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Caderno Afegão

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Provavelmente, não há hoje boas razões para se falar de Jalalabad, de Kandahar ou de Mazar-i-Sharif. Ouvimos estes nomes quase diariamente associados a mortos e feridos. Conseguimos imaginar homens de barba e mulheres de burqa. Conseguimos até imaginar o cheiro a lixo às portas de Herat, onde «cheira tão mal como se tudo estivesse podre». Já não seremos capazes de imaginar, entre o cheiro a lixo, o perfume a rosas: «No meio do trânsito mais tóxico há rotundas com rosas lindas em Cabul.»
Aquilo que aqui, a ocidente, a milhares de quilómetros de distância, é apenas um borrão sem nome, uma massa de ideias vagas e de lugares-comuns, toma a forma de gente concreta, ganha contornos, espessura, rosto.
O facto de Alexandra Lucas Coelho escrever tão bem faz o resto. É o meio de transporte em que viajamos por um lugar aonde, é quase certo, nunca iríamos de outro modo.

336 pages, Hardcover

First published September 1, 2009

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About the author

Alexandra Lucas Coelho

23 books175 followers
ALEXANDRA LUCAS COELHO nasceu em Dezembro de 1967. Estudou teatro no I.F.I.C.T. e licenciou-se em Ciências da Comunicação, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Trabalhou dez anos na rádio continuando ainda hoje a colaborar com a RDP. Desde 1998 é jornalista no Público. A partir de 2001 viajou várias vezes pelo Médio Oriente / Ásia Central e esteve seis meses em Jerusalém como correspondente. Foram-lhe atribuídos prémios de reportagem do Clube Português de Imprensa, Casa da Imprensa e o Grande Prémio Gazeta 2005. Mantém o blogue Atlântico-Sul, onde publica as suas crónicas que escreve para o Público.

Em 2007 publicou «Oriente Próximo» (Relógio D’Água), narrativas jornalísticas entre israelitas e palestinianos. Publicou mais quatro livros de reportagem-crónica-viagem: «Caderno Afegão» (2009), «Viva México» (2010), «Tahrir» (2011) e «Vai, Brasil» (2013). Em 2012 escreveu o seu primeiro romance, «E a Noite Roda», vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela APE 2012. Publicou, recentemente, «O Meu Amante de Domingo» (2014).

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162 (47%)
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8 (2%)
1 star
3 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 35 reviews
Profile Image for Paula M..
119 reviews53 followers
January 25, 2019
Nos "agradecimentos" a autora explica que fez a viagem de um mês ao Afeganistão como repórter enviada de um jornal e de uma rádio. Afirma também que "boa parte das reportagens " que escreveu para ambos foram incluídas no livro. Presume-se então que o "O caderno Afegão - um diário de viagem" não terá sido escrito à medida que os dias se desenrolavam , mas nasceu à custa da inclusão de textos que serviram primeiro outro propósito. Nada de mal. Mas eu teria informado o leitor disso mesmo no início do livro e não no final. O texto jornalístico obedece a determinadas exigências mas , num " diário"-tornado-livro as referências constantes ao nome de todos os hotéis e restaurantes onde esteve, ao nome e idade de todas as pessoas com quem falou- mesmo que no meio da estrada por breves minutos- tornam-se despropositadas e por isso patéticas. Irritante e frustrante é a referência ao site onde diz estarem alojadas fotografias da viagem, mas que, ridiculamente, tem apenas duas ou três fotos da capa do livro! Há outras referências a sites de fotógrafos que também estão desatualizadas e que, por isso, levam a sítio nenhum. Cheira-me a amadorismo e em último caso, a falta de respeito pelo leitor tardio.
Salvo raras exceções, a escrita é pouco inspirada e trabalhada. Diz, por exemplo, por mais do que uma vez, que os Hazaras " têm os olhos em bico". Compara as convivas de um casamento ( a que foi por amabilidade de uma amiga, familiar da noiva) a travestis, devido às roupas de mau gosto.
Algumas descrições de paisagens não têm a força necessária ,ficando muito aquém da magnitude do lugar . Jason Elliot, no livro " An unexpected light..." regista a beleza dos campos, dos pomares, das montanhas e de alguns caminhos com uma sensibilidade apurada ( e descreve graciosamente os Hazaras ).

