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Photomaton & Vox

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“A autobiografia de um poeta obscuro? Ou a invenção poética de uma biografia? Em Photomaton & vox, o ‘eu’ autoral não se distingue das alegorias, homenagens, montagens, imprecações e metáforas apocalípticas que o texto convoca. Em prosa ou em verso, ambos ritmados, vigorosos, magníficos, Herberto Helder fala da sua ilha natal, das experiências-limite, das deambulações europeias, dos seus companheiros de jornada (Hölderlin, Rimbaud, alguns surrealistas, alguns beats), mas fala sempre de outra coisa. Defensor de uma ´radicalização do discurso lírico´, o poeta contesta a realidade vista como documento, a cisão entre o interior e o exterior de uma cabeça, a legibilidade transparente. E por isso faz de cada imagem ´a chave de outra imagem´.” ―Pedro Mexia

176 pages

First published January 1, 1979

19 people are currently reading
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About the author

Herberto Helder

58 books215 followers
Herberto Helder was born into a family of Jewish ancestry in the Portuguese Atlantic island of Madeira. In 1946 he traveled to Lisbon to complete his secondary studies and subsequently in 1948 moved to Coimbra to study Law at university. In 1949 he had changed to the Humanities University to study Romance Philology but dropped out after three years without completing the course. After returning to Lisbon he took up several temporal jobs, and got in contact with a circle of artists and writers such as Mário Cesariny, Luiz Pacheco, João Vieira and Hélder Macedo, known as the "café gelo" group . This group revolved around Surrealism which would inform his early writings. In 1958 his first book, O Amor em Visita, was published. In the following years he traveled and lived in France, Holland and Belgium taking menial and marginal jobs to survive. He returned to Portugal in 1960 and published some of his best books in the following years A Colher na Boca, Poemacto e Lugar, Os Passos em Volta and A máquina de emaranhar paisagens. In 1964 he participates in the organization of Experimental Poetry magazine. After the April Revolution he published Cobra, O Corpo, O Luxo, A Obra, Photomaton and Vox.
The singularity of his poetry goes along with the personality of the poet: nowadays he abandoned public life, refusing prizes or interviews.

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85 (30%)
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33 (11%)
2 stars
8 (2%)
1 star
1 (<1%)
Displaying 1 - 18 of 18 reviews
Profile Image for André.
114 reviews75 followers
May 28, 2017
Estou há mais de uma hora a pensar na crítica estruturada que julgava ter para fazer a este livro. Que bonito e ingénuo pretensiosismo o meu, que ainda acredito ser capaz de remediar a sempre frustrada intenção de me exprimir convenientemente em relação àquilo que me comove... Mas jubilemos, pois acabei de me aperceber de que o que tinha para dizer é, na verdade, muito simples e sucinto:

F***-te, Herberto.

A minha sossegada loucura já se bastava a ela própria.
Profile Image for Luís.
2,384 reviews1,377 followers
June 8, 2022
A book with two very distinct parts, in my opinion:
The first part with the first word: Photomaton. A term that determines what the author transcribes for the work: people, objects, sensations and feelings; everything that he has transposed into the reality of everyday life. A second term with a second word: Vox. The words he uses designates what he affirms to be the people's voice—an intervention voice as a criterion of truth.
One magnificent work with a stylistic sense of pure taste.
Profile Image for la poesie a fleur de peau.
508 reviews63 followers
October 15, 2022
"O que está escrito no mundo está escrito de lado
a lado do corpo — e tu, pura alucinação da memória,
entra no meu coração como um braço vivo:
o dia traz as paisagens de dentro delas, a noite é um grande
buraco selvagem —
e a voz agarra em todo o espaço, desde o epicentro às constelações
dos membros abertos: e irrompe o sangue
das imagens ferozes:
as rótulas unidas aos dentes e,
como um sexo trilhado:
a boca expele por entre os joelhos o seu grito com a fundura
de uma paisagem — uma
paisagem arrancada ao meio da noite, com as golfadas de luz
que se despenharam: porque não há lembrança
dos jardins refrigerados com seus pequenos planetas
fotostáticos
levitando — a loucura está tão próxima que o meu braço
se entranha na água, e este atelier onde escrevo
sobe"

