar in Lisbon. The story featured betrayal, crimes, and a portrayal of love triumphing over tradition, with intrigue defying evidence. "O Mistério da Estrada de Sintra" challenged societal conventions and offered a sharp criticism of the romantic Portuguese society of the 19th century.
Profile Image for César Lasso.
355 reviews113 followers
May 3, 2016
Romance de juventude de Eça de Queirós, escrito em colaboração com Ramalho Ortigão (cheira-me que posteriormente ambos autores discutiram e deixaram de colaborar, além do facto de que Eça viveu posteriormente no estrangeiro até ao fim dos seus dias).

Trata-se de uma leitura bem entretida, nem que não chegue às alturas literárias que Eça atingiu posteriormente. O autor, que já tinha trabalhado como jornalista e publicado assim algumas crónicas e relatos breves, mostra-se-nos no seu primeiro romance. Esse tem ainda algum toque de romantismo, mas também contém pautas que desenvolverá posteriormente nas seguintes obras. O adultério, tema tão querido da literatura realista-naturalista, é um assunto central na estória.

Resulta engraçado ver como Eça, até então um obscuro jornalista de províncias, começa a dar os seus primeiros passos como homem de mundo. Poucos meses antes de escrever este romance, visitara o Egipto por ocasião da inauguração do canal de Suez. Deve ter sido a sua primeira estadia no estrangeiro. Ora bem, O Mistério da Estrada de Sintra decorre entre Lisboa, Sintra e Malta. Malta, com efeito, foi uma escala importante na viagem do Eça ao Oriente. Lá passou um par de dias. E consigo imaginar como fantasiava o jovem escritor durante aquela escala…
Profile Image for Rita.
911 reviews189 followers
May 21, 2024
O verão estava quente em 1870; o marasmo e a modorra tomavam conta da cidade de Lisboa, e Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, ambos ainda jovens, decidiram brincar com os lisboetas. Conseguiram-no ao usar uma técnica inovadora de publicar a história em capítulos, criando a impressão de que se tratava de uma série de eventos reais narrados em tempo real. Os leitores, ávidos por novidades e entretenimento, seguiam a história com grande interesse, e muitos acreditaram que os eventos descritos eram verdadeiros, uma vez que a forma de publicação dava essa ilusão de autenticidade. Foram dois meses a gozar com a malta!!

A história começa quando um médico e um amigo seu, ambos a cavalo, são raptados por um grupo de quatro homens mascarados na estrada de Sintra, entre São Pedro e o Cacém. São levados para uma casa isolada onde encontram um cadáver e são envolvidos numa série de eventos misteriosos. Os dois amigos, uma vez libertados, tentam desvendar o enigma por conta própria, encontrando um emaranhado de intrigas e amores ilícitos.

O Mistério da Estrada de Sintra é um exemplo muito interessante de como a ficção pode infiltrar-se na realidade através dos meios de comunicação. A sua publicação como folhetim mostra a habilidade dos autores em explorar os limites entre verdade e mentira, um fenómeno que vemos replicado de maneira amplificada no mundo actual das fake news. A história serve como um lembrete da importância de questionar e verificar as informações que recebemos, seja nos jornais do século XIX ou nas plataformas digitais do século XXI.

Alguns anos mais tarde, os autores diriam:
O que pensamos hoje do romance que escrevemos há catorze anos?... Pensamos simplesmente — louvores a Deus! — que ele é execrável; e nenhum de nós, quer como romancista, quer como crítico, deseja, nem ao seu pior inimigo, um livro igual. Porque nele há um pouco de tudo quanto um romancista lhe não deveria pôr e quase tudo quanto um crítico lhe deveria tirar.

Embora Eça de Queirós e Ramalho Ortigão tenham expressado um desdém pelo romance O Mistério da Estrada de Sintra anos depois de o terem escrito, considero esta avaliação demasiado severa e injusta. Sendo a primeira obra não corresponde à sofisticação e maturidade das suas obras posteriores, mas possui qualidades que não podem ser ignoradas e que merecem reconhecimento.