Apreciei os registos sobre o encontro com a missão portuguesa, com os médicos e pacientes do hospital de Kandahar, a viagem de Cabul para Jalalabad, os jardins de Babur , a conversa com "o livreiro de Cabul" , do passeio a Bamiyan e sobre o Museu de Cabul ...

"Este livro é um acto de coragem", escreve Carlos Vaz Marques no prefácio do mesmo. De facto! Mas ainda mais corajosos são os voluntários das organizações humanitárias e outros que por lá ficam, meses, anos a fio, a ajudar, enfrentando a insegurança dos dias , e as populações que, ao longo de anos e anos, têm sentido na pele o terror da guerra, à qual nunca vão poder escapar. Alexandra Lucas Coelho cumpriu a missão de dar rosto e voz a alguns destes heróis.
Profile Image for Cat.
1,161 reviews145 followers
April 22, 2023
Valeu bem a pena ler este relato!

Gostei da escrita e vou querer ler mais livros das Alexandra.
Profile Image for Ana.
750 reviews114 followers
March 12, 2017
No início andei um pouco perdida. Tal como diz o Carlos Vaz Marques no prefácio, Jalalabad, Kandahar ou Mazr-i-Sharif são nomes conhecidos das notícias, associados a mortos e feridos, combates e atentados, mas aqui, a tantos quilómetros de distância, tudo se confunde numa massa de ideias vagas e de lugares-comuns, geopolítica e geoestratégia.
Foi assim que comecei, e durante as primeiras páginas continuei um pouco perdida, e tive que consultar frequentemente o mapa, providencialmente incluído no início do livro. Mas aos poucos, toda esta confusão foi ganhando contornos mais definidos e os pedaços de informação histórica que vão sendo introduzidos ao longo do texto, permitiram contextualizar os acontecimentos relatados no diário, sem nunca tornar a leitura aborrecida. Pelo contrário, dada a minha ignorância nestes temas, até nem me teria importado se a autora se tivesse alongado um pouco mais.
Só fiquei desapontada por não encontrar as prometidas fotografias da viagem, pois o link que é referido no livro, conduz apenas a um excerto e imagens do próprio livro.
Entretanto, já quase a terminá-lo, aconteceu um episódio engraçado. Anteontem tinha lido no Caderno uma parte em que a jornalista visitou a livraria que inspirou a escrita do "The bookseller of Kabul", de Asne Seierstad. Lembrei-me que já tinha este livro na minha wishlist há bastante tempo, e fiquei ainda com mais vontade de o ler. Ontem tinha um embrulho nos correios, e não é que era precisamente este livro, enviado por um bookcrosser inglês, que o viu na minha wishlist? Agora só me falta ir jogar no euromilhões...
Profile Image for Magda Cruz.
100 reviews76 followers
March 29, 2022
Depois de, há dois anos, ter lido "Tahrir", também desta autora, Alexandra Lucas Coelho volta a surpreender-me com uma escrita jornalística diferente - pela positiva. A vantagem desta jornalista é procurar conhecer as pessoas com quem fala. Antes de as entrevistar, conhece as suas situações.

Acompanhamos as viagens de Alexandra e sofremos como sofrem estas pessoas, a quem podemos, quase chamar personagens, pela distância que temos delas. Sofri particularmente com a parte das mulheres, especialmente as grávidas. A condição da mulher tem muito para evoluir nesta área do mundo.

