Bauman, mais do que um observador da modernidade, é aquele que encontra no espaço físico os problemas teóricos da humanidade, fez isso em suas outras dezenas de obras e o fez aqui também. De forma clara e concisa expõe ao leitor o campo de batalha e de repressão que as cidades se tornaram, já que é nelas onde se concentram a função primordial do capitalismo e também é o objeto concreto do fluxo e redistribuição de renda, de modo que, se tornou no epicentro das transformações em curso, bem como "se transformaram em depósitos de problemas causados pela globalização."
Partindo da ideia de que em seu substrato a cidade nasce vertical, onde a concentração de capital ocorre por um lado, valorizando os bairros centrais, enquanto as demais áreas em torno são corroídas e se tornam marginais, é nesse cenário de dinamismo estrutural que se nasce a tensão que dilacera a todos e faz daqueles que "especulam com o medo, a base de uma política de controle e repressão" tensionando cada vez mais o tecido social que se rompe e nos coloca presos dentro de um grande espaço social, isto é, a cidade moderna, nos isolando, diminuindo a tolerância com o outsider e reconhecendo no migrante, a causa do aumento de nossa insegurança.
Nos informando que "desde o início, o Estado moderno teve de enfrentar a tarefa desencorajadora de administrar o medo", o sociólogo desencadeia uma série de argumentos remontando ao século passado, para descortinar a insegurança do hoje, em especial quanto a perca da solidariedade humana e ao grande individualismo moderno, abrindo espaço para a xenofobia, para a mixofóbia, isolamento e claro, inquietação atual, em mais um brilhante copilado de suas ideias.
Falar mais que isso implicaria em um artigo, o que não é meu desejo, portanto, paro aqui, sendo a mim, uma excelente e instrutiva leitura, como sempre o é quando leio Bauman.