José Gil prossegue neste livro a sua investigação sobre os processos individuais e colectivos de subjectivação em Portugal. Quais são esses processos neste período marcado pela globalização, a crise económica e a hegemonia política do PS? Que formas assume essa subjectivação quando «a falha de sentido que as promessas por cumprir do 25 de Abril não conseguiram colmatar» foi suprida por antigos hábitos e «mentalidades»? Reinventando conceitos de Ferenczi e Foucault no sentido de uma abordagem original, José Gil mostra como os portugueses tentaram conquistar «formas de subjectivação individuais em desfasamento ou inadequação aos quadros de vida colectiva que se iam edificando progressivamente». O autor de Portugal Hoje: O Medo de Existir considera que «fizemos da identidade o território da sujectividade» e «esforçamo-nos por resistir ao "fora" que aí vem, do exterior ou do interior, que ameaça destruir as nossas velhas subjectividades». Em sua opinião, a única maneira de remover o obstáculo da «identidade» é «deixarmos de ser primeiro portugueses para poder existir primeiro como homens». É à luz dessa preocupação que se analisa o discurso dos actuais governantes que consideram que Portugal entrou «num processo irreversível de modernização», um discurso «anti-ideológico e de via única» em que a avaliação «surge como método universal de formação de identidades». José Gil aborda em particular o «chico-espertismo» enquanto fenómeno que atravessa todo o «tipo de subjectividade da nossa sociedade, sendo transversal a todas as classes, grupos, géneros e gerações».
José Gil (Muecate, Moçambique, 15 de junho de 1939) é um filósofo, ensaísta e professor universitário português.
Nascido em Muecate, Moçambique, estudou Matemática, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, antes de partir para França. Licenciou-se em Filosofia, pela Universidade de Paris, em 1968. Um ano depois obteve o grau de mestre com uma tese sobre a moral de Immanuel Kant. Iniciou a sua carreira como professor do ensino secundário.
José Gil foi considerado pelo semanário francês Le Nouvel Observateur, um dos 25 grandes pensadores do mundo.
Reinventing concepts from Ferenczi and Foucault towards an original approach, José Gil shows how the Portuguese attempted to conquer "forms of individual subjectivation that were out of sync or inadequate to the frameworks of collective life that were progressively being built."
Já li 75% deste livro mas... Eh pá, não acredito que estou a escrever isto... Fui assistir a um concerto dos Goldie Lookin Chain e li o livro no trânsito público a caminho para aqui... Mas... Que vergonha... Não há maneira fácil de dizer isto... Enfim... Fui à casa de banho e o livro caiu do meu bolso pela sanita abaixo.
Na verdade, não me importa assim tanto. O autor é um filósofo mas não estou acustomado ao jargão da especialidade dele: "fragmentação da subjectividade"? Pois é, pois é. Onde está o autoclimso?
Ah ah, estou a brincar, mas aquela espécie de escrita, muito abstrata e rarefeita, sem referência aos dados deixa-me insatisfeito, até em inglês. Experimentei o "sabor" do seu raciocínio mas não tenho vontade de ir buscar mais um exemplar para constatar a sua "conclusão".
A primeira ideia é que este não é um livro para todos. Porquê? Porque as ideias-chave são baseadas em ideias de dois filósofos, Foucault e Ferenczi, cujas possibilidades de terem sido estudados por alguém exterior ao estudo da Filosofia são mínimas (pessoalmente, tenho uma ideia muito vaga de Foucault, tão vaga que não reconheci algumas das ideias que lhe são atribuídas no livro), colocando o leitor numa corda bamba, incerto de como avançar. José Gil explica os conceitos em que apoia o seu discurso, mas isso não torna o que tem para dizer mais interessante (ou claro).
(...)
Não o recomendo nem deixo de recomendar... foi uma leitura morna que não me deu norte.