«A vida tem muitos lugares, um chama-se país, outro chama-se exílio. Outro chama-se o raio do sítio onde estou.»
Misturando literatura e jornalismo, nestes 13 contos ou histórias – embora, eu prefira chamar-lhes crónicas – Luís Sepúlveda eterniza momentos, países, povos, pessoas e experiências, as quais, estou certa, têm muito de autobiográfico.
Numa linguagem bonita marcada por uma simplicidade encantadora, uma ironia subtil , sentido de humor, sensibilidade e uma grande capacidade de observação fala-nos de mulheres « cuja companhia convida ao silêncio, porque sabem partilhá-lo, e não há nada mais difícil nem mais generoso», de homens «unidos por amizade de poucas palavras e tão antiga como a memória», de marinheiros que têm «o céu como mortalha e o mar por sepultura», das árvores que, na sua querida Patagónia, não se vergando em agonias vergonhosas, caiem e morrem como gigantes, de ilhas que «são navios de pedra, que não têm habitantes mas tripulações que chegam, ficam e partem.»
Membro activo da Unidade Popular Chilena dos anos 70, Luís Sepúlveda teve de abandonar o seu Chile natal após o golpe militar de Pinochet, pelo que, nesta obra, o exílio, a diáspora, a vida das gentes habituadas à clandestinidade que lutam até ao fim das suas vidas «sem claudicar nem renunciar às suas verdades justiceiras», as musculadas ditaduras da América do Sul e as saudades estão bem presentes.