A imagem é da 1ª publicação no D.N. em 1870.
Mistério com Y e Sintra com C 💎



#incunábulos @mastodon
Profile Image for Álvaro Curia.
Author 2 books544 followers
December 21, 2023
Curioso como há mesmo alturas na vida para se ler certos livros. Se tivesse lido este aos 17, 18 anos, como fiz com tantos outros clássicos portugueses do século XIX, de certeza teria gostado muito.

Hoje, nem por isso. A eterna história da mulher adúltera, tontinha e inconsequente.

As três estrelas vão todas para a personagem Carmen.
Profile Image for David.
1,690 reviews
January 21, 2023
“Religion is the opium of the masses,” said Karl Marx.

How about opium is the drug of love? Well at least when love goes bad, take opium. Hmm, perhaps don’t take my advice (trust me I am no expert on this matter) but it sure can work in the first novel of Eça de Queirós, co-written with friend Ramalho Ortigão.

This was known as the first Portuguese detective story. Published as a series in a newspaper in 1870 it featured a unique method - the story is told in a series of letters from various characters, filling us in on their own point of views.

We begin with opium. You see, Doctor *** and F… are forced off their carriage and taken to a dark house on the road to Sintra by masked men. There is a dead man there. He appears to have been robbed and he died of an opium overdose. And he is English.

And so the story unwinds. In these various letters we have a variety of tales: the detective story, stories of passion, tales of travelling to Malta, Paris and Lisboa. And that is the charm of this tale, there is something unique in every mini tale.

Of course the most interesting part is a meeting with a man called Carlos Fradique Mendes. As the authors note, he is a kind of “Dies Irae” of dandyism. Creepy! But if you are a fan of Eça de Queirós, you will know he wrote a short novel 30 years later called “Correspondence of Fradique Mendes. Good to recycle an interesting character, which also uses a series of letters to tell the tale. Reuse reuse reuse.

The authors also drop a lot of hints along the way, opera references. Traviata, Lúcia, Elvira, Amélia, Margarida, Julieta, Desdémona, just to name a few. Not to forget, Lady Macbeth and Clytemnestra. Ouch. It wouldn’t be a dark novel without references to the moon, dark characters and of course, lots of jaded lovers. And almost everyone is known by a letter or some cryptic name.

It was a real page turner and I won’t give much away other than it’s worth the read. Senhor Eça de Queirós was off to a great start in his literary career.
Profile Image for Jesse.
512 reviews644 followers
November 14, 2016
Portugal’s first detective novel and my first foray into Portuguese popular literature. The story itself falls more along the lines of nineteenth century melodrama, adventure, and romance genre conventions rather than what we today would consider the hallmarks of mystery and detective fiction; the narrative is a hodgepodge of plot points strung together in a marginally coherent way, but it’s rather fun in its florid emotional sweep and maintains a jaunty pace throughout. Rather than the story itself, however, what is most interesting is the form and the circumstances of its initial publication: composed as a series of letters, it was published in daily installments in the still-operating Diário de Notícias, a major Lisbon-based newspaper. It was initially believed to constitute actual events rather than a work of fiction, with the first chapters taking the form of letters to the editor detailing a “personal account of an extraordinary affair” as an esteemed local physician voices concern over a kidnapping and hostage situation he had become implicated in. Subsequent chapters are composed of response letters and testimonies as additional characters chime in with their own perspectives, clarifying, rebutting, and submitting additional information. In this sense the detective of The Mystery of the Sintra Road is not a single individual but rather the spirit of a larger community effort as multiple individuals try to piece together and “solve” the mysterious situation.

