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Aberto Todos os Dias

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A poesia de João Luís Barreto Guimarães oscila, sempre, entre a contemplação da História, a ironia sobre as coisas comuns e quotidianas, a transformação dos sentimentos em meditação sobre a passagem do tempo, a construção de um universo próprio com as suas personagens, obsessões e descobertas. Ao mesmo tempo, o autor encetou há muito a busca de uma linguagem única e de uma forma singular no panorama da poesia portuguesa e europeia.

Publicada em várias línguas (do espanhol ao inglês, do croata ao polaco e ao italiano), a sua obra oscila, de um lado sobre a melancolia; do outro, com a ironia - como os grandes poetas da tradição europeia, de Cesário Verde a Philip Larkin, por exemplo, sem ficar preso às fronteiras de uma lírica confessional.

Neste livro evocam-se os dias «do fechamento», mas também, finalmente, aquilo que está «aberto todos os dias» - aberto o livro, aberto o mundo -, aquilo que permanece vivo apesar das pandemias, do esquecimento ou da banalidade. Um grande e auspicioso regresso.

88 pages, Paperback

Published January 1, 2023

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João Luís Barreto Guimarães

25 books26 followers

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Displaying 1 - 8 of 8 reviews
Profile Image for Paula Mota.
1,677 reviews572 followers
November 8, 2023
3,5*

DORMIR VESTIDO
Despede-te
todos os dias de cada coisa
que amas (a vida é um veneno que
só se toma
uma vez). Descansa os olhos do mundo
(a dor
assinala o centro)
há uma flecha em viagem com o nome
de cada um. É como
apanhar boleia no guarda-chuva de alguém
(deves pagar a viagem exigindo
segurá-lo). Ou
como dormir vestido (estar sempre
pronto a partir) levando
em ti o
que aprendeste na universidade
do interior

*************************
NOTA SOBRE O VISÍVEL
Se amanhã
vires um miúdo na calçada portuguesa
(bicos dos pés no calcário
tentando
evitar
basalto)
impondo-se o desafio de não
poder pisar cor preta
já tens aí o
poema.
Profile Image for Ana Rita Rocha.
146 reviews1 follower
January 20, 2023
O autor escreve com leveza, ironia e mirada aguçada poemas que nos levam desde o quotidiano a preocupações metafísicas.
Um poema, em particular, intitulado: “Gostaria de partilhar comigo o resto da sua vida?” arrancou de mim longos sorrisos!
Profile Image for Joaquim Margarido.
299 reviews39 followers
May 15, 2023
Doze livros depois de “Há Violinos na Tribo”, edição de autor de 1989, João Luís Barreto Guimarães volta a inquietar-nos com “aberto todos os dias”, a sua mais recente criação. O livro surge menos de um mês após a distinção com o Prémio Pessoa 2022 e nele o poeta regressa aos pequenos-nadas de que a vida é feita, olhando de forma atenta o seu (e nosso) quotidiano. A familiaridade que brota dos espaços, dos tempos, das situações, gera no leitor a maior das cumplicidades. Lúcido e preciso, sem dispensar a ironia, o olhar de João Luís Barreto Guimarães traz ao nosso encontro as imagens e os sons dos dias repartidos entre a prática médica, uma caminhada à beira-rio ou os momentos passados à mesa do café. A sua poesia convida-nos a ver a cidade que se afadiga para ir jantar a casa, os pequenos avanços que trazem sempre retrocessos, a maçã de Eva a pedir uma segunda dentada, o cheiro a peixe frito que sobe desde a cozinha, os enfermeiros exaustos que saem de mais um turno, um ministro que mentiu. A isto respondemos com um sorriso, certos de que o convite é tudo menos inocente.

Sorrimos quando o poema se faz termo de utilização do livro, a pedir que seja lido e aceite. Ou quando começa a construir-se a partir do momento em que a página se vira sobre si. Ou, ainda, quando se explica, com calma, numa introdução à poesia. Faz-nos bem, o poema. Este poema de um minuto que nos leva a olhar o céu e a ver num relâmpago um electrocardiograma de Deus, nas unhas roídas luas que nascem dos dedos, no sol que passa exactamente por entre os gargalos das garrafas que estivemos a beber o solstício da amizade. Não conseguimos olhar para a poesia de João Luís Barreto Guimarães sem ver nela a vitalidade de Miguel Torga na sua relação com a terra, a musicalidade de Eugénio de Andrade na sua relação com a alma, a luminosidade de Sophia na sua relação com a vida. A diferença estará nas linhas, não aquelas com que o poema se cose, mas as que se aproximam ou se afastam de uma baleia que deu à praia sem vida, de um quarto de hora numa fatia de pizza ou de uma torneira que administra 30 gotas por minuto na boca do lavatório. Alguém tem de amar o vulgar.
Profile Image for João Mendes.
295 reviews17 followers
June 20, 2024
"Jamais
te irá libertar. Agora que ela sabe
como tu passas os dias
(como chegar até ti
como se insinuar) virá de
dentro do nada (tal um ser mefistofélico)
exigindo que a alimentes
lhe dês a provar
do teu medo. Não te vai abandonar. De pouco
vale a luz acesa (a
noite inteira na varanda) o
volume da TV para bom agoiro
num número par. Ela estudou-te à distância qual
uma loba faminta
que reconhece os seus trilhos (e
reproduz os teus gestos) para se acercar
de ti. Melhor é
deixá-la entrar (sentá-la junto à fogueira)
mitigá-la com palavras até lhe domares o nome:
Anxietas
familiaris."
Profile Image for Patrícia Bernardo.
287 reviews
May 1, 2023
O leitor acaba de virar a página

O leitor
(agora mesmo) acaba
de virar a página e
parece surpreendido elo facto de o poema
descrever exatamente o
que está a
acontecer. Não é extraordinário? Não é
desconcertante perceber
como o poema vai desvelando a verdade
(fluindo de cima
para baixo
agrilhoando o leitor)
conquistando cada linha com versos essenciais
esculpindo a mancha gráfica à direita e
à esquerda até o
leitor intuir (pela aproximação do branco)
que o poema
está no fim? Não é uma
transparência
notável?

Escrito com grande simplicidade, sobre o quotidiano, passagem do tempo e sobre coisas comuns que muitas vezes não damos por elas.
Muito interessante
Profile Image for Susana Duarte .
27 reviews
August 9, 2025
Um livro de poemas "abertos todos os dias" que descrevem o presente com sentido prático e um toque de ironia.
Displaying 1 - 8 of 8 reviews

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