Para quem quiser degustar o livro, para decidir se continua a ler, pode procurar as reportagens de Alexandra no Público.
Profile Image for Sofia Costa Lima.
Author 4 books127 followers
Read
July 9, 2023
Por motivos de amor ao jornalismo, livros que relatam experiências de repórteres de guerra fascinam-me por completo e este não foi excepção. É um tipo de reportagem diferente, é certo, mas é uma experiência muito interessante — principalmente pensando que a Alexandra é uma mulher num país como o Afeganistão, onde as mulheres não são vistas da mesma forma.
Profile Image for Martin Roberts.
Author 4 books30 followers
March 17, 2015
Ir a Afeganistão foi sim um acto de coragem, mas infelizmente o resultado é um livro que acrescenta pouco o nada à literatura existente sobre o tema. O estilo é pedestre e liceial, e o texto cheio de pormenores banais sobre restaurantes.
Profile Image for Margarida Belo.
101 reviews8 followers
January 2, 2023
“Em Kandahar, uma mulher pode morrer porque o homem que decide a vida dela não a quer levar a um médico homem e ao pé disto uma burqa é uma burqa é uma burqa” (P217)
Profile Image for Daniel.
50 reviews5 followers
Read
February 10, 2017
Entre viagens de avião e de comboio, a leitura de Caderno Afegão foi embarcar numa viagem paralela à minha para um país bem distinto através das descrições imparciais da autora. Muito bom.
Profile Image for Carolina.
166 reviews40 followers
October 8, 2014
Há pouco mais de uma semana estive no Festival Literário da Gardunha (sim, nós não temos só cerejas) e, entre todos os outros, Alexandra Lucas Coelho foi talvez a escritora que mais me impressionou. Pareceu justo adquirir um dos seus trabalhos e ainda mais começar pelo seu mais aclamado livro de viagens, este mesmo, em que ela relata o seu mês como jornalista enviada ao Afeganistão em Junho de 2008.

Como se faz uma crítica a um livro de viagens? Parece-me que um bom livro de viagens é aquele em que apenas a honestidade humaniza. Alexandra Lucas Coelho faz isso, de modo não inteiramente, mas grandemente imparcial. Nota-se bem pela sua escrita o que faz da vida. Ela vai directa às questões fundamentais, apresenta factos sem grandes rodeios. E por fim, tem o talento que eu aprecio particularmente de terminar cada secção com um comentário curto e cortante que a modos que quer dizer mais do que diz, deixando-nos a nós a tarefa de fazer sentido da informação. Às vezes somos forçados a concluir precisamente a ausência de sentido, o gratuito da violência e preconceito, a arbitrariedade da cultura de cada povo.

Recomendo vivamente a leitura – fiquei tão impressionada, que até já comprei o E a Noite Roda – e sugiro que a acompanhem com as fotografias na página da Tinta da China.
Profile Image for Beto.
105 reviews26 followers
December 30, 2012
Não sou fã de cadernos de viagens, mas nesta obra é-nos apresentado um texto bem escrito, detalhado e cativante, o que faz deste caderno de viagem um diário interessante.

O livro é muito enriquecido pela pormenorização dos aspectos sócio-culturais, políticos e económicos. Cada linha lida pelo leitor é uma viagem dentro da viagem da autora ao Afeganistão.

Penso que a visão apresentada por Alexandra Lucas Coelho sobre o Afeganistão é muito positiva. É importante, como a crítica refere, que a escritora tenha enquadrado na sua investigação e criação uma perspectiva não-fatalista do Afeganistão. Isso permite-nos ver que este não é apenas e exclusivamente um país em guerra, de fanáticos religiosos e carregado de mortes na sua História, mas também um país com potencialidades, belezas, com pessoas que lutam para sobreviver, para elevar o seu país e o seu povo. Apesar de todas as desgraças e do muito trabalho que ainda há a fazer-se, ainda existe a possibilidade de mudança.

Um bom reflexo do Afeganistão.


Profile Image for Graciosa Reis.
542 reviews52 followers
May 14, 2023
Caderno afegão é um relato em directo, objectivo e incisivo sobre uma geografia da guerra, do sofrimento, da morte, da desigualdade, da miséria, mas também sobre as tradições de um país, sobre uma história multisecular.
“E qual é o problema maior de todos, inflação, desemprego, saúde, guerra? Resposta imediata, nesta roda de mulheres e um rapaz:
- Bombistas suicidas,” (p. 50)

Alexandra Lucas Coelho (ALC) viveu no Afeganistão, entre 31 de Maio e 28 de Junho de 2008, como jornalista do Jornal Público e da Rádio Difusão Portuguesa. Através do seu olhar limpo e atento aos detalhes vamos, diariamente, acompanhando os seus relatos de viagem pelo país, os seus retratos de vida, a sua interpretação subtil, mas sentida de um país em ruinas, em guerra.


