Neste livro, Mario Ariel González Porta oferece uma opção didática e metodológica para o estudo filosófico com base no seguinte princípio - a compreensão do problema deve constituir o núcleo essencial, o eixo, do ensino da filosofia. Este é um livro básico, mas não uma introdução, porque pressupõe um contato prévio com a filosofia. O livro propõe uma perspectiva de acesso à filosofia, centrada em explicitar como podem ser melhorados o estudo e o ensino dessa disciplina, com base na experiência de sala e na dedicação do autor à compreensão da filosofia, empenho de uma vida.
Eis um dos melhores livros em língua portuguesa sobre como montar uma aula de Filosofia (ou, de modo mais geral, sobre como ler um texto de Filosofia). A montagem, aqui, não é no sentido formal ou institucional, já que o livro não trata das normas da ABNT, nem nos diz como devemos confeccionar um plano de aula. A montagem é no sentido conceitual, ou seja, sobre como recortar um problema filosófico, contextualizá-lo em seu período histórico, articular os conceitos relevantes, e assim por diante. O livro é tão bem escrito e elucidativo, que o único pesar que eu senti ao final da leitura se deu em função da obra ser curta, pois não chega a 200 páginas.
Em Filosofia a partir de seus problemas, Mario Porta oferece uma metodologia para o estudo, e de certa forma para o ensino, de filosofia baseada na dualidade problema-tese, em que o entendimento do primeiro se constitui como elemento fundamental e primeiro da atividade filosófica.
Na primeira parte, o autor esclarece equívocos comuns acerca do que constitui filosofia e delimita conceitos fundamentais para o estudo da disciplina, a saber, tema, problema, questão e pergunta. O foco e a reconstrução do problema faz total sentido no contexto de aprendizado da filosofia, algo que a princípio não me era óbvio. A partir dessa perspectiva, fica claro que a filosofia é, de fato, um processo de investigação em torno dos problemas, e não uma discussão arbitrária, como muitos acreditam.
Na segunda parte, Porta tenta esclarecer o que foi abordado anteriormente com exemplos que, a meu ver, elevam consideravelmente a complexidade do texto sem necessidade, o que dificulta a exemplificação clara do que foi discutido. O público alvo, eu incluso, desconhece as nuâncias da filosofia contemporânea e da discussão acerca da filosofia das formas simbólicas. Dito isso, o uso desses temas limita o potencial de exemplificação pela simples desassociação com o leitor. Contudo, reconheço que o capítulo sobre Kant cumpriu o que foi proposto pelo autor, diferente dos dois últimos.
Em suma, o livro apresenta uma abordagem metodológica do aprendizado em filosofia baseada na explicitação e na compreensão do problema. Tal abordagem parece-me perfeitamente válida e sinto que a utilizarei nas minhas próximas leituras em filosofia. Dessa forma, a obra é exitosa em seu intuito de proporcionar um entendimento mais rigoroso do estudo filosófico.
Lido para a disciplina de Introdução à Pratica Filosófica. Interessante perspectiva quanto a filosofia, entendida como consumação plena da racionalidade. Diferenciação e delimitação são seus maios para maior clareza.