Vladimir Maiakovski é um dos maiores poetas russos do período moderno, aquele que expressou de maneira mais completa e contundente, no pré e pós-Revolução de Outubro, os novos e contraditórios tempos que irrompiam pelas portas da História e as novas configurações que estes demandavam e assumiam. A presente antologia - agora em sexta edição - já consagrada como a mais representativa transcriação em língua português e comparável às melhores traduções internacionais, desenvolve um traçado sintético da evolução da obra maiakovskiana, no que diz respeito às formas tomadas por sua linguagem, documentando todas as fases deste percurso, desde as primícias do poeta até os últimos versos que escreveu encontrados após o seu suicídio.
Vladimir Mayakovsky (Владимир Владимирович Маяковский) was born the last of three children in Baghdati, Russian Empire (now in Georgia) where his father worked as a forest ranger. His father was of Ukrainian Cossack descent and his mother was of Ukrainian descent. Although Mayakovsky spoke Georgian at school and with friends, his family spoke primarily Russian at home. At the age of 14 Mayakovsky took part in socialist demonstrations at the town of Kutaisi, where he attended the local grammar school. After the sudden and premature death of his father in 1906, the family — Mayakovsky, his mother, and his two sisters — moved to Moscow, where he attended School No. 5.
In Moscow, Mayakovsky developed a passion for Marxist literature and took part in numerous activities of the Russian Social Democratic Labour Party; he was to later become an RSDLP (Bolshevik) member. In 1908, he was dismissed from the grammar school because his mother was no longer able to afford the tuition fees.
Around this time, Mayakovsky was imprisoned on three occasions for subversive political activities but, being underage, he avoided transportation. During a period of solitary confinement in Butyrka prison in 1909, he began to write poetry, but his poems were confiscated. On his release from prison, he continued working within the socialist movement, and in 1911 he joined the Moscow Art School where he became acquainted with members of the Russian Futurist movement. He became a leading spokesman for the group Gileas (Гилея), and a close friend of David Burlyuk, whom he saw as his mentor.
The 1912 Futurist publication A Slap in the Face of Public Taste (Пощёчина общественному вкусу) contained Mayakovsky's first published poems: Night (Ночь) and Morning (Утро). Because of their political activities, Burlyuk and Mayakovsky were expelled from the Moscow Art School in 1914. His work continued in the Futurist vein until 1914. His artistic development then shifted increasingly in the direction of narrative and it was this work, published during the period immediately preceding the Russian Revolution, which was to establish his reputation as a poet in Russia and abroad.
Mayakovsky was rejected as a volunteer at the beginning of WWI, and during 1915-1917 worked at the Petrograd Military Automobile School as a draftsman. At the onset of the Russian Revolution, Mayakovsky was in Smolny, Petrograd. There he witnessed the October Revolution.
After moving back to Moscow, Mayakovsky worked for the Russian State Telegraph Agency (ROSTA) creating — both graphic and text — satirical Agitprop posters. In 1919, he published his first collection of poems Collected Works 1909-1919 (Все сочиненное Владимиром Маяковским). In the cultural climate of the early Soviet Union, his popularity grew rapidly. As one of the few Soviet writers who were allowed to travel freely, his voyages to Latvia, Britain, Germany, the United States, Mexico and Cuba influenced works like My Discovery of America (Мое открытие Америки, 1925). He also travelled extensively throughout the Soviet Union.
The relevance of Mayakovsky's influence cannot be limited to Soviet poetry. While for years he was considered the Soviet poet par excellence, he also changed the perceptions of poetry in wider 20th century culture. His political activism as a propagandistic agitator was rarely understood and often looked upon unfavourably by contemporaries, even close friends like Boris Pasternak. Near the end of the 1920s, Mayakovsky became increasingly disillusioned with the course the Soviet Union was taking under Joseph Stalin: his satirical plays The Bedbug (Клоп, 1929) and The Bathhouse (Баня, 1930), which deal with the Soviet philistinism and bureaucracy, illustrate this development.
On the evening of April 14, 1930, Mayakovsky shot himself.
Esse livro é uma coletânea de poemas de Maiakóvski com tradução de Haroldo de Campos e Augusto de Campos.
Maiakóvski Poeta revoltado, polêmico , agressivo e inflamado, tornava se rancoroso por qualquer coisa que não lhe agradava. Os seus escassos 37 anos de vida, foram suficientes para ele mostrar toda a sua maestria e refinamento, se suicidou em 1930 com apenas 37 anos.
Abaixo transcrevo o poema que mais me encantou:
“Afora o teu amor para mim não há mar, e a dor do teu amor nem a lágrima alivia.Quando o elefante cansado quer repouso ele jaz como um rei na areia ardente. Afora o teu amor para mim não há sol, e eu não sei onde estás e com quem. Se ela assim torturasse um poeta, ele trocaria sua amada por dinheiro e glória, mas a mim nenhum som me importa afora o som do teu nome que eu adoro. E não me lançarei no abismo, e não beberei veneno, e não poderei apertar na têmpora o gatilho. Afora o teu olhar nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.”
Namoral, tô dilacerada. Mas pra falar a verdade não esperava menos. Leitura incrível.