A aparente facilidade com que deambula pelas cidades que escolheu visitar, não está isenta de riscos. Nestes momentos de maior perigo, o seu relato torna-se menos objectivo, mas rigoroso deixando apenas perceber o risco.
“Mandam-me esperar quieta. Não me posso mexer sem escolta. Nem pensar em tirar fotografias.
Presa em Bagram. 14h Bagram. Media Center.
Vão libertar-me após averiguações.” (pp. 290 – 291)

O contacto com as pessoas é real, o relato actualizado diariamente é concreto, é vivido é sentido. As suas emoções são perceptíveis quando descreve o cheiro das rosas, presente em todos os jardins de Cabul (“Nunca vi tão forte dedicação às flores. Parece estar acima de tudo e a tudo ser imune. No meio do trânsito mais tóxico há rotundas com rosas lindas em Cabul,”(p.71)), o banho das mulheres no Hamman, o chá numa roda de mulheres, as refeições nos vários hotéis, as mulheres vestidas de burqa azul, entre muitos outros aspectos.

ALC escreve como observa a realidade. Foca-se nos diferentes sectores da sociedade afegã e nos muitos estrangeiros (humanitários, contratados e jornalistas) de múltiplas origens que povoam o país. Foca-se, essencialmente, na situação das mulheres “que desaparecem dentro das burqas. Elas desaparecem mesmo. Aquele pedaço de pano azul mexe-se e de lá sai uma voz abafada,” (p. 216); nas mulheres que não sabem ler; nas mulheres que têm filhos “antes de estarem amadurecidas” (p. 202); nas mulheres que não são tratadas porque não podem “mostrar o corpo a um médico homem.” (p.200); nas mulheres que ficam enclausuradas em casa porque não podem sair sozinhas.
“Nesta casa, a filha mais nova ainda não parece ter idade para ser adulta, mas já tem idade para usar burqa. Com a burqa por cima não se vê que idade tem.” (p. 519)

Sou apreciadora da escrita da ALC. Preocupa-se em relatar o que observa. Informa. Descreve com rigor e objectividade. É directa, sucinta, sincera. De vez em quando, deslumbra-se um flash mais poético, mais emotivo “ O mundo era a sua [de Babur] ostra. Um permanente desfrute” (p. 66); “Ghuti põe a burqa, apagando a luz dos seus trajes verde-lima.” (p. 112); “É uma paisagem soberba, indomada.” (p. 154); “É muito escuro dentro de uma burqa.” (p. 163)

Recomendo.
Profile Image for Delfina Velez.
98 reviews2 followers
January 7, 2022
No mundo ocidental, o universo Afegão é distante e feito de preconceitos e lugares comuns. Aqui as pessoas têm rosto, são concretas,são gente que sofre e que luta.
Saliento a coragem dos voluntários das organizações humanitárias, que enfentam diariamente a insegurança, sentindo na pele o terror da guerra.
Gosto particularmente do momento em que surge a pessoa que deu forma à personagem de O livreiro de Kabul, de Asne Seierstad. Deu-me vontade de o ler.
Quanto a este livro,trata-se de um relato bem redigido,mas medíocre no que diz respeito à qualidade literária. Tendo em conta a riqueza do tema e das pessoas retratadas,esperava muito mais.
Profile Image for Ana.
41 reviews
March 10, 2023
Foi o primeiro livro que li da jornalista Alexandra Coelho e não será o último. Que aprendizagem.
Profile Image for Alexandre Oliveira.
41 reviews3 followers
August 8, 2024
Uma viagem com 20 anos mas que parece que se poderia passar hoje. Algumas descrições bem conseguidas, boa forma de integrar entrevistas no texto corrido e vários apontamentos talvez estranhos.
No entanto, uma leitura interessante.
Profile Image for David Pimenta.
376 reviews19 followers
April 18, 2015
Escrever sobre este Caderno Afegão equivale a levar um murro no estômago e a ficar com um sorriso no rosto. Duas sensações distintas sobre um país tão polémico. Por essa razão, Alexandra Lucas Coelho escreve que provavelmente “não háboas razões para se falar de Jalalabad, de Kandahar ou de Mazar-i-Sharif” por se ouvir esses nomes quase diariamente “associados a mortos e feridos”. É um murro no estômago por o leitor realmente ter acesso, com este livro, a esse número de morte. É evidente que a jornalista não se colocou no centro dos talibans – está longe disso, diria – mas os factos não deixam ninguém indiferente.



