Segundo romance de Lúcio Cardoso, inspirado no morro carioca de mesmo nome, foi publicado originalmente em 1935 e encerra a fase social do autor iniciada com Maleita. No livro já estão presentes os primeiros sintomas do romance introspectivo, psicológico, que viria a ser o forte da expressão do escritor. Salgueiro é um romance denso e complexo, em que o morro ganha contornos de protagonista. O livro é dividido em três partes que expõem a história de três gerações de homens sem O avô, O pai e O filho. Ao longo da narrativa, o leitor percebe que o morro adquire vida própria, enquanto os personagens vão se descaracterizando, transformando-se em coisas. A fome e o desemprego geram uma população de miseráveis, e aqui a miséria é narrada sem meias-palavras. Em certos momentos, é difícil perceber a diferença entre os trapos, a sujeira, a lama, os cachorros e as pessoas. Tudo e todos são nivelados pela miséria. O romance marca uma diferença bem definida entre o morro e a cidade. É significativo como o morro revela aspectos contraditó não são os personagens que delineiam o espaço, ou atuam sobre ele. A impressão é a de que o morro configura os personagens. Trata-se de um mundo à parte, um lugar de exilados. Ou exilados de uma vida digna. O trecho em que dois personagens vão para um hospital é notá o branco das paredes, dos lençóis e dos móveis faz as mulheres pensar que seria impossível morrer num lugar tão limpo e imaculado.
Joaquim Lúcio Cardoso Filho, known as Lúcio Cardoso (Curvelo, Minas Gerais, Brazil, August 14, 1912 – Rio de Janeiro, September 22, 1968), was a Brazilian novelist, playwright, and poet.
The son of an impoverished but prominent family in Minas Gerais, Lúcio Cardoso was the brother of Adauto Lúcio Cardoso, a congressman for the center-right União Democrática Nacional and later justice of the Supreme Federal Court; and of Maria Helena Cardoso, who became a respected writer herself as a memorialist, including the editing of the posthumous memoirs of her brother Lúcio (Por onde andou meu coração, 1967; Vida-vida, 1973; and Sonata perdida: Anotações de uma velha dama digna, 1979).
At an early age, after attending school in Belo Horizonte, Cardoso moved to Rio de Janeiro, where he got a job in the Equitativa insurance company. He soon came to the notice of the group of writers around the wealthy industrialist (and a poet himself) Augusto Frederico Schmidt, who published his first works. Many of these writers, including Otávio de Faria and Cornélio Penna, were, like Cardoso, Catholic - and, in the twin case of Cardoso and Otávio de Faria, both Catholic and homosexual. In a time when Brazilian literature was dominated by leftist, regionalist themes, these writers were less interested in the then-dominant political concerns of Brazilian writing than in inner experience and themes of human redemption and personal tragedy. This paramount value placed upon the subjective character of writing was a characteristic Cardoso shared also with his younger contemporary Clarice Lispector, who fell in love with Cardoso when she was a young woman, and who remained a close friend until his death.
Cardoso's first novel, Maleita (Malaria) - the story of an engineer stranded in a backwater in Minas Gerais - did not stray far from the dominant regionalist themes, which, however, he forsook after 1936, with his third novel Luz no Subsolo, in favour of psychological introspection.
Cardoso was enormously prolific in several genres, including the theater, where, together with the Afro-Brazilian activist Abdias do Nascimento, he started the Teatro Experimental do Negro, Brazil's first black theater company. With Paulo César Saraceni, he was responsible for the first feature-length film of the nascent Cinema Novo, Porto das caixas - based on a true story about a crime in the municipality of Itaboraí, then a backwater rural community in the State of Rio de Janeiro. Perhaps his most famous novel is Crônica da casa assassinada (Chronicle of the Murdered House), 1959, a Faulknerian saga of a decaying patriarchal family in Minas Gerais. In this novel, one of the chief characters, Timóteo, is the family's gay scion, who lives secluded in the ancestral mansion, always dressed in his mother's old clothes, and who stands for the unravelling of the traditional order embodied in the mansion.
A famous figure in the bohemian milieu of Rio de Janeiro—"Ipanema should be called Lúcio Cardoso," according to one friend—his health deteriorated because of his alcoholism and dependence on prescription drugs. On December 7, 1962, at the height of his creativity, he suffered a debilitating stroke that left him partially paralyzed. He struggled unsuccessfully to recover his ability to speak and write, and when that failed he turned to painting.
On September 22, 1968, following another stroke, he died in Rio de Janeiro.
Grande livro! Lúcio Cardoso tem uma escrita interessantíssima, pra mim foi totalmente novo e não sei dizer se realmente gostei assim de cara, sinto que preciso ler outras obras do autor pra entender melhor, mas de cara já se vê que tem algo poderoso aí.
Esse livro é forte, pesado, toca em temáticas doloridas e ainda tão atuais pra realidade de quem lê 90 anos depois da publicação original. Infelizmente, tive que ler numa rapidez que vai contra o que essa obra pede, me dá vontade de reler na tranquilidade reflexiva que a dureza desse tipo de conteúdo merece.
Muito bem construído em termos de estrutura, as três partes do livro se conversam de maneira muito coerente e empurram o enredo de maneira primorosa. A história é de irritar, incomodar, não é leitura fácil, mas vale a experiência!
O segundo romance escrito por Lúcio Cardoso, publicado em 1935, é uma abordagem que, à primeira vista, poderia ser chamada "neonaturalista" ou "neorrealista" daquele que viria a se tornar um dos maiores - senão o maior - expoente do romance psicológico no Brasil. A narrativa é dividida em partes que descrevem os três personagens centrais (o avô, o pai, o filho) pertencentes a uma mesma família que vive no morro carioca do Salgueiro. O "avô" é arrastado e relegado ao hospital pela família; o "pai" relaciona-se com uma amante, odiada por sua irmã; o "filho" vive na rua e tenta sobreviver ao mundo vazio e sem perspectiva do morro. Ao mesmo tempo em que o morro afeta ou altera a constituição dos personagens - com suas histórias particulares de desgraça, miséria, doença, violência, traição e sexualidade -, cada tipo humano retratado ali tem seus traços particulares e complexos. "Salgueiro" é um herdeiro direto de "O cortiço" (1890), de Aluísivo Azevedo. O primeiro, contudo, constrói tipos complexos e raros além de descrever o domínio do ambiente sobre o homem, enquanto o segundo parece só priorizar a tese naturalista de o ambiente determinar as ações humanas.