Hans-Georg Gadamer, 1986
Rating: 4.5/5
*Concepts*
O texto discute questões filosóficas, antropológicas e estéticas sobre a essência da arte. Nele, o autor tenta abordar como experienciamos e interpretamos a arte, trazendo elementos como play, symbol e festival como moldes da nossa interação com a arte. Além disso, uma das questões centrais da obra é a pergunta de oq liga a tradição clássica artística à arte contemporânea.
Beleza: a função ontológica (de ser) do belo é ligar o ideal ao real. Para Platão, é aquilo que brilha mais fortemente e que nos atrai, sendo a imagem do ideal (reforçando essa ponte do ideal/real)
Arte: Criação única que não pode ser produzida seguindo regras
Play: Movimento originário de si mesmo, sem propósito utilitário, que é um aspecto de todos os seres vivos. Movimento com intuito de movimento.
Symbol: o simbólico representa significado sem apontar diretamente pra ele, permite que o significado se manifeste no próprio símbolo.
Festival: engloba e conecta indivíduos de forma participativa. O indivíduo escolhe participar.
O significado e a identidade de uma obra se resumem à interação com o espectador, que ativamente se engaja com esta. A identidade da obra é simplesmente existir, de forma passiva de receber julgamentos e escrutinização. A obra lança um desafio que é respondido pelo espectador de forma ativa e intencional.
A arte é única no sentido de que seu significado não pode ser transferido. Ela preserva o simbólico, de forma que este não pode ser recuperado em termos intelectuais.
Toda arte demanda uma participação ativa e construtiva da parte do espectador.
Uma obra só se revela em sua plenitude com a contemplação. É preciso aprender a habitar cada obra.
*Conclusions*
Arte é uma experiência estética multifacetada, que exige um engajamento ativo do espectador e que carrega significados simbólicos que não podem ser reduzidos à conceitos ou significados. Essa irredutibilidade vem do aspecto mais amplo da arte, que vai além de si mesma ao gerar um diálogo individual com cada espectador, diálogo esse que só atinge sua plenitude com contemplação e tempo.
Respondendo à pergunta principal levantada, oq liga a tradição clássica à arte contemporânea é a forma de experienciar a arte. Ambas necessitam de uma postura ativa de engajamento com a obra, que carrega significados simbólicos não totalmente reduziveis intelectualmente e que é um movimento contido em si mesmo, que não necessariamente tem propósito específico.
*Review*
Obra extremamente interessante que serve como introdução à estética filosófica. A questão central de o que é arte e como a vivenciamos é respondida de forma clara e eloquente. A segunda questão central, que tenta ligar a tradição clássica da arte à arte moderna é respondida implicitamente com a primeira questão, o que para mim foi uma resposta elegante. No geral o fluxo da obra é fluido e dinâmico, com vocabulário e argumentos acessíveis à iniciantes do gênero. A discussão sobre a insubstituibilidade da arte levanta uma tangente interessante: a não reprodutibilidade no cenário atual de reprodução em massa de conteúdo levanta a dúvida do que realmente é arte, oq circularmente volta à discussão central da obra. Leitura extremamente interessante que superou todas as expectativas. Nota final: 4.5/5