Reportedly Eça de Queirós and Ramalho Ortigão only had a vague idea of where the plot was heading as they composed each day’s installment—but they had very specific intentions behind it, young men (24 and 33 respectively) who were actively involved in Portuguese artistic circles, designing a subtle social critique as the rollicking mystery yarn exposes social attitudes and stances both through the text itself as well as in the way in which it elicits public response. It was also meant as a kind of generational statement, a call-to-arms for young Portuguese artists to buck the past and attempt new projects and aesthetic directions. Queirós would go on to become a major author, generally regarded as Portugal’s greatest writer of literary realism—apparently Zola considered his to be greater than even Flaubert—and often ranked alongside Dickens, Balzac, and other major nineteenth century novelists. In his forward to the 1884 third edition of the novel, he characterizes his and Ortigão’s effort as “quite atrocious,” but obviously retains a lot of affection for the “book of [their] youth.” The novel was only recently translated into English for the first time—a very welcome development.
Profile Image for Nancy Oakes.
2,021 reviews925 followers
December 5, 2017
I had so much fun with this book and I didn't want it to end. It is likely the first ever Portuguese crime novel, appearing first, like so many novels of the time, in installments in a Lisbon newspaper. However, unlike so many feuilleton-style serializations, it appeared daily, and to make it more appealing, the authors had made a deal with the paper's editor/founder to make it appear as though it might be a real, ongoing story. Evidently, people believed it, and the joke was on the readers. It was designed to be hoax, a spoof, whatever you want to call it from the very beginning.

Looking back on their work in 1884, Eça de Queiróz notes that "today" he and his co-author Ramalho Ortigão find their tale "quite atrocious," and I have to say that from a modern standpoint they were absolutely correct. On the other hand, though, I was so caught up in the story that I didn't care -- this book made for what I like to call a rollicking good yarn, so good, in fact, that after turning the last page, I actually put the novel down and applauded. Serious crime readers wanting just the crime facts etc., may not find it to their liking, but I'm in for its place in the history of crime -- the first Portuguese crime novel -- and I wouldn't have missed it for the world. It may not be the most intellectually-stimulating book in my reading history, but I loved it. Sometimes you just gotta let go and have fun. I'm still sitting here with huge grin on my face because of the pleasure it gave me... and sometimes, that's what really matters.

http://www.crimesegments.com/2017/12/...
Profile Image for Nights *Words à la Carte*.
71 reviews34 followers
August 15, 2012
Este é considerado o primeiro policial português, idealizado pelas mentes excêntricas de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão. Foi primariamente publicado nos folhetins do Diário de Notícias em 1870, escrito em forma de cartas anónimas “pela mão” de vários intervenientes da narrativa, e que em muito agitou a sociedade lisboeta que acreditou na veracidade dos relatos aí divulgados.

Assassínio, rapto, mentira e sentimentos tão humanos como o amor, a ciúme e o arrependimento, encontram-se para revelar uma narrativa quase real, sem nunca descurar a crítica pela qual ambos os autores são bem conhecidos.

Ao início, a narrativa apresenta-se mais dinâmica e centrada quase exclusivamente no crime que a originou, abrandando depois num relato romancesco imersa em demasiados pormenores, terminando de uma forma pouco esperada e um tanto ou quando irónica.

Em poucas palavras: gostei bastante. O final da narrativa não foi, de todo, aquilo que esperava, talvez porque vi o filme antes de ler o livro (apesar das histórias de um e outro serem bem diferentes), facto do qual sempre me tentei abstrair. A escrita foi soberba, muito bem pensada e delineada, e num português que já não é “o nosso”.
Profile Image for BabsBotemo.
16 reviews3 followers
April 2, 2022
O frio na barriga acompanhou toda a narração, que obra incrível.. lamento realmente a quem não o consiga compreender.. Eça e Ramalho eram homens extremamente avançados para a época..
Profile Image for Carla.
184 reviews25 followers
April 28, 2015
A estrutura deste livro escrito por Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, considerado o primeiro romance policial português, está muito bem concebida, pois parte de um crime já consumado e, a partir daí, é que a história vai sendo narrada por personagens com distintos papéis na "trama", o que causa curiosidade ao leitor, dado que os factos vão sendo descritos do fim para o início do enredo em termos cronológicos.

Outra característica inovadora da obra, trata-se de a mesma ter sido escrita e publicada originariamente em folhetim no Diário de Notícias, entre Julho e Setembro de 1870, o que levou a que muitos leitores da altura julgassem que se tratavam de acontecimentos verídicos. Aliás, essa estrutura manteve-se nesta edição, em que ao relato de cada personagem sobre a história segue-se a narração por parte de outra e, assim, sucessivamente, acabando por ser revelado ao leitor, já perto do final, o autor e o móbil do crime.

