Como dirá Gustavo Rubim, pesquisador sobre sua obra, "Em certo sentido, portanto, 'Tempo de Fantasmas' concentra-se no exorcismo dos próprios fantasmas da poesia, monstros inconciliáveis com a vida terrestre nas dimensões lisboetas que a única referência a André Breton veio trazer para dentro do livro. Mas O'Neill nunca será um poeta estritamente ocupado com os fantasmas do seu ofício. Ou seja, nunca veio a ser um bom exemplo de "metapoeta" em regime de exclusividade e é até possível que o prefixo "meta-" seja o menos adequado para descrever o tipo de relação vigilante que sempre foi mantendo com a própria prática de escrever poemas".
Autodidacta, O’Neill foi um dos fundadores do Movimento Surrealista de Lisboa. É nesta corrente que publica a sua primeira obra, o volume de colagens A Ampola Miraculosa, mas o grupo rapidamente se desdobra e acaba. As influências surrealistas permanecem visíveis nas obras dele, que além dos livros de poesia incluem prosa, discos de poesia, traduções e antologias. Não conseguindo viver apenas da sua arte, o autor alargou a sua acção à publicidade. É da sua autoria o lema publicitário «Há mar e mar, há ir e voltar». Foi várias vezes preso pela polícia política, a PIDE.
"(…) Tempo de Fantasmas é também um abandono do lirismo «dos lugares mais comuns da poesia» («Em Pleno Azul»), e, sobretudo, a criação de uma poesia antilírica, que se formula no poema <«capelistas poéticas», e de uma poesia do <> que é, de facto, uma «técnica da confusão». Por isso: «quando dizes "Poesia" eu tenho nojo». (…)" Fernando Cabral Martins (Posfácio, "Flashback", "O «Estilhaço Vivo do Acaso»")