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Mar me Quer

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Do universo de Mia Couto nasce este Mar me Quer, estória de Zeca e Luarmina.

Das viagens pela infância, do contacto com o mar, de regressos ao passado se constrói uma narrativa singular.

« Meu passado me pesa: minha infância morreu cedo, eu tive que carregar esse peso morto em minha vida. Aos seis anos tomei lugar de meu avô no barco, dois anos depois meu pai perdia o juízo e saía de casa, cego e louco. Minha mãe, antes de morrer, me entregou na igreja. O padre português Jacinto Nunes me educou em preceito de Deus e livro. Mas eu queria regressar ao mar e cedo troquei livro por rede. Sempre entregando muito, recebendo pouco. Meu avô Celestiano culpava meu pai dessa má sorte. [...] »

72 pages, Hardcover

First published January 1, 2000

19 people are currently reading
510 people want to read

About the author

Mia Couto

112 books1,382 followers
Journalist and a biologist, his works in Portuguese have been published in more than 22 countries and have been widely translated. Couto was born António Emílio Leite Couto.
He won the 2014 Neustadt International Prize for Literature and the 2013 Camões Prize for Literature, one of the most prestigious international awards honoring the work of Portuguese language writers (created in 1989 by Portugal and Brazil).

An international jury at the Zimbabwe International Book Fair called his first novel, Terra Sonâmbula (Sleepwalking Land), "one of the best 12 African books of the 20th century."

In April 2007, he became the first African author to win the prestigious Latin Union Award of Romanic Languages, which has been awarded annually in Italy since 1990.

Stylistically, his writing is heavily influenced by magical realism, a style popular in modern Latin American literature, and his use of language is inventive and reminiscent of Guimarães Rosa.

Português)
Filho de portugueses que emigraram para Moçambique nos meados do século XX, Mia nasceu e foi escolarizado na Beira. Com catorze anos de idade, teve alguns poemas publicados no jornal Notícias da Beira e três anos depois, em 1971, mudou-se para a cidade capital de Lourenço Marques (agora Maputo).
Iniciou os estudos universitários em medicina, mas abandonou esta área no princípio do terceiro ano, passando a exercer a profissão de jornalista depois do 25 de Abril de 1974. Trabalhou na Tribuna até à destruição das suas instalações em Setembro de 1975, por colonos que se opunham à independência. Foi nomeado diretor da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e formou ligações de correspondentes entre as províncias moçambicanas durante o tempo da guerra de libertação. A seguir trabalhou como diretor da revista Tempo até 1981 e continuou a carreira no jornal Notícias até 1985.
Em 1983 publicou o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho, que inclui poemas contra a propaganda marxista militante. Dois anos depois demitiu-se da posição de diretor para continuar os estudos universitários na área de biologia.

Além de ser considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, é o escritor moçambicano mais traduzido. Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabué.

Na sua carreira, foi também acumulando distinções, como os prémios Vergílio Ferreira (1999, pelo conjunto da obra), Mário António/Fundação Gulbenkian (2001), União Latina de Literaturas Românicas (2007) ou Eduardo Lourenço (2012). Ganhou em 2013 o Prémio Camões, o mais importante prémio para autores de língua portuguesa.

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51 (5%)
1 star
10 (1%)
Displaying 1 - 30 of 60 reviews
Profile Image for Celeste   Corrêa .
381 reviews325 followers
March 12, 2020

«Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença : é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer.»
Profile Image for Rita.
907 reviews187 followers
January 10, 2018
“Sim, como se diz futuro? Não se diz, na “língua deste lugar de África. Sim, porque futuro é uma coisa que existindo nunca chega a haver. Então eu me suficiento do actual presente. E basta.”

Sou fã de Mia Couto, da sua escrita (criativa) que nos embalada no calor de África, que nos aconchega nas suaves ondas do Índico e que nos desassossega a alma.
Mia Couto não se explica, não se descreve apenas se sente no fundo do nosso ser.
Profile Image for Inês | Livros e Papel.
623 reviews184 followers
February 21, 2021
Leitura para projecto #24horas1livro

Zeca Perpétuo, pescador reformado e viúvo enche-se de amores pela vizinha Luamina, que dá capa ao livro, através das ilustrações de João Nasi Pereira.