No entanto, a história em si é decepcionante e foi-me difícil ler o livro até ao final, nada tendo que ver, quanto a mim, com o estilo literário de Eça de Queirós, o "Realismo", onde a crítica social está sempre subjacente.

Não obstante o livro ter sido escrito em 1870, e por isso mesmo, o contexto social ser o da época, as personagens e a relação entre as mesmas está imbuída de um romantismo exacerbado, trágico, em que as mulheres são retratadas como seres pouco ou quase nada racionais, dadas a emoções excessivas, a amores trágicos que as conduzem a morrer, a matar ou à sua reclusão, e em que os homens, seres racionais, têm a missão de protegê-las.

Posso estar a ser excessivamente crítica, mas custa-me ver as mulheres assim retratadas, seja actualmente, seja no passado.

Profile Image for Diogo Vaz.
42 reviews21 followers
August 19, 2019
14 anos passados da estreia desta obra foi assim que Eça e Ortigão se referiram ao seu feito "O que pensamos hoje do romance que escrevemos à catorze anos?... Pensamos simplesmente louvores a Deus! que ele é execrável; E nenhum de nós, quer como romancista, quer como crítico, deseja, nem ao seu pior inimigo, um livro igual"

Este livro representa a minha estreia nos policiais, e pensei que nada melhor para começar do que com o primeiro policial de Eça e Ortigão (há quem diga que também o primeiro português). Bem apesar de não ter ficado rendido ao livro, sobretudo devido à parte final, que me pareceu um pouco apressada, não posso estar de acordo com as palavras dos autores. Apesar de tudo é um trama engraçado, que nos leva a viajar mentalmente para outras paragens. Para todos os admiradores de Eça de Queiroz, penso que não ficarão desapontados.
Profile Image for Queirosiana.
75 reviews18 followers
August 29, 2013
O primeiro livro deste género em Portugal - mistério e suspense, data de 1871. Surge da ideia de Eça e Ramalho de "abanarem" a cidade de Lisboa com um dos Mistérios mais incríveis de sempre. A população acreditou quando leu a primeira carta do Doutor*** no Diário de Notícias, muitos ficaram receosos de andar pelas estradas de Sintra... durante dois meses Lisboa viveu na ânsia de saber mais sobre este mistério que se inicia com um morto deitado num sofá de uma casa desconhecida.

A história cativa-nos como cativou os leitores há dois séculos atrás, se bem que nós partimos da desvantagem de saber que é um romance e não uma situação verídica, a adrenalina seria muito maior se, como outros, acreditássemos na veracidade daquelas palavras. Ainda assim, deliciamo-nos com a história de amor entre Rytmel e a Condessa W. - em certos aspectos lembrei-me várias vezes de Anna Karenina e Vronsky (embora este só tenha sido publicado em 1873, portanto, nada de confusões plagiadas!). Carmén Puebla, também ela fortemente apaixonada por Rytmel, capitão inglês que parece quebrar os corações de todas as mulheres, surge como a personagem ciumenta e é um pouco a antecipação daquilo em que a Condessa W. se virá a transformar, também ela delicerada pelos ciúmes. Uma mulher despeitada é sempre um perigo.