Excerto do poema "vox", Herberto Helder.
Cortar este poema, seja por onde for, é como desmembrar um ser vivo... mas não resisti ao impulso de colocar aqui um brevíssimo excerto para que outros leitores possam (re)entrar na poesia de Heberto Helder... por mais vezes que releia este "vox", sinto-me sempre arrebatada como se nunca o tivesse conhecido. É amor à primeira vista, insuflação de vida, despertar de sentidos que há muito pareciam estar adormecidos...
Profile Image for lucas.
15 reviews
July 15, 2025
acabei isto há bocado e tive imediatamente de começar um novo, para fingir que este não acabou. vou andar com isto no fundo da mala durante meses, reler passagens como uma espécie de bíblia pessoal; consumir quantas vezes conseguir as palavras de um poeta com o qual, depois disto, me identifico tanto. deve ser qualquer coisa que anda misturada na água madeirense desde os anos 30. tenho um heterónimo que acabou de ganhar um novo ídolo, um ídolo imenso, e acho que nunca vou recuperar disso.

estou a começar os meus vinte de uma forma...
Profile Image for Elisa.
141 reviews18 followers
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May 16, 2017
Metade do livro foi sensacional e a outra metade eu não entendi até agora.
Profile Image for Hugo Santos.
202 reviews4 followers
Read
March 30, 2025
não existe porta que não abra para outra porta por abrir.
Profile Image for Álvaro.
88 reviews11 followers
November 19, 2020
Herberto Helder é hipnotizante. Tem uma prosa muito poética e caracteristicamente portuguesa. Particularmente preferi os contos dele, mas todos o conteúdo desse livro é bom, e, por óbvio, carrega características da escrita/estilo do autor. Admito, também, que não é uma leitura fácil, apesar de super interessante. Alguns temas ilustrados no livro, como o "eu" autoral e parcialmente alegórico, são naturalmente confusos e o autor consegue não só complicá-los, mas prolongá-los com destreza. Enfim, é uma leitura que exige atenção.
Profile Image for R.B..
Author 1 book6 followers
September 13, 2017
Uma interessante incursão pelo mundo de Herberto. Acima de tudo funciona como exercício sobre o artista, não necessariamente o poeta, e o exercício da sua arte. São visíveis as marcas de um Mundo em mudança, mudança essa que até na expressão se manifesta. A melhor recensão do livro é dada pelo próprio autor no texto antropofagias:

