"Shrove House: the palace, the house of pictures and secrets, dolls and keys, books and shadows."
"The Crocodile Bird" tem uma introdução bastante misteriosa. Eve e Liza são, respectivamente, mãe e filha. Longe da sociedade, vivem isoladas por opção própria, como residentes da Casa de Shrove, uma mansão na qual Eve é governanta, sucessora da sua mãe. Atormentada por um passado distante mas doloroso, Eve está determinada a criar a sua filha longe de qualquer contacto com o mundo real.
Ruth Rendell insere-nos num momento crucial destas duas vidas, deixando-nos por momentos enfeitiçados pelas palavras, incapazes de parar de ler em busca de respostas que nos elucidem sobre estas duas mulheres, ainda desconhecidas, tão peculiares. Confesso que, por alguns segundos, me senti como uma intrusa, mas num ambiente familiar, sem compreender os acontecimentos que se desenrolavam perante os meus olhos. Contudo, ninguém deu pela minha interrupção e eu fiquei logo envolvida, estimulada pelo mistério e as suas promessas de futuras revelações.
Infelizmente, estes sentimentos foram sol de pouca dura. O livro é, de uma forma muito linear, a história de vida de Lizzie, contada por si mesmo ao primeiro homem por quem se apaixonou.
A história é muito original e as personagens são maravilhosamente estranhas. As suas vidas são imensamente diferentes daquelas da sociedade dita normal e os seus valores e moral bastante desviados da norma. Apesar disso, o enredo desenrola-se a um ritmo excessivamente lento e pausado. Foi para mim dificil focar a atenção e manter o interesse. A história vai-se arrastando e arrastando até que, a certa altura, conseguimos prever as próximas palavras.
Esta foi a minha estreia com Ruth Rendell e a percepção com que fiquei desta famosa escritora é que as descrições são a sua praia. Descrições de todas as formas e tamanhos: de pessoas, lugares, objectos, sentimentos, enfim, de tudo. Se o seu objectivo é delinear imagens ordenadas na nossa mente, exactamente como ela as vê, então é bem sucedida. Deixa pouco para a nossa imaginação, porque vai ao mais ínfimo detalhe, dizendo-nos as coordenadas exactas da posição de um simples quadro, por exemplo. Dito isto, o nível de envolvimento na história e nas personagens que a habitam ficam para segundo plano. Relativamente aos diálogos acho que a senhora tem medo deles! Eles destacam-se pela sua ausência.
Um thriller psicológico? Dificilmente.
Um livro repleto de mistério e suspense? Talvez até à página 50.
Um livro ideal para uma noite de insónias? Certamente!