Romance de aventuras frequentemente animado por sopro épico; romance político sobre os anos dramáticos vividos pelo Brasil e pelo Chile, cujos governantes eleitos foram depostos de forma implacável por golpes militares; romance de formação em que os protagonistas juvenis realizam uma áspera aprendizagem da vida, conhecendo o exílio, a dor, o medo, a impotência, a traição, mas também a audácia, a camaradagem, o amor e o heroísmo nas ações cotidianas; romance de desilusão, do fracasso revolucionário, das subjetividades fraturadas, ainda que a esperança se renove no final do texto; romance de vanguarda marcado por procedimentos inovadores, quebra da linearidade temporal e espacial, bruscas mudanças de foco, múltiplas vozes narrativas , uso intenso do monólogo interior e da montagem cinematográfica; romance que absorve, registra e sintetiza uma época, ao mesmo tempo em que a inventa, O amor de Pedro por João é uma dessas ficções de larga abrangência que persistem para sempre na memória dos leitores.
Amazing book but also kinda difficult to follow its narrative that is consisted of lots of characters in differents periods of time. If anyone who has read this book wants to share opinions with me, please, be welcome, because I really need some enlightenments.
O Amor de Pedro por João foi o segundo romance publicado por Tabajara Ruas, em 1982. Assim como seu livro de estreia, A Região Submersa, um “noir” desobediente que inicia como um policial e se torna no decurso da trama uma sátira carnavalizada (hoje talvez dissessem “pós-moderna”) à ditadura brasileira ainda em pleno vigor, foi um romance escrito enquanto o autor morava na Dinamarca, como um dos exilados que ele retrataria no livro. Trabalhava como lavador de vidraças em um hospital das seis da manhã às duas da tarde e no restante do tempo escrevia. Como disse o próprio Tabajara a este colunista numa entrevista sobre sua obra realizada há 10 anos, em 2013:
“É um livro de ficção, embora baseado na minha experiência pessoal. As pessoas que estão ali, algumas eu conheci. Algumas das histórias me foram contadas, outras eu testemunhei de longe, mas, de certa maneira, é um testemunho daquela época. E me consola que os meus camaradas da época até hoje consideram o livro uma obra séria sobre a experiência que a gente viveu, de enfrentar uma ditadura, de padecer o exílio, circular pelo mundo sem documento. E pelo menos essa turma que viveu isso aí sempre me fala do livro com respeito, até com afeto, o que me deixa muito contente.”
É um acerto de contas de Tabajara Ruas com as ilusões, as ingenuidades e os fracassos de sua geração. Apropriando-se com ganas da vibrante corrente experimental que corria na literatura brasileira do período, é um romance que se constrói de uma forma enganosamente caótica – e ao mesmo tempo em que se apropria de elementos usados por gêneros de consumo popular, como o thriller e a narrativa de espionagem, promove a crítica de seus modelos na forma mesmo como estrutura a narrativa – entrecortada, misturando espaços e cronologias com uma linguagem de corte, elipse e montagem que deve muito ao próprio cinema (não foi por acaso que nos anos seguintes o escritor enveredou ele próprio pela direção cinematográfica).
Um livro histórico, a ambientação muito boa! Quase desisti no começo porque os capítulos simplesmente não tem ordem, parece que o autor escreveu o livro, embaralhou os capítulos e mandou pra editora.
Não posso tentar dizer que não é um bom livro. Tem uma escrita impressionantemente boa, com uma história interessante e personagens complexos. Além de mostrar a barbárie das ditaduras tanto chinela quanto brasileira. Porém é muito difícil de acompanhar, parecendo que depois de montado o livro o autor misturou os capítulos de forma aleatória e mandou para o editor assim mesmo, mais a óbvia preferência política esfregada na cara do leitor.