Uma pequena mas encantadora história sobre a vida de várias pessoas que se cruzam, cheia de cultura e raízes moçambicanas.
Profile Image for Ana Carvalheira.
253 reviews69 followers
April 2, 2021
Sei que Mia Couto é um dos maiores representantes da literatura moçambicana dos últimos anos. Sei que a sua prosa, com uma extraordinária inventividade na construção de neologismos fez dele um dos autores mais significativos no panorama da literatura africana e mundial. Sei que possui uma imaginação excedível ao comum dos autores. Sei também que nunca lera nada da sua autoria (tirando alguns excertos partilhados nas redes sociais).

O que não sei é que porque razão levei tanto tempo para ler um título da sua extensa obra. Foi preciso um querido amigo me enviar, nestes tempos de pandemia e confinamento, este “Mar Me Quer”. No paradoxo do mal – mar - me quer crendo ele, sem razão, num despotismo meu, o que não corresponde à mais total e absoluta realidade. Apenas temos os nossos tempos em que preferimos marcar na agenda da vida a nossa própria presença, com os nossos ressentimentos, com as nossas dores de alma não significando, porém, o alheamento em relação àqueles que nos são mais caros. Se assim fôssemos, seríamos apenas seres egoístas sem qualquer tipo de empatia, amizade, simpatia e reconhecimento por todos aqueles que nos fazem bem. Embora os meus defeitos sejam bem maiores que as minhas virtudes, há algo que sei que não sou de todo: ingrata. Sinto-me agradecida por todos aqueles que me fazem bem, que se preocupam comigo, que fazem de mim um ser abençoado e que me dão o privilégio de participar nas suas vidas, como amiga, confidente, como alguém que estará sempre presente para amparar as suas mágoas. Se tiveres nem que seja um amigo assim, tem-te como alguém, especial. Eu tenho, posso afirmar sem qualquer dúvida! Pelo que pude ler em resenhas de amigos por aqui, esta história tem precedentes que desconheço. Por isso, apenas posso revelar o que esta me acrescentou.

Depois deste introito que tinha de fazer em forma de agradecimento a essa pessoa para mim muito especial, sinto agora a necessidade de revelar o que este “Mar Me Quer” me trouxe. Este conto de Mia Conto é algo mágico, extante, diria, fantástico (não no sentido do inacreditável), com o paradoxo do humor e do drama, todos esses elementos condensados em apenas sessenta e oito páginas de puro prazer.

Trata-se de um momento da história de Zeca, filho de Agualberto Salvo-Erro (adoro a nomenclatura), neto de Celestino cujos pensamentos e conceitos nos surgem no início de cada capítulo fazendo-nos compreender a importância da passagem das tradições de avô para neto, e de Dona Luarmina, sua vizinha e modelo da mulher difícil de conquistar. “Me deixa sossegada, Zeca, Não vê que já não desengomo lençol?” Delicioso. “Que ideia, vizinha? Quem lhe disse que eu tinha essa intenção?” Duplamente delicioso, confessando Zeca que “muitas das visitas são para lhe caçar um descuido na existência, beliscar-lhe uma ternura. Só sonho sempre o mesmo embrulhar-me com ela, arrastado por essa grande onda que nos faz inexistir. Ela resiste, mas eu volto sempre ao lugar dela”. Atenuante? Mas Luarmina não está para comiserações.

Arrastado por essa grande onda que nos faz inexistir … sublime!!

Ela resiste, mas eu volto sempre ao lugar dela … a importância e a necessidade dos afetos, acrescentados ou subtraídos!!

Outro momento que me tocou nesta narrativa foi a contestação de que “Sim, como se diz futuro? Não se diz nesta língua deste lugar de África. Sim, porque o futuro uma coisa que existindo, nunca chega a haver. Então eu me suficiento do atual presente. E basta”. Se todos tivéssemos essa presença de espírito, seríamos todos menos infelizes.

