Nesta obra, Marilena Chaui analisa as representações que estruturam a ideia de Brasil desde a colonização até o presente, defendendo que a sociedade brasileira se organiza a partir de um mito fundador que naturaliza a desigualdade, a violência social e o autoritarismo. Essa narrativa apresenta o país como um "dom de Deus e da natureza", pacífico, harmonioso, mestiço e sem conflitos profundos, ocultando as relações históricas de dominação, discriminação e exploração.
Ao analisar símbolos nacionais, discursos sobre identidade e celebrações cívicas, Chaui mostra como esse mito se atualiza ao longo do tempo, funcionando como um mecanismo ideológico que bloqueia a percepção das divisões sociais e legitima a concentração de poder do Estado. Assim, este livro propõe uma leitura crítica da formação nacional, revelando como a exaltação da unidade e da cordialidade convive com a exclusão, com o racismo estrutural e com a fragilidade da democracia.
Formou-se em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), da qual é professora aposentada e onde coordena o Grupo de Pesquisa de Estudos Espinosanos. Dedicou seus estudos à História da Filosofia Moderna e à Filosofia Política, produzindo importantes obras sobre as filosofias de Espinosa e de Merleau-Ponty e sobre as questões da democracia e da crítica da ideologia. Ministrou cursos nas universidades de Paris, Pisa, Bolonha, Córdoba (Argentina), Stanford e Columbia. Foi Secretária Municipal de Cultura de São Paulo (1989-1992) e membro do Conselho Nacional de Educação (2002-2006). Recebeu o prêmio da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) pelo livro Cultura e democracia; o prêmio Jabuti por Convite à Filosofia (que já vendeu mais de 60 mil exemplares) e por A nervura do real. Imanência e liberdade em Espinosa, obra pela qual também recebeu o prêmio Sérgio Buarque de Holanda (Biblioteca Nacional). Um de seus livros mais influentes é O que é ideologia? (Brasiliense), que já vendeu mais de 100 mil exemplares.