"Esses textos não são «poemas». As razões por que se não pretendem eles poemas encontram-se nas razões de pretenderem ser outra coisa. Decerto: pequenas paisagens polémicas, também. Uma intenção bravia de negar. Procuram encontrar «algo» mas talvez não encontrem. «Desencontram» contudo certas noções e sentidos. Põem-se a acompanhar, com modos seu quê desabridos, o ano de 1930, atravessado por uma frase (auto-complacente) de Borges: «A literatura é uma arte que sabe (...) enamorar-se da sua dissolução e encontrar o seu fim.» O fim estava encontrado talvez desde o começo. Felizmente. Agora ocupamo-nos nos apocalipses, e principia a perversa alegra de escrever mal, o gosto de coçar. Estamos a pôr não precisamente o problema do suicídio, a nivel de linguagem, mas a ver o suicídio de vários lados. Inventariamos o suicídio, a sua área total. São textos de crítica, claro. Mas, com licença, desarticulados. Mal se pode pegar neles. Caem aos pedaços. Outra coisa: isto não é bem sair do silêncio, encontrar-se «a escrever», não é bem o desejo de mau gosto e desorganização. Será já um pouco «o outro lado»? Também não se vai tornar «novo» evidentemente. De qualquer modo, fez-se um percurso que cabia fazer. O que afinal pouco importa. Chama-se apenas a atenção para certa festividade destrutiva. Abunda em tudo isso alguma alegria antropofágica. Esse canibalismo dançante não comporta (extensamente) legislação mas (que diabo!) tem o seu ritual. Enfin, «desestuda-se» o que se pode. Pode pouco? Também se fala das tiranias da liberdade, liberdades. Mas nem uma palavra sobre política. Estranho. Concluindo: o homem é uma linguagem, e o tema é a agonia da linguagem.. Estilo proximamente canibal. Péssimo. Formulações erráticas sobre linguagem para uso indeterminado, como aliás se deve dizer para que os outros digam ou também provavelmente contradigam. Dizê-lo é, claríssimo, uma maneira de dizer. Quanto a poemas, escrevi-os em prosa, noutro tempo, numa fugida paisagem. (Depois excluí-os). Escrevo agora, ali, prosa quebrada com aparências poemáticas. Por causa de um sentido «rítmico porque sim». Tomo a liberdade dessa licença. E não me creiam, pois o erro está no coração do acerto."
Profile Image for Marina Menchero.
195 reviews
February 1, 2025
Se queres te encher de poesias cultura e sem dúvida o livro certo para ti. Com uma escrita fabulosa é um humor subversivo. Neste livro encontramos textos numa prosa poética e ensaísticos que só podemos encontrar no trabalho deste Poeta.
Profile Image for Lee.
171 reviews
July 7, 2019
(vox)

O que está escrito no mundo está escrito de lado
a lado do corpo – e tu, pura alucinação da memória,
entra no meu corpo como um braço vivo:
o dia traz as paisagens dentro delas, a noite é um grande
buraco selvagem –
e a voz agarra em todo o espaço, desde o epicentro às constelações
dos membros abertos: e irrompe o sangue
das imagens ferozes:
as rótulas unidas aos dentes e,
como um sexo trilhado:
a boca expele por entre os joelhos o seu grito com a fundura
de uma paisagem - uma
paisagem arrancada ao meio da noite, com as golfadas
de luz
que se despenharam: porque não há lembrança
dos jardins refrigerados com seus pequenos planetas
fotostáticos
levitando - a loucura está tão próxima que o meu braço
se entranha na água, e este atelier onde escrevo
sobe
dos precipícios curvos, forte desde o fundo:
aquilo que se escreve é o próprio corpo pregado como uma estrela
à púrpura das madeiras, aos lençóis
ofuscantes cheios de sangue, de água
magnetizada - e esta sala brilhando apoia-se às espáduas,
e em baixo a queimadura
dos intestinos arde do alimento: os cabelos luzem, o rosto
plantado
em sua estaca de sangue como uma grande veia animal -
eu tenho sangue até às órbitas: a estrela fechada eleva-se
no remoinho da garganta - e levanto a mão e explode
cinematograficamente
a imagem da própria mão
afogada
- porque eu morro da minha vida grave: a longa pálpebra
do corpo cerra-se
sobre a fenda negra aberta à paisagem que corre
como uma chama
por toda a casa - ceifem-me os cabelos à luz
panorâmica: e nas raízes sangrentas
a cabeça queima-se como a lua queima as roupas
levantadas - o meio do vento que cresce nesses cabelos cresce
dentro de mim: meu coração aumenta como uma pedra
aumenta
exposta às mãos como outra mão
de carne larga - esse
osso vedado alumiando o fundo da cabeleira que cortam
como se corta a noite
com uma foice, e os ossos se cortam a plena voz,
na terra, num incêndio completo, enquanto
ceifam: porque há uma cabeça no centro
do choque
do corpo: uma cabeça movida pelo refluxo escuro dos dias
sem fracturas: a cabeça
que vê e cheira e que se abre e fecha
e ouve e refulge e morde
e come depressa e respira para dentro e para fora -
e a voz ascende de todas as raízes entrelaçadas
- a largura, o sangue, o movimento: a fruta em claridade
entre as unhas,
labaredas, um puro génio mundial - tudo como uma forma límpida,
sutura
do coração, uma leveza tremenda
no poder: quando o dia é muito perto, uma estrela comprida
- as mães brilhavam: o que eu escrevo, elas o escreviam
na queimadura da paisagem: uma visão
cerrada pela força: e um cometa desentranha-se
da branca carnagem das memórias, fervendo
entre axilas e falangetas como
um braço, ou uma dança luzente na sua teia até às pálpebras -
o que se lembra e pulsa: fibras
vivas
de uma vara embrenhada no meio da água,
e à volta os planetas oscilam como folhas cantando
desde o abismo -
os dedos das mães nas linhas sangrentas que cosem
profundamente
o espelho e a imagem, como pelas artérias se cose
o coração
aos pedaços de carne, entre orifícios
negros, ressacas
fulgurantes, o corpo aberto com o centro estancado na terra.

