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Marés

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Marés (1941), que se inclui na temática neo-realista, é um romance da juventude (Alves Redol escreveu-o aos trinta anos), contém já os elementos que marcariam a sua escrita de modo firme e inconfundí a luta do povo das campinas pela sobrevivência, contra a miséria e a exploração. Um romance em que o futuro abre caminho, ganha espaço, desenha a esperança. Nas palavras do próprio autor, a encerrar o «Aquele grito ia para o futuro. E era ele que guiava os homens que tomavam toda a estrada.» Marés de Alves Redol

Paperback

First published January 1, 2002

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About the author

Alves Redol

37 books41 followers
Cedo começou a trabalhar dada a natureza modesta da sua família. Parte para Angola, aos 16 anos, procurando melhores condições de vida, regressando a Portugal três anos depois. Junta-se ao Movimento de Unidade Democrática (MUD), que se opunha ao regime do Estado Novo, e filia-se no Partido Comunista, escrevendo artigos no jornal O Diabo.

Introduziu o neo-realismo em Portugal com o romance Gaibéus (1939), nome dado aos camponeses da Beira que iam fazer a ceifa do arroz ao Ribatejo, em meados do século XX. Daí em diante sua obra revela uma grande preocupação social, velada ainda assim, dada a censura e à perseguição política movida pelo regime de Salazar aos oposicionistas, e mormente aos simpatizantes do PCP, como era o caso. Chegou mesmo a sofrer prisão política tendo sido torturado.

Seu último romance, Barranco de Cegos, de 1962, é considerado sua obra-prima e afirma sua nova fase, em que a intervenção política e social é posta em segundo plano, dando lugar a um centramento nas personagens e na sua evolução psicológica, de cariz existencial.

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Profile Image for tiago..
484 reviews131 followers
December 6, 2022
Às vezes este estilo de escrita de Alves Redol consegue ser um bocado indigesto. Dado a confusões, avesso à clareza e ao bom entendimento, não deixa por isso o compadre Redol de ter as suas qualidades, das quais a menor não será, com certeza, a forma como ele pensa e romanceia a sociedade portuguesa. Que o diga este Marés.

Neste vivíssimo retrato do Portugal do virar do século, o que é retratado por Alves Redol é sobretudo a struggle for life capitalista: o estado de competição inerente à vida numa sociedade capitalista, e o precário equilíbrio que implica a lógica individualista liberal, frequentemente desprovida, neste romance, de um guião moral. Descobriu-o Francisco Diogo, subindo aos céus só para se despenhar em seguida.
- A batalha não tem tréguas. Os homens estão divididos. A guerra não acabou em Novembro de 18. Na paz, a luta continua - com o mesmo ardor, por métodos novos. Em cada dia mais implacável. A cada hora mais cruel.
Recusava-se a entender as palavras do filho, mas sentia-as presentes.
- A vida não dormita. Cada domínio gera uma decadência. Um século de quietude está a germinar um minuto de convulsão.

E no final, uma nesga de luz: a fraternidade, contra o carnivorismo da lógica capitalista. Mesmo não sendo marxista, não posso deixar de concordar com o Francisco: por ali vai o futuro.
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