Ao abrir uma caixa pequena e ignorada, encontrada no quarto da mãe falecida, a caixa 'onde a mãe abrigara seu coração esfrangalhado', o narrador se depara com um maço de cartas cuidadosamente enfeixadas com um barbante. Escritas pelo irmão, vitimado por um acidente, dirigidas apenas à mãe, essas cinquenta cartas reúnem um passado. A redescoberta da sensibilidade desse irmão desaparecido provoca uma reconstrução das antigas memórias familiares, desdobrando-se em dúvidas - como teria realmente acontecido essa perda?
Luiz Ruffato (Cataguases, fevereiro de 1961) é um escritor brasileiro. Formado em Comunicação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, exerceu jornalismo em São Paulo. Publicou Histórias de Remorsos e Rancores (1998) e Os sobreviventes em 2000, ambos coletâneas de contos. Ganhou os prêmios APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional com o romance Eles Eram Muitos Cavalos, de 2001.
Leitura em uma tacada só. Extremamente fluida, palavras que deslizam perante os olhos. É de uma melancolia intensa. Ao mesmo tempo que parece uma narrativa simples e honesta, possui uma profundidade ímpar (não que uma coisa precisasse se opor à outra). Te deixa pensativo, é uma leitura que movimenta família, tempo e memória. As cartas de um irmão mais velho para seus pais, geralmente direcionadas à mãe, foram organizadas, contextualizadas e dado um sentido literário pelo irmão mais novo, Luiz Ruffato. Esses escritos dão o tom melancólico e emocionante. Parece que tanto Luiz, quanto nós, leitores, somos atravessados por essa nuvem de vida, de luta e do contexto privado e público do período (anos 70) que viaja entre o interior de Minas e a metrópole de São Paulo.
Tem uns Livros que vão dando na gente uma vontade de ser melhor. De ser mais gentil. De ser mais generoso. De ser mais Humano. Sabe? O Luiz Ruffato faz isso comigo. É um grande desafio falar da Ternura que eu sinto quando o leio. Das Chuvinhas Nos Olhos que brotam livres, incontidas. Dessa volição de querer, muito, ser mais. E ficar meio decepcionada comigo mesma por, tantas vezes, não conseguir, por me ver egoísta, menos, menor. Mas vou insistindo. Desistir é abrir portas para que a covardia tome espaço. Isso não. Nem quero, ou permito.
A primeira parte deste livro deixou-me um pouco assustado, pois confesso que não o consegui perceber... No entanto, quando cheguei à segunda parte, a parte epistolar propriamente dita, fiquei enternecido com a história de Célio, o rapaz que, ao longo de 6 anos, nos vai contando as amarguras de alguém que, tão jovem, se viu obrigado a mudar de cidade e viver afastado da sua família. No fim, ficamos até na dúvida se estas não serão mesmo cartas reais... Trata-se de um romance epistolar bastante simples, mas bonito na sua simplicidade. Gostei de ler.
Una fotografía, un cuadro detenido en el tiempo, de clase social, de la vida no más. Escrito en formato epistolario, se rellenan automáticos los puntos ciegos. Aunque no lo busca, las raíces sociales y familiares de la persona que lea, dictan el color que tendrá este escrito, para mi en particular: color a cristal y espejo, a silencio tranquilo, a sopor de madrugada.
Dou esta nota, porque apesar desse ser um livro ser bastante intrigante, o processo de se interessar, ou até mesmo conhecer, a história de José Célio é impedido pela complexidade adquirida no primeiro bloco. O que se é nomeado uma explicação necessária mais confunde e afasta o leitor do que o auxilia. Apesar desse entrave, gostei muito da história que é contada, muitas vezes duvidando até mesmo do gênero literário que está inserido, pois a forma em que Luiz Ruffato conduziu a narrativa me fez pensar por muito tempo que se tratava de um texto biográfico e não uma ficção. Acho que já comentei o suficiente sobre minhas impressões sobre o livro na justificativa da nota, porém eu também gostaria de colocar uma das frases que eu mais gostei do livro: "Envelheci, envelhecemos todos… Menos você, que permanece com 26 anos, ardendo inexoravelmente em minhas lembranças".
I didn't know this was fiction until I read the translator's note at the end. Ruffato tells us in the introduction that he is merely presenting a series of letters, saved by their mother and retrieved at her death, from his older brother Celio, who has moved away from the family's rural home into the big city of Sao Paolo as a young man of 19. The story in the letters is a convincing tale of a young country boy growing into manhood in a factory job in the city, where love, friendship, work and politics become the staples of his every day life. Short, well written.