Mas como disse, tudo começa com um morto - razão pela qual o doutor*** e F. são raptados por um grupo de mascarados enquanto passeiam na estrada de Sintra, pois pretendem que o doutor*** confirme a morte e as suas causas. Chegados à casa misteriosa, pois é de localização desconhecida, é-nos apresentada outra personagem que primeiro se declara o assassino e que depois nega - falamos de A.M.C. um jovem médico de Viseu que entra neste enredo de forma suspeita mas com boas intenções. É pelo Mascarado Alto que conhecemos a história entre Rytmel e a Condessa. O culpado será julgado no fim, por este grupo de homens que, afinal de contas, circulam todos no mesmo meio.
Profile Image for João Cardoso.
17 reviews1 follower
January 16, 2023
Nunca mais vou ler um livro deste gajo. Se não fosse pelas páginas perdidas que ele perdeu a descrever as coisas, este livro seria muito mais curto e muito melhor. Sendo sincero, só lhe dou 2 estrelas porque gostei do plot twist que houve, porque nem o final foi uma coisa decente. Destaco a carta do Mascarado Alto, que foi a única parte do livro que li com vontade e gosto. Não recomendo, só se fores apanhado da cabeça é que vais gostar deste livro.
Profile Image for Mariana Leal.
218 reviews
December 6, 2022
Começou bem, pelo meio arrastou-se bastante e lá para o final voltou a encalhar a acção e o mistério. Longe de ser perfeito é, ainda assim, um livro de que não se pode falar propriamente mal. Para o suposto primeiro policial português, não tem nada de que se envergonhar, é divertido, criativo e inovador. Recomendo a quem já tenha alguma curiosidade pela obra e/ou esteja familiarizado com autores portugueses mais clássicos.
Profile Image for bom.dia.
389 reviews
December 27, 2021
Primeiramente publicado no Diário de Notícias sob a forma de cartas anónimas, de certeza que este romance deixou todos os leitores ansiosos pelo seu desfecho, pensando que se tratava de um caso verídico. Entramos num mistério entre Sintra, Lisboa e Malta, com direito a capitães ingleses, condessas e mascarados.
Profile Image for LaCitty.
1,048 reviews186 followers
July 26, 2019
Romanzo a tratti un po' dispersivo e prolisso, complessivamente non mi è dispiaciuto.
Certo, c'è un punto in cui ci si chiede (a lungo per la verità) dove gli autori vogliano andare a parare, ma poi i vari pezzi del puzzle trovano il loro posto e la soluzione del giallo è tanto sensata quanto permeata da un senso morale che prescinde il concetto di giustizia comunemente inteso. Non male
Profile Image for Rui.
153 reviews
October 31, 2022
Muito fraquinho. O início prometeu, mas o enredo tornou-se muito desinteressante.
Profile Image for Sara Jesus.
1,686 reviews123 followers
July 10, 2025
É bastante curiosa a história de criação desta obra. Os jovens Eça e Ramalho decidem mandar cartas anónimas para o Diário de Notícias denunciando um crime fictício (mas as pessoas acreditavam ser verdadeiro, por isso alarmou o povo durante algum tempo).
Esta narrativa é considerada o primeiro policial da literatura portuguesa. Encontramos uma série de infortúnios românticos próprios dos livros de Eça, assim como algumas descrições detalhadas. Não nos surpreende o desvendar do crime. Contudo é sempre um prazer ler Eça, e acho bastante interessante o facto de os vários narradores permanecerem sempre anónimos.
Profile Image for Elizabeth (Alaska).
1,577 reviews555 followers
April 28, 2022
On Sunday 24 July, 1870, a lengthy letter to the editor appeared in the Diário de Notícias. It was apparently from a doctor who had been kidnapped at pistol-point, blindfolded, bundled into a coach and taken to the site of what looked to be a serious crime.
This is from the Afterword which continues that the letters appeared daily for a couple of months. It was common at that time for novels to be published serially and the reader of today knows this is a novel. The 1870 readers of the newspaper did not. They were reading about a crime that had taken place in their midst. I can only imagine how the residents of Lisbon were taking it all in.

The novel is often sensationalized and melodramatic. One of the letter writers provides a lot of backstory. I was able to rightly guess who was the victim (few names are given anywhere) and also who perpetrated the crime. It was great fun nonetheless.

The translation is wonderful. It happens to be a collaboration, but when I'm ready to read other Portuguese literature, I will look for that translated by Margaret Jull Costa. I believe she has translated the other works by Eça de Queirós, and I'm glad of it. While I enjoyed this, I'm hoping it isn't his best work.
Profile Image for tiago..
467 reviews133 followers
January 1, 2023
Fãs inveterados de Eça de Queirós, como eu, não poderão por isso deixar de admitir que o que ele aqui escreveu com Ramalho Ortigão é um grandessíssímo pastelão, de admiráveis niveis de lamechice. Não obstante, não chegaria a chamar-lhe, como fizeram os autores no prefácio da segunda edição da obra, 'execrável'. Defeitos terá, dos quais o primeiro e principal é este enredo telenovelesco, mas ainda assim tem os seus momentos de inspiração, que fazem entrever o que mais tarde viria.
Eu não creio nem também descreio de coisa alguma que ouço - responde-me ele. - É meu sistema admitir tudo quanto esteja para se provar e duvidar de tudo aquilo que se me apresente como coisa positiva. É o único meio prudente de nunca nos afastarmos muito da verdade.

