Saramago e a sua ironia, love it
já há algum tempo que tinha este livro na lista e sabia que o iria querer ler em 2024. e em janeiro pensei, “porque não criar uma iniciativa? assim posso ler com mais pessoas”. com certeza já viram outras partilhas, e não há muito mais que eu possa dizer sobre o livro.
a noite, do nosso mestre, foi a leitura principal do #abrilcravosmil e não poderia estar mais satisfeita com a minha escolha. continuo a deparar-me com saramagos diferentes e a surpreender-me, sempre. já sabia que ia gostar e mesmo assim, houve espaço para transcender em muito as minhas expectativas. Saramago é genial.
está presente a ironia a que sempre nos habituou, e é em Torres, o redator da província, que combina os seus valores, a sua voz revolucionária, as críticas ao regime e consequentemente a crítica ao controlo e manipulação da informação. gosto de pensar que teria tido a coragem de ser um torres, ou até mesmo uma cláudia, se tivesse vivido o 25 de abril.
vivemos tempos em que o cheiro a bafio aumenta, e isso assusta-me, imensamente. não entendo como existem pessoas que afirmam “no tempo do salazar é que era…”: não existia neutralidade, objetividade, liberdade na imprensa, liberdade de expressão, liberdade para ser ou viver; havia pobreza e analfabetismo. mas ontem alegrou-me ver as ruas cheias de gente a defender este nosso direito, este marco da nossa história, que é talvez o mais bonito. Viva à liberdade! Fascismo nunca mais ✊🏻🌹
aproveitei para ir assistir à peça de teatro, com um elenco maravilhoso e foi uma ótima maneira de encerrar esta leitura.
ontem foi dia 25 de abril e eu já quero avançar para o próximo ano, para poder ler esta peça novamente.