Walpurgisnacht

Eu não durmo, respiro apenas como a raiz sombria
dos astros: raia a laceração sangrenta,
estancada entre o sexo
e a garganta. Eu nunca
durmo,
com a ferida do meu próprio sono.
Às vezes movo as mãos para suster a luz que salta
da boca. Ou a veia negra que irrompe dessa estrela
selvagem implantada
no meio da carne, como no fundo da noite
o buraco forte
do sangue. A veia que me corta de ponta a ponta,
que arrasta todo o escuro do mundo
para a cabeça. Às vezes mexo os dedos como se as unhas
se alumiassem.
Mas nunca durmo entre os meus braços
pulsando
como grandes carótidas
que alimentem a beleza e rapidez do rosto sobre
músculos fechados.
Enquanto o sol rompe as membranas
dos espelhos: não danço, não
durmo, não respiro mais que a terra esquartejada pelas chamas
lunares.
Não trabalho tanto como no verão o sangue
sob o pelo
baixo
dos animais, a elegância violenta,
o alimento.
Há dias em que as mãos se movimentam por si,
mal tocando nas fendas
o tremor hirsuto de um cometa cravado desde as costas
aos lençóis. Nunca sei
onde é a noite: uma sala como uma pálpebra negra
Separa
a barragem da luz que suporta a terra.
- Agora, a fundura de uma
lavoura área, o folego, uma pedra com o meu tamanho
coberto
de poros, de tendões a ligar
arquipélagos límpidos
na penumbra. Estes,
os obscuros fulcros da loucura.
Alguém devia tocar-me para sentir que estou vivo,
que sou
uma estaca atravessada pelo sangue, e dela rebentam
por exemplo: áscuas. Isto é uma fabrica de demência:
palavras
onde se manobra a purpura, onde
o aroma que mata ascende de jardins construídos
levemente
na escuridão. E uma imagem fecha
tudo o que se fecha: quartos,
dias sobre si mesmos, as frutas redondas por força
da doçura interna. Quando as vozes
ferozes se desengolfam, a terra
move-se como um músculo encharcado entre a boca
e o coração que não dorme nunca. – E todas as minhas vísceras são
inocentes.
Profile Image for Filipe Almeida.
24 reviews2 followers
August 19, 2021
Uma obra poética diferente da norma, onde o surreal e as perturbações do Homem se encontram num jogo político de palavras e referências a outros pensamentos da Humanidade.
5 reviews
October 10, 2025
I've read lively and wild passages from this writer, but here, I'll probably be averse to this kind of language, most of the time I felt like I was reading a technical book.
Profile Image for Dany Vicente.
43 reviews4 followers
April 20, 2017
Livro muito bom para quem gosta de explorar a mente de quem o escreve. Ao ler o livro Herberto usa uma espécie de ironia metafórica que nos leva a momentos de comicidade que contribuem ainda mais para a individualidade do livro.
Profile Image for Sara.
1 review19 followers
April 25, 2017
"O primeiro dever de quem acredite na necessidade e eficácia do verídico será a independência, quero dizer: o começo por si mesmo."
Displaying 1 - 18 of 18 reviews

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