É possível, claro, que esta afirmação deva algo àquela minha velha tendência de arranjar desculpas para os meus autores favoritos. Ainda que, neste caso, esteja bastante seguro que não.
Profile Image for Ana Bensabat.
12 reviews2 followers
January 4, 2025
Rating: 3.5 estrelas, na realidade.

O início deste livro relembrou-me porque tinha gostado de ler Os Maias. A leitura foi ainda mais suave, com menos descrição e a apresentação do mistério e das personagens foi bastante cativante.

Foi quando o livro se transformou num relato de viagens e especialmente mais tarde, quando as personagens femininas foram apresentadas, que me perdeu.

Não gostei do desenlace e, apesar de característico da época, do dramatismo da condessa W.
Profile Image for Thiago Marzagão.
221 reviews25 followers
August 22, 2019
Tem lá os seus momentos (“Já não me escrevia como dantes em papel de acaso, em folhas de carteira, em pedaços de cartas velhas, que denotavam as inspirações do amor, os sobressaltos repentinos da paixão; escrevia-me em papel Marquet, perfumado!”). Mas é só um embrião mal-formado do que viria a ser a obra de Eça de Queirós na sua maturidade. Dispensável.
Profile Image for Filipa Machado.
236 reviews8 followers
July 30, 2020
Considerado o primeiro policial da literatura portuguesa cedo me prendeu. Como se vêem dois amigos metidos num possível crime? E como aparecem tantos envolvidos? Quem pensaria em contar tudo isto num jornal? Através das diferentes personagens vamos percebendo as ligações e como acabam por se encontrar algures. Uma leitura agradável, cativante.
Profile Image for Su Gomes.
61 reviews
September 17, 2023
Um livro que surpreende.
Visto ser um conjunto de cartas publicadas num jornal sobre um acontecimento que no final veio revelar-se...
Pois no início não agarra, mas com a continuação da leitura, não se quer mais parar
Recomendo.
Profile Image for Natacha Martins.
308 reviews34 followers
June 10, 2015
Um regresso aos clássicos portugueses, com este "O Mistério da Estrada de Sintra", escrito a duas mãos por Eça de Queirós e Ramalho Ortigão. Este tem sido, ao longo dos anos, um daqueles livros que de vez em quando me vinha à cabeça como que a relembrar-me de que gostaria de o ler. Foi desta que me veio parar às mãos.

"O Mistério da Estrada de Sintra" é uma história típica da época, embora esteja longe de ser apenas uma história típica e previsível. É típica por ser uma historia de amores impossíveis, dramáticos e fatais e não é apenas uma história típica porque está envolta em mistério, com personagens menos óbvias e cenários inesperados.
O livro começa com a intercepção de dois amigos (muito parecidos com Eça e Ramalho), no caminho de Sintra para Lisboa, por um grupo de homens mascarados que não se identificam e que lhes pedem que os acompanhem. Onde?, não dizem. Os dois são vendados e elevados até uma casa isolada, que não conhecem e onde vão encontrar um homem morto... :) E mais não digo, porque o que mais me prendeu à leitura foi não saber nada sobre a história e todo o ambiente misterioso que os escritores conseguiram criar.
O que se passa com eles naquela casa leva a que um deles, quando sai, sem que tenha conseguido esclarecer o que lhe aconteceu e o porquê, decida escrever para um editor de jornal uma carta onde relata o que lhes aconteceu. A carta é publicada e alguns dos intervenientes na história manifestam-se, também por cartas, que vão sendo publicadas no jornal. É desta forma que vai sendo desvendado o mistério que levou aqueles homens àquela casa e o que os levou à estrada de Sintra para "raptarem" os dois amigos.

