Na porta da livraria, um homem distribui folhetos amarelos convidando para uma reunião. Objetivo: extinguir do calendário as segundas-feiras, esse dia nefasto no qual todos os males da semana (e da vida) começam. Prova científica? O estranho vírus denominado Monday-Monday, de sintomas incertos e amplitude universal. Mas como eliminar um dia da semana? Consultas a advogados, na tentativa de esclarecer da existência de alguma lei a respeito. Desilusões, frustrações. A segunda-feira, espécie de bode expiatório das angústias, recalques e desavenças humanas, marca com a sua presença inquietadora os cinco contos de O Homem Que Odiava a Segunda-feira. Contos absurdos (talvez não tão absurdos como o cotidiano, se bem pensarmos), situações de delírio, metáforas e alegorias da realidade, à sombra da aziaga segunda-feira. O homem que mantém diálogo com uma formiga; a caixa de correio que engole mãos; a ideia de corpos com partes removíveis, permitindo se retirar ora uma perna ora a barriga. A estranha situação de pensar e emitir sons sem qualquer sentido, como se falasse um idioma bárbaro ou estivesse sendo dublado, e a descoberta final de não entender mais a língua que falava (KersgatoiNula! KersgatoiNula!). Sátira às novas gerações, à linguagem contemporânea, incorporando estrangeirismos grotescos? Pode ser. Mais evidente é a perda da identidade e suas consequências alucinantes, em “As Cores das Bolinhas da Morte”. Sátiras, humor negro, sarcasmo, revolta com o cotidiano, culpa da segunda-feira. Que seja extinta. E se a felicidade ou mesmo uma precária tranquilidade seja impossível assim mesmo, que se acabe também com a terça, a quarta, a quinta, a sexta, o sábado. Que a vida seja reduzida a um perpétuo domingo ou que tudo se acabe numa nefasta segunda-feira.
Ignacio de Loyola Brandao (born 1936 in Araraquara in São Paulo) began his career writing film reviews and went on to work for one of the principal newspapers in São Paulo. Initially banned in Brazil, his novel Zero went on to win the prestigious Brasilia Prize and become a controversial bestseller. Brandão is the author of more than a half-dozen works of fiction, including Zero, Teeth Under the Sun, and Angel of Death, all of which are available or forthcoming from Dalkey Archive. In his career he has won the Prêmio Jabuti, the most important literary prize in Brazil.
Esse livro é uma pérola total. Eu esperava uns contos sarcásticos sobre trabalhadores exaustos, e até encontrei um pouco disso, mas o livro é um verdadeiro tesouro para quem gosta do insólito.
Bom, como eu começo.... Honestamente... Francamente é um livro ecentrico, porem que ainda assim, há pequenas lições valiosas em meio ao caos. Certamente não é um livro para qualquer um, é um livro em que você precisa sair do comum para poder *quase" compreendê-lo. O que eu achei bacana disso tudo é que ao ler um bocado do livro você se sente como se tivesse saído de um sonho estranho hehehe.
mais um cinco estrelas, yagho? achei irônico terminar esse numa segunda-feira completamente atípica pra mim, em que muita coisa deu errado. os contos são muito bons, engraçados e ácidos. fazem pensar e distraem na medida certa. o último, contudo, leva o prêmio. um labirinto kafkiano com uma resolução à la david lynch, inquietante e angustiante. adorei.
o primeiro conto, da formiga, foi meu favorito. o último, do homem sem sombra, aperta o peito de tão claustrofóbico. tem um absurdismo kafkiano interessante mas não tão bem trabalhado.