“Shadow, o Confronto” é o livro de estreia desta jovem escritora, que nos transporta para um mundo de magia, fantasia e mistério, povoado de elfos, duendes e gnomos, criaturas de um mundo fantástico e deslumbrante, no qual imperam sonhos, aventuras e emoções.
Enredados em incríveis jogos de poder, autênticos labirintos sufocantes que os obrigam a ultrapassar inúmeros obstáculos, Shadow e Niadji aprendem o valor da lealdade, da abnegação e, acima de tudo, do amor, assente na partilha e na cumplicidade.
Auxiliados por um cortejo de figuras fascinantes, vivendo aventuras mirabolantes e absolutamente surreais, em que o Bem e o Mal se confundem e se misturam vezes sem conta, fazendo-os questionar-se sobre a essência do Ser, os dois jovens emaranham-se nas suas próprias emoções, culminando na verdadeira descoberta do seu íntimo.
A ideia inicial do livro está mesmo muito boa. Até meio do livro eu estive muito entusiasmada e achei que ia mesmo ser um bom livro de fantasia. Até que de repente, comecei a achar a história um pouco confusa e "fácil".
Passo a explicar; Shadow, o Confronto fala-nos de um jovem rapaz - Shadow - que, após a morte da Rainha de toda a Natureza, descobre que esta era sua mãe e que quem a matou foi o seu pai, Thor. Entretanto, ganha um amigo novo (que depois ganha outra importancia), Stumpy, uma criatura deveras amorosa e pela qual me apaixonei logo! Pena que a sua participação a partir de metade do livro foi quase nula...
Quando Shadow decide sair de casa na sua demanda para vingar a mãe, encontra amigos, Niadji e Elliaw, e inimigos que lhe vão dificultando a tarefa de quebrar a maldição lançada pela terra.
Conhecemos o mundo que a autora criou, com elfos, gnomos, knarls, etc., e que neste aspecto está muito engraçado e até original. O livro é fácil de ler, a escritora tem uma escrita simples e sem grande floreados, mas tornou tudo muito fácil. No meio de tantas maldições e amizades, foi fácil o "mau" ganhar ao "bem" e vice-versa em cada altura. Penso que a escritora podia ter elaborado mais. A impressão com que fiquei foi que, a determinada altura, a sua escrita ficou ansiosa, querendo que a história andasse para a frente o mais depressa possível. Mesmo assim, posso dizer que é uma história bastante agradável em que não se perde nada em ler.
Joana Miguel Ferreira é, assim, uma autora a ter em conta dada a sua tenra idade (19 anos) e este ser o seu primeiro livro. Penso que tem todo o potencial para se tornar uma boa escritora de fantasia. Os ingredientes estão todos lá, falta só cozinhá-los um pouco melhor! Vou ficar atenta a esta escritora.
Para terminar a minha review, gostaria de fazer um pequeno reparo: deviam ter mais cuidado com as revisões!! Livros com omissões de letras, trocas de nomes e singulares em vez de plurar e vice-versa, tornam-se desagradáveis à vista... Se queremos dar oportunidade aos nossos jovens escritores, não podemos deixá-los mal, nem nestes pequenos aspectos.
"Shadow, o Confronto" revela-se, essencialmente, um dilema. Ao terminar a sua leitura, não consegui definir, ao certo, o que dizer, pensar e mesmo sentir relativamente à sua história. Tinha gostado, disso não tinha dúvida, mas sentia uma espécie de vazio. Faltava ali qualquer coisa para ser um bom livro, um livro que eu pudesse fechar no fim e dizer: "uau".
Essa qualquer coisa era mais "palha". É um tanto irónico, bem sei. Um leitor tanto se queixa de um livro ter palha a mais, como também se queixa de não ter palha suficiente. Neste caso, Joana Miguel Dias limitou-se a escrever o essencial, sem nunca atrasar a história com grandes descrições, quer das personagens, quer dos lugares, quer dos sentimentos.
Estando habituada a obras com mais "palha" deste género, achei que foi tudo muito pouco elaborado e que a história poderia ter sido muito melhor conseguida, caso a escritora pudesse aperfeiçoar a sua escrita, adornando-a com mais descrições e outro tipo de informação que completasse a história.
A verdade é que a ideia para a história está muito boa e o final, esse então, está fora de série. Fazem falta livros com finais como este, em que nem tudo é cor-de-rosa e não se vive feliz para sempre. Contudo, como referi, teria sido um livro bom, daqueles de fechar e dizer "uau", caso tivesse mais palha e não se restringisse ao relato das acções das personagens. Fazem falta, para fomentar a leitura, algumas descrições ou, quem sabe, histórias do passado das personagens. Descrições de sentimentos, de locais, de personagens... Forçar a história não funciona, portanto, o pretendido era manter-se fiel à ideia original, dando-lhe apenas um toque de suspense através de uma pequena carga de "palha".
De resto, não tenho grande coisa a acrescentar. Foi um livro leve, muito fiel ao mundo de Tolkien e a uma fantasia que já muitos conhecem. No entanto, é sempre interessante conhecer a perspectiva dos escritores portugueses nesta área!
Dou os meus parabéns à Joana, que mostrou ser uma boa aposta na literatura portuguesa: só lhe falta mesmo a parte do desenvolvimento! De resto, não há nada a apontar. A escritora tem ideias diferentes e, embora se mantenha fiel ao mundo do fantástico de Tolkien, consegue dar-lhe um outro ar. No meio de tanto livro sobre elfos, criaturas mágicas, guerreiros e afins, é sempre bom ter uma perspectiva diferente como a da Joana. "Shadow, o Confronto" é, neste sentido, uma lufada de ar fresco. Uma leitura agradável para todos os apreciadores de literatura fantástica.
Sarabudja sabe que sou apaixonada por livros. E sabe que sou apaixonada por literatura do fantástico. Ofereceu-me, por isso, este livro duma jovem autora portuguesa. Ou melhor, duma jovem, sendo ainda jovem, ainda o era mais em 2009, quando, aos 19 anos, editou Shadow (ainda mais jovem era quando o começou a escrever, aos 15, tendo-o terminado aos 17 anos). Uma surpresa agradável que se torna menos boa quando se percebe que Joana Miguel Ferreira não voltou a editar livro algum, o que é uma pena.
Confesso que se nota alguma imaturidade na escrita deste livro, perfeitamente normal considerando a idade da autora e o facto de ser o primeiro que escreveu. Creio que, se tivesse continuado a fazê-lo, teria a sua escrita teria crescido e que hoje seria uma autora a acompanhar porque os traços de boa-escrita estão lá.
Sendo um livro de fantasia, peca um pouco por não ter as descrições necessárias a entender um mundo fantástico. Já o disse aqui, uma das razões por ser apaixonada por Anne Bishop prende-se exactamente com isso - cada um dos universos que a autora nos apresenta é apresentado antes do inicio do livro com uma pequena história, a sua geografia, termos habituais, etc. Os fãs de fantasia sabem que esses pequenos detalhes ajudam a enquadrar o livro e a torna-lo ainda mais apetecível. Shadow falha nesse aspecto.
A história é original e o final surpreendente. Gosto de livros que fogem ao "e viveram felizes para sempre", porque, mesmo que os livros sejam de fantasia/fantástico, esses finais aproximam-se da vida real.
Reitero que tenho pena que Joana Miguel Ferreira não tenha escrito mais. Seria interessante acompanhar o crescimento desta autora que mostra tanta capacidade.