Até mais ou menos metade do livro, não fazia ideia do que estava por detrás do acontecimento misterioso que apanhou desprevenidos os nossos escritores na Estrada de Sintra. Gostei muito dessa vertente do livro e achei a história original e as personagens muito bem construídas e interessantes.

Recomendo como é natural!

Boas leituras!
Profile Image for Graciosa Reis.
542 reviews52 followers
Read
April 14, 2023
Este livro escrito a duas mãos, apresentado de forma inédita, é considerado o primeiro policial português. Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão agitaram a sociedade lisboeta com a divulgação de “um crime” no Diário de Notícias, entre Julho e Setembro de 1870. Através de cartas anónimas publicadas no jornal, os leitores que acreditam na sua veracidade, vão descobrindo o desenrolar da história, do mistério. Só mais tarde os dois autores revelam que se trata de ficção.

Apesar de ser o primeiro romance de Eça, as suas principais características já estão patentes, já se evidencia a tendência irónica e satírica à crónica de costumes e à escrita romântica muito difundida na época. A relação entre as personagens está impregnada de um romantismo desmedido (rapto, assassinato, encontros clandestinos, traição, amores, desamores, ciúmes, …) em que as mulheres (Condessa de W. e Cármen) vivem grandes paixões, excessivas, trágicas que as conduzem à morte ou à reclusão.

Trata-se de um livro agradável repleto de ironia com um suspense bem delineado e com descrições fabulosas apesar de, por vezes, algumas serem um pouco exaustivas e repetitivas o que torna a narrativa lenta.
Profile Image for Sonia Almeida Dias (Peixinho de Prata).
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March 11, 2016
Eu gosto de Eça de Queirós, e este livro está muito bem construido. A sucessão de cartas que vai desvendando o crime que sabemos que foi cometido logo no inicio do livro vai mantendo o interesse na história, para sabermos finalmente o que se passa ali.
No entanto, a partir de certa altura, a historia descamba num folhetim romanesco que a mim pessoalmente não me apela. Mesmo vendo as coisas com o prisma da época, essa coisinha da mulher que morre/mata de amor, que vive uma existencia de tedio, sem sentido que não seja o da paixão assolapada, não me seduz enquanto leitora, e a partir de certo ponto do livro foi penoso chegar até ao fim.
Recomendo a fãs incondicionais do Eça, de história, de policiais portugueses (dizem que este foi o primeiro). Fujam a sete pés aqueles que não conseguem ver a capa duma novela do Arlequim sem contrações estomacais. :P
Profile Image for Ana Pinto.
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December 28, 2020
Dou 4 estrelas pela preciosidade literária. Um policial do século XIX escrito com a sempre eloquência de Eça.
Profile Image for Colin.
1,693 reviews1 follower
January 7, 2022
Não é nada fácil. Custa-me muito ler livros do século XIX em inglês, ainda pior quando tenho de pensar muito para entender o português. Comecei o livro durante a minha "peregrinação" pela a barreira do rio Tamisa há 3 semanas mas perdi o fio à meada.
A "história da história" é muito interessante: os autores, Eça de Queirós e Ramalho Ortigão escreveram uma série de notícias e artigos anónimos no jornal Diário de Notícias sobre um crime cometido nos arredores de Sintra à noite. Um grupo de mascarados tinham raptado dois homens e levado-os a uma casa onde foi encontrado o cadáver dum inglês. O povo da cidade ficou chocado e aterrorizado: será que estamos em perigo? Quem são esses bandidos? Logo depois, umas personagens da história escreveram cartas à redatora do jornal para explicar as suas acções e motivos. Cada um reagiu às cartas do dia anterior e ninguém deu pelo estilo de escrita muito polido destes cidadãos aleatórios, até ao fim da narrativa, quando os autores revelaram a verdade: os subscritores do jornal tinham estado a ler uma obra de ficção!
Adoro. Todos nós conhecemos a história da "Guerra dos Mundos" de Orson Welles mas Eça de Queirós conseguiu o mesmo engano* sete** décadas antes em meados do século XIX.
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