Alexandra Lucas Coelho viajou para o Afeganistão durante um mês, como repórter do Público e da Antena 1. Durante esse período circulou por Herat, Jalalabad, Cabul, Mazar-i-Sharif e outras cidades. Caderno Afegão é mais do que um diário de bordo dessa viagem: contém reflexões, factos provenientes de outras leituras, relatos impecáveis dos encontros e dos relacionamentos estabelecidos. Alexandra é, antes de mais, uma mestre na arte da escrita, capaz de colocar o leitor no centro dos acontecimentos que descreve, no cenário do Afeganistão. Um cenário repleto de medo, por todos os cantos, e de esperança: enraizada em algumas pessoas – especialmente mulheres – que vai encontrando pelo caminho. É a esperança que coloca um sorriso na cara dos leitores. Significa que nem tudo – nem mesmo metade, sejamos sinceros – está perdido no Afeganistão. Não fosse o ambiente violento e o país seria um óptimo destino turístico cultural.

Caderno Afegão é totalmente recomendado para os que apreciam literatura de viagem e pelo Afeganistão. Estava para lê-lo há pelo menos dois anos mas nunca conseguia. Por coincidência, senti que o devia ler por mero acaso por não estar agradado com o último livro do Chico Buarque. Realmente há livros que nos puxam para eles, este foi um desses maravilhosos casos.

4/5
Profile Image for Susana.
136 reviews
October 9, 2012
Com este livro acompanhamos a viagem da jornalista Alexandra Lucas Coelho ao Afeganistão em 2008. Vemos, com os olhos dela, as ruas, as pessoas, as casas, os mercados, as mesquitas, de Cabul, Herat, Jalalabad, Kandahar, Mazar-i-sharif, Bamiyan... tal como as montanhas, o pó, os esgotos a céu aberto ou os jardins inesperados de rosas perfumadas e coloridas. Também descobrimos com ela os rostos, as histórias e as ideias que se escondem por trás das burkas. Um relato muito interessante e muito bem escrito, que inclui as crónicas publicadas na altura no Público.
Foi o meu primeiro livro desta autora mas estou com vontade de repetir a experiência.