Mais um momento de extraordinária beleza e contestação da realidade: “Em novos, só nos ensinam o que não serve. Em velhos, só aprendemos o que não presta”. Verdade!!

Continuando na mesma ideia, somos surpreendidos por esta reflexão: “Mas é pena que eu e a vizinha não nos simetricarmos. Porque ambos somos semivúvos: nunca tivemos companheiros, mas esse parceiro, mesmo assim, desapareceu. Sou mais novo que ela, mas já estamos ambos na encosta de lá em que a vida só mexe quando é a descer.

E é aqui que esta narrativa faz sentido para mim: “Restava-me a presente figura de Luarmina , gorda e engordurada. A mulher, por razões de angústia, se deixara acumular, quilos sobre o peso. Eu entendo: uma boa maneira de esconder a tristeza é cobrirmo-nos de carne. O sofrimento é fatal quando atinge os ossos. Chegada aí, a tristeza se apressa em virar esqueleto”.

Vale mesmo a pena perder uma ou duas horas na leitura de “Mar Me Quer” pois “perdi o tempo, mas o tempo esse é que não se esquece de mim”.
62 reviews
April 19, 2010
"Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer."

É assim que começa este livro com que me deliciei numa manhã de domingo ao pequeno almoço.
Profile Image for Márcio.
683 reviews1 follower
January 31, 2022
3.5/5

Zeca e Luarmina moram em algum lugar na costa de Moçambique. Ele tem uma casa que crê nem se poderia ser chamada de casa. Ela é sua vizinha. Ele morre de desejos por ela. Ela, que foi bela, se tornou uma senhora rotunda. Sempre que o negro Zeca tenta se aproximar da morena Luarmina, ela o repele, mas pede para que lhe conte uma história de sua vida. É assim que ele se recordo do pai, que nunca lhe chamou de filho, e que ficou cego quando pulou no mar para salvar sua bela amante, que desapareceu nas águas. Seu pai, ao morrer, lhe pede que leve sempre alimentos e coisas e jogue ao mar para a sua amante. Muitas outras histórias surgem, algumas mais alegres, outras nem tanto.

Assim passam-se os dias, até que Zeca percebe que o fim está próximo, pois não pôde mais cumprir a promoessa feita ao pai. Luarmina pode lhe salvar, mas como?

O interessante do texto é a linguagem utilizada pelos dois protagonistas, cheias de falas aparentemente dos moçambicanos mais humildes, que usam da língua como lhes apraz, como qualquer falante de qualquer de qualquer língua.
Profile Image for André Gomes.
28 reviews4 followers
January 2, 2018
Um livro curto, mas tocante, que mistura o real com a fantasia. A acção desenrola-se com avanços e recuos temporais, num enredo simples, ornamentado com profundas reflexões: identitárias; 'edipianas'; o Homem Natural, etc.

"A lágrima é o mar acariciando a sua alma. Essa aguinha somos nós regressando ao primeiro ventre" - Luarmina
Profile Image for Tessa.
481 reviews34 followers
September 14, 2018
I've always wanted to read something by Mia Couto, because I had been told he had a very specific way to write, some people loved it, some people did not. I fall on the first category, I fell completely in love with his writing, the way it sounds so poetic, yet so crude, so real. So beautiful...

And this short story is probably the best short story I've ever read. It was a story about a man living with the ghosts of his past, with the loss of a loving father, with a broken promise, with a past crime, with a future love. The story of how the sea takes away the pain and brings back home when you least expect it.

It's the story about love, loss, pain and death. A story that sounded so real, I could feel the character's suffering, their hopes, their dreams, their fears. If all books Mia Couto writes are as beautiful as this little story, he has my heart!

“Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer.”
Profile Image for Ani Arrigo (anientrelibrosymates).
155 reviews18 followers
March 18, 2025
Es un libro breve pero no se, no me llego al corazón. Quizá porque esta escrito con una prosa muy poética y ese tipo de libros me cuestan un poco mas.
Empatice mucho mas con ella que con el.
Al no terminar de conectar con los personajes, hubo una parte de la historia que no pude terminar de comprenderla. Una lastima, quería que me gustase.
Profile Image for Isabel.
172 reviews
February 11, 2022
"...Dona Luarmina, aliás Albertina da Conceição Melistopolous, já foi bela de espantar a homenzarrada."

"Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer."

"Só bem depois de me retirar das pescarias é que dei por mim a encostar desejos na vizinha."

"Minhas visitas são para lhe caçar um descuido na existência, beliscar-lhe uma ternura."

"A vida é tão simples que ninguém a entende."

"...futuro é uma coisa que existindo nunca chega a haver."

"Em novos só nos ensinam o que não serve. Em velhos só aprendemos o que não presta."

"Hoje sei como se mede a verdadeira idade: vamos ficando velhos quando não fazemos novos amigos. Estamos morrendo a partir do momento em que não mais nos apaixonamos."

"E a dança, já disse, é melhor maneira de fugir do tempo."

"... ela não me peça lembranças. Eu quero é matar o passado, essa mulher tem que me deixar cometer esse crime. Caso senão é o passado que me mata a mim."

"Só lhe interessa as antiguidades de que fiz parte [Zeca Perpétuo]"

"Esperta é a árvore que não mexe e dança a sombra dela no planeta inteiro.

"Não me chame de flor que me dói. A semente é a única pegada da flor. E eu não deixei filho neste mundo."

"... queria crescer de si mais gente, ter filhos, nascer-se em outras vidas."

"...a noite é uma carta que Deus escreve em letrinhas miuditas."

" Minha velha teve morte instantânea? Ou não será que toda a morte é instantânea?

"O senhor pode ter sido acarinhado por mão, por lábio, por corpo, mas nenhuma carícia lhe devolve tanto a alma como a lágrima deslizando. (...) A lágrima é o mar acariciando a sua alma."

"Eu sei que me chegou a hora [Agualberto Salvo-Erro]. Mas não quero morrer num só lugar. Não posso acabar todo inteiro num único lugar. Já tenho os sítios onde irei morrer, um bocadinho em cada um."

"Todas as vezes que a gorda mulata despetalou flores, nesse mar me quer-bem me quer, afinal, era já o meu amor que desfiava aquele gesto dela?"

"Levei-o para o interior de um bosque onde ele carpinteirara as madeiras do seu primeiro e único barco. O velho rodou pela clareira, apalpou cada um dos troncos como se fosse corpo de mulher. E chamou cada uma das árvores por um nome.
-Essa se chama Esperança, essa outra torta se chama Subidora do Sol."

"Como se o mar ensinasse, por fim, minhas lembranças a adormecer. Como se a minha vida aceitasse o supremo convite e fosse saindo de mim em eterna dança com o mar."

"- Não. És tu que estás a chorar.
- Chorar, eu? Começou foi a chover."
Profile Image for Leyendoalmundooficial.
339 reviews5 followers
December 14, 2024
Una historia de amor “Usted, mi buena señora doña, no sabe cuánto enriquece mi retina”, y del lenguaje de los recuerdos y el mundo onírico “Nada menos que yo, ¡que ni me acuerdo nunca de los sueños que me visitan mientras duermo! Es que tenemos horarios diferentes: yo y el sueño.”

Zeca y Luarmina son vecinos, semiviudos porque nunca se casaron pero ya están en la edad de “la cuesta del lado de allá, en la que la vida solo se mueve cuando es para descender. En su intento por conquistarla va narrando historias pero ella le pide que sea preciso con lo que le cuenta, que sean verdaderos recuerdos y no solo inventos.