""Fumo de tabaco rói o ar. O quarto - um capítulo do inferno de Krutchônikh. Recorda - atrás desta janela pela primeira vez apertei tuas mãos, atônito. Hoje te sentas, no coração - aço. Um dia mais e me expulsarás, talvez, com zanga. No teu hall escuro longamente o braço, trêmulo, se recusa a entrar na manga. Sairei correndo, lançarei meu corpo à rua. Transtornado, tornado louco pelo desespero. Não o consintas, meu amor, meu bem, digamos até logo agora. De qualquer forma o meu amor - duro fardo por certo - pesará sobre ti onde quer que te encontres. Deixa que o fel da mágoa ressentida num último grito estronde. Quando um boi está morto de trabalho ele se vai e se deita na água fria. Afora o teu amor para mim não há mar, e a dor do teu amor nem a lágrima alivia. Quando o elefante cansado quer repouso ele jaz como um rei na areia ardente. Afora o teu amor para mim não há sol, e eu não sei onde estás e com quem. Se ela assim torturasse um poeta, ele trocaria sua amada por dinheiro e glória, mas a mim nenhum som me importa afora o som do teu nome que eu adoro. E não me lançarei no abismo, e não beberei veneno, e não poderei apertar na têmpora o gatilho. Afora o teu olhar nenhuma lâmina me atrai com seu brilho. Amanhã esquecerás que eu te pus num pedestal, que incendiei de amor uma alma livre, e os dias vãos - rodopiante carnaval - dispersarão as folhas dos meus livros ... Acaso as folhas secas destes versos far-te-ão parar, respiração opressa? Deixa-me ao menos arrelvar numa última carícia teu passo que se apressa."" (1916, Maiakovski)
Si el poema es un contenedor de fuerzas que no dejan de derramarse, mancharse entre sí y esparcirse, pocos contenidos lo llenan tanto de intensidad como el deseo de atraer nuevos imposibles desde una revolución del presente.
Maiakovski foi um poeta excepcional. Seus poemas são armas que trazem a esperança renovada ainda hoje (como ele mesmo previu na sua "Conversa Sobre Poesia com o Fiscal de Rendas": "A palavra do poeta é a tua ressureição,/ a tua imortalidade, cidadão burocrata./ Daqui a séculos, do papel mudo/ toma um verso e o tempo ressuscita."). Poeta do proletariado soviético cantou contra as amarras de um mundo caduco e manteve seu inconformismo intacto através do tempo. O poema "A Sierguéi Iessiênin" é de uma beleza única e confirma todas essas facetas de Maiakovski:
"Por enquanto há escória de sobra O tempo é escasso - mão à obra, Primeiro é preciso transformar a vida para cantá-la em seguida. [...] Para o júbilo o planeta está imaturo É preciso arrancar alegria ao futuro Nesta vida morrer não é difícil O difícil é a vida e seu ofício."
As traduções de Haroldo e Agusto de Campos e de Boris Schnaiderman são incríveis. A ideia de utilizar um citação de Roberto Carlos no poema sobre o sol (de título longuíssimo), tendo sido esse o mesmo poema que inspirou Caetano a escrever "Gente" é simplesmente genial.
A seleção de poemas poderia ser melhor, talvez mais vasta na obra de Maiakovski (senti falta do poema Amo (Liubliu) - de que Augusto fala em um dos textos finais e que considero um dos mais bonitos de Maiakovski ("mas comigo a anatomia ficou louca, sou todo, todo coração").
uma coisa excelente. 3 traductores em que deposito a máxima confiança tratando um poeta que me é muito querido.
gosto do livro como um diálogo, mas aqui parece uma tertúlia. várias vozes, ideias, temas. uma verdadeira carta de amor tanto ao maiakovski como ao grande haroldo e boris. coisa muito muito muito bonita. o objecto em si é belíssimo, completo. não sou o maior fan dos últimos poemas do maiakovski sendo sincero, mas o início é tão tão bom.
até esqueci de marcar esse aqui como lido porque ler maiakovski (por mais que a tradução seja faltosa em certos momentos...) é continuar lendo ele pro resto da vida. te amo te amo maya.
Não irei me prolongar sobre a genialidade de Mayakovsky, porque ficaria dias e dias falando sobre, então comentarei sobre essa edição. Talvez seja porque eu estava acostumada a ler os poemas do autor na internet, mas estou totalmente apaixonada pelo jeito que esse livro foi montado e organizado. O que esse livro faz com Mayakovsky chega a ser semelhante ao que “A Cor da Romã” faz com Sayat-Nova. A escolha de poemas, em ordem cronológica, a autobiografia de Mayakovsky “Eu Mesmo” no começo do livro, as imagens e todos os comentários dos tradutores elevam a leitura ao máximo. Toda essa organização leva o leitor a perceber a evolução e decadência do poeta de uma maneira fenomenal. Inclusive, gratidão aos tradutores que, quase tão ousados quanto Mayakovsky, decidiram “traduzir o intraduzível”. Tradução nunca foi fácil. De poesia muito menos. E de poesia do Mayakovsky então? Nem se fala. Estou num nível que não sei se sou mais fã do poeta ou dos tradutores.
Ps: a única coisa que me incomodou foi a foto de Sergei Yesenin morto, no poema dedicado a ele. Isso só não me fez diminuir a nota do livro porque não era nada que eu já não tivesse visto mil vezes na internet, já que essa foto, infelizmente, é uma das mais famosas dele e também porque sei essa edição é antiga, então os debates sobre compartilhar fotos desse cunho não eram tão desenvolvidos como hoje.
talvez um dia eu alcance a leitura dos originais do grande maiakovski; por enquanto, o trabalho de schnaiderman e dos irmãos de campos já traz o brilho rebelde e humano que espero de um poeta revolucionário.
GENTE É PRA BRILHAR QUE TUDO MAIS VÁ PARA O INFERNO. ESTE É O MEU SLOGAN E O DO SOL.
Um dos meus poetas favoritos (augusto de campos), seu irmão e outro cara traduziram (recriaram lindamente) os poemas de outro poeta favorito (o soviete revolucionário Maiakóvski). Brilhante!!