4,5*
We are younger and thinner than I remember ever feeling. We look so clean. As if we mean no harm. As if we are not harm itself.
Não ligo particularmente a thrillers, mas não resisti a este sendo de um autor irlandês e tendo sido já comparado a Tana French, conterrânea conhecida pelo excelente desenvolvimento de personagens. E é precisamente esse o ponto forte de “Kala”: as personagens redondas, a sua interacção e a sua vivência numa pitoresca vila. Não resisto a histórias de levam adultos de volta à santa terrinha, aos lugares onde foram mais felizes e mais infelizes, muitos anos depois de a terem deixado, para reencontrar amigos de juventude e reviver momentos marcantes. Do grupo da carismática Kala fazem também parte Aoife, Aidan, Mush, Joe e Helen, mas nesta obra só temos o ponto vista destes três últimos, para aos poucos percebermos o que aconteceu aos restantes.
The moments when you can say something are just that—moments—and once they’re gone, they’re gone, and you’ve added another brick to the wall.
Sem terem conseguido ultrapassar o trauma do desaparecimento misterioso de Kala, o elemento agregador do grupo, é palpável a nostalgia quando Helen regressa a Kinlough 15 anos depois, para reencontrar Mush, que continua a trabalhar no café da mãe, e Joe, cantor de sucesso que também voltou a casa para recuperar do alcoolismo. Ainda que todos eles adorassem Kala, guardam uma culpa, a sensação de que poderiam ter feito mais, dito mais para evitar o trágico desfecho. “Kala”, escrito com uma prosa muito cuidada, é um livro que retrata bem o ambiente opressivo e viciado das pequenas localidades, atingindo picos de violência arrepiantes, com todo o tipo de agressões que se pode temer: físicas, psicológicas e sexuais, incluindo contra jovens, e com uma cena extremamente gráfica de luta de cães.
Up ahead on the Coast Road there's a bunch of teenagers, guys and girls. You don't understand kids' clothes anymore, what it all means. Back in the day things were all tribal -- clear lines. Your haircut and clothes said what music you liked, how smart you were, whether or not you were real, if you were reaching for the Other Place or stuck in the gutter. Internet's taken all of that, mangled the codes. People are mongrels of whatever the fuck now. Kurt Cobain shot himself for being a sell-out and these kids wouldn't even grasp the concept. You hate these kids. Wish you were these kids. Envy their obliviousness, like the world had just come into being, and existed only for you and your friends, and all you had was time.