Muchas veces describimos narrativas con prosa muy poética, Couto es un experto en eso, ya que hay dos características primordiales en la literatura de Couto, una de ellas es la utilización de epígrafes de los personajes de la novela, en esta novela utiliza los proverbios y dichos del abuelo del protagonista como “lanzamos el barco, soñamos el viaje: quien viaja es siempre el mar.” o “chimenea que construyera en mi casa no sería para que salga el humo, sino para que entre el cielo”.
La otra es la invención o conjunción de palabras, empezando por el título, que en portugués margarita es malmequer, y de ahí el juego de palabras malmequer y bem-me quer (me quiere, no me quiere), pero Couto le agrega el elemento mar, escribiendo así marmequer. Y de esa forma va tejiendo palabras que nutren la narrativa, como “el tiempo estaba encabriagitado” o “las mujeres xiculunguelaban (ululaban, en manifestación de alegría).” o “un pez enamordisqueando el anzuelo."
Y si eso no lo consideran prosa poética, aquí hay una pequeña muestra de las metáforas que utiliza “sus ojos estaban del mismo color del mar: azules, de transparencia marina. Su humanidad estaba lavada a manera de pez”, o “el día comienza siempre de mentira, porque el sol solo finge nacer", o “el día del funeral, el tiempo cambió. Sin explicación, el cielo se volvió invierno”.
Profile Image for Juan Carlos López Domínguez.
741 reviews2 followers
December 4, 2024
¡Que relato corto tan poético y entrañable! Lleno de simbolismo y realismo mágico, de allá lejos, de alguna región de Mozambique (Africa); lugar de origen del autor a quien le acaban de otorgar el Premio de la FIL Guadalajara en Lenguas romances (2024).
El relato está lleno de aforismos y frases hermosas con significado profundo.
La trama: Un pescador 'jubilado' pasa sus días en la pereza, casi esperando el final de su vida. Convive con su vecina, una mulata de redondeces gruesas (quien "casi no ha tenido existencia", dice ella). Entre ellos hay una relación picante y emotiva.
Diversos pasajes mágicos, algunas muestras: el papá del pescador intenta salvar del mar a una mujer que ama, cuando regresa a tierra, sus ojos empiezan tornarse azules como el mar. En otro pasaje, el papá le pide a su hijo que los lleve a recorrer varios lugares porque siente que ya va a morir y no quere morir solo en un sitio, quiere ir muriendo en lugares importantes para él. Al final, llegan al mar y le dice a su hijo que lo deje solo, ya no necesita que lo acompañe, ya están en el mar y no necesita indicaciones. Su hijo sabe que ahí morirá, respeta su decisión y lo deja partir.
Al final, el pescador, descubre que la mulata fue la mujer que amó su padre.
Profile Image for Cláudia Santos.
73 reviews16 followers
July 5, 2017
Mar me quer é um conto, um conto especial, cheio da magia indolente dos ritmos africanos de viver. Mia Couto não escreve, ele entrega-nos uma história através da melodia. É doce a sua escrita, é como uma brisa suave no nosso rosto quente.

É cheio de nostalgia sem choro. Cheio de emoções que já não se exaltam. Calmas, é um conto que nos acalma e nos leva assim de mansinho.

Não custa ler, é como se Mia Couto estivesse a falar connosco. A sua escrita não revela qualquer esforço de composição frásica. É simples, simples. São usadas expressões que não existem no português escrito de Portugal, mas que me fizeram fechar os olhos de tão lindas e tão certeiramente aplicadas, retiram a carga negativa e carregam-na da aceitação de vida, tal como ela é.

Aqui ficam exemplos:
Já se antigamentara = já morrera
Minhas visitas são para lhe caçar um descuido na existência = apanhá-la desprevenida
Esse serviço de confeitar vestes = ser costureira

É mágico, Mar me quer....
Profile Image for Anderson Brum.
78 reviews
December 31, 2021
"Mar me Quer" foi a minha primeira leitura de um livro de Mia Couto, outro autor que pretendo ler mais em 2022.

É um livro curto e muito bom, são feitas diversas reflexões sobre a África ao longo dos 8 capítulos da obra. Aliado a isso, tem-se algumas discussões bem filosóficas feitas durante a obra que termina com um plot twist que eu não estava esperando.