"... vou ter com uma afegã que trabalha como quadro superior para uma organização americana. O nome dela foi-me dado por um amigo. [...] tudo no meu plano lhe pareceu difícil - arranjar alojamento, comunicar com as pessoas, viajar de um lado para o outro. E com o meu orçamento, mais que difícil - impossível. Como é que eu, que nunca tinha estado no Afeganistão, pensava que as coisas podiam ser assim tão fáceis?, tinha eu ideia da violência, da dificuldade, dos preços? Não me deu nenhuma sugestão concreta. Todas as suas sugestões diziam: esqueça.
Há pessoas assim. Fazemos as coisas apesar delas."
Profile Image for Maria.
318 reviews33 followers
July 3, 2014
Gosto imenso da escrita da ALC; já tinha lido "Oriente Próximo".
Amei ambos; são tipos de livro diferentes, mas a escrita da Alexandra está lá e é maravilhosa.
Deu-me imenso prazer ler este Caderno e fui seguindo as fotos (cadernoafegao.tintadachina.pt)à medida que ia lendo o livro.
Quando cheguei ao fim pensei "o quê? ela já se vai embora? que pena!
Profile Image for Joao.
97 reviews
December 22, 2025
Se dúvidas há sobre a possibilidade de repetição da História este livro/reportagem, preso num período temporal entre um antes e o agora, é uma triste evidência. A tudo se junta a contratação deste exército de ONG, militares, contractors, jornalistas e escritores,..., que de desgraça em desgraça, se alimentam da dor dos povos.
Profile Image for Pedro Henrique Lustosa.
14 reviews13 followers
June 21, 2021
A realidade dos afegãos é tão distante que às vezes o livro parece ser ficção, talvez por isso o livro consiga prender o leitor como se fosse um romance. Além, nestes tempos de pandemia, esta obra é a representação da ideia de que os livros são viagens sem sair do lugar.
Profile Image for Patricia Santos.
74 reviews1 follower
January 28, 2022
Caderno Afegão é daqueles livros que nos leva a viajar no sofá e que o dom de nós dar mais mundo e humanidade.
Um relato sobre a realidade do Afeganistão independente das agendas políticas dos vários lados do conflito.
Revela-nos um Afeganistão de pátios onde não faltam roseiras, de pomares de romanzeiras e águas azul lápis-lazúli. Revela-nos um território cheio de história desenhada nos trilhos da antiga rota da seda e com um património que, sabe-se lá como, chegou até aos nossos dias.
Mas fala-nos também de um povo forjado na guerra, profundamente tribalista e de um território que não tem o sentimento de nação.
Um relato que nos ajuda a perceber porque falham as missões internacionais, o que é espantoso, porque existem relatos com centenas de anos sobre as características daquelas tribos que deveriam ter sido lidos por russos, norte americanos e todas as forças internacionais que intervêm no país.
No fim fica também a admiração pela coragem da escritora e jornalista, mesclada de inveja pela oportunidade de fazer uma viagem daquelas que nos transforam.
Profile Image for Helder Paulino.
15 reviews
June 21, 2019
Depois de muitos anos a ler a autora no Público (que saudades), só agora tive oportunidade de ler um livro escrito pela Alexandra Lucas Coelho.
Uma escrita agradável e informativa que ensina muito sobre um país com uma história riquíssima mas absolutamente fustigado por guerras. As fotografias, mesmo não sendo "um trabalho fotográfico sobre o Afeganistão" são uma excelente forma dar outra cor à narrativa.

Vale bem a pena o tempo passado a ler este livro. Muito bom.


Profile Image for João Pedro Gato.
28 reviews1 follower
February 17, 2022
Gostei mais de "Viva México", da mesma autora, que li antes deste. Está mais bem articulado e é mais consistentes como relato de viagem. Mas o estilo menos articulado e mais cru deste resulta em favor do retrato desolador de um país destruído e que faz por viver no meio da conflituosidade e jogo de interesses em que se encontra.
Profile Image for Francisco.
164 reviews5 followers
August 11, 2017
A travel book which reads like a novel. Very interesting look at one of the most media talked but less understood nations in the world. I would have appreciated more historical details, but honestly it does not affect the quality of this work. I look forward to read more of Alexandra Lucas Coelho.
Profile Image for Paula.
245 reviews6 followers
September 7, 2021
Pontinhos de luz para entender um pouco do Afeganistão, que a Alexandra Lucas Coelho une, como sempre, com um fio de histórias e informações interessantes. E ainda é um diário de viagem de uma jornalista mulher a trabalhar onde mulheres não andam sozinhas (seguido de um tanto de outros “nãos”).
Profile Image for Sandra Ferreira.
24 reviews5 followers
December 27, 2021
Uma viagem ao Afeganistão de 2008. Entre o diário e a escrita jornalística, Alexandra Lucas Coelho desenha o quotidiano de uma país devastado pelos conflitos e pela miséria. Especialmente interessante o olhar sobre a condição das mulheres afegãs.
Profile Image for R.J. Miranda.
630 reviews35 followers
August 3, 2024
3,9⭐️ Simplesmente incrível ler os relatos da Alexandra. Sempre transportado para outras realidades
Displaying 1 - 30 of 35 reviews

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