Minha quote favorita foi:

"Hoje sei como se mexe a verdadeira idade: vamos ficando velhos quando não fazemos novos amigos. Estamos morrendo a partir do momento em que não mais nos apaixonamos."

Eu dou 3,5 estrelas para o livro, mas aqui deixarei 3 porque se aproxima mais disso. Além disso, certamente irei ler mais obras de Mia Couto no próximo ano. Penso que essa foi uma ótima introdução para as suas narrativas.
Profile Image for Chucho LDR.
222 reviews4 followers
January 14, 2025
Esta es una lectura rápida, pero que te atrapa rápidamente. Los intentos de Zeca por enamorar a su vecina Luarminha lo llevarán a reflexionar sobre su pasado, mismo que asombra al lector, pues hay giros en la historia que no se esperan.

Si buscas un texto breve para entretenerte, esta es la opción, pues esta obra no solo te lleva por el pasado del protagonista, también te permite reflexionar con muchas frases y dichos que se plasmaron. Ya que es un libro breve debería estar en la lista de lecturas de muchas personas, en especial de aquellos que, como yo, buscamos conocer el mundo (es decir, ir más allá de la esfera occidental) por medio se la literatura.
Profile Image for NenaMounstro.
331 reviews1,555 followers
August 28, 2025
En un brevisimo relato conocemos a una mujer misteriosa que no se deja querer por el pescador, ese pescador entrado en años que traicionó a su papá al no cumplir la promesa que le hizo cuando él se queda ciego por una ¿maldición?. La mujer le pide que le cuente su pasado pero él le pide "déjame matarlo, no quiero recordarlo".... ¿qué tiene que ver esa mujer con esa traición a su padre, porque Luarmina necesita saber la otra parte de la historia?

Fenomenal.
Profile Image for Carmen.
74 reviews
December 28, 2021
"Cuando no somos nosotros los que inventamos el sueño, es él quien nos inventa a nosotros".

Mia Couto no deja de ser poeta, aun y cuando escriba narrativa. Entre los dichos del abuelo Celestiano y los secretos de Luarmina y Zeca se entretejen -bella y misteriosamente- los vaivenes del mar, la vida y la muerte.
Profile Image for Liliana Zapata.
149 reviews1 follower
September 23, 2025
Algo en lo que no llegamos a pensar es como amar siendo viejos, o encontrar compañía que genere tranquilidad. Es lo que ocurre con Zeca y Luarmina, una vida junto al mar, últimos años y los secretos.

Querer conocer el pasado del otro, y también permitirle matar ese pasado que duele, olvidar.

Corto y bello.
Profile Image for Marta Santana.
2 reviews3 followers
September 11, 2024
“Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer.”
Profile Image for Tutti Frutti.
13 reviews1 follower
September 18, 2025
En un relato breve se escribe toda una vida o en este caso vidas. Me hace preguntarme inevitablemente si la vida es tan solo eso, una cosa breve. Y en cómo las coincidencias, las pasiones y los miedos son los que permanecen a pesar de la muerte.
Profile Image for Felinto.
14 reviews3 followers
November 6, 2017
Ótima leitura. Triste e curiosa, marcada com a assinatura do autor.
Profile Image for Alexandra Maia E Silva.
430 reviews
November 29, 2018
Não tem nada de surpreendente
Lembra outros dele e de autores brasileiros
Não percebo porque é que está no plano nacional de leitura
Profile Image for Rita M.
23 reviews18 followers
July 21, 2019
A lágrima é o mar acariciando a sua alma. Essa auguinha somos nós regressando ao primeiro ventre.

O coração é uma praia.
Profile Image for Rita.
170 reviews6 followers
October 26, 2019
Mia Couto é tão doce. Estamos a ler algo tão triste, mas ele é tão ternurento a escrever que qualquer lágrima que possa surgir acaba por ser abraçada:)
Displaying 1 - 30 of 60 reviews

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