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Mau Tempo no Canal

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«Creio que o isolamento de cada ilha açoriana dá lugar à constante presença de um fantástico individual, que percorre de um modo exemplar o romance de Nemésio, desde a personagem mais singela até à de maior complexidade. Fantástico individual que está em luta aberta contra um maravilhoso colectivo. Assistimos a um descer dentro de cada um, como se dentro de si pisassem os degraus da escada em curva - perfeita sucessão de serpentes cegas - que levam, na geografia insular, ao lago subterrâneo da ilha Graciosa; a única das cinco ilhas centrais que as páginas de Mau Tempo no Canal não contemplam.»
Do prefácio de João Miguel Fernandes Jorge

398 pages, Paperback

First published January 1, 1944

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About the author

Vitorino Nemésio

84 books31 followers
Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva (Praia da Vitória, 19 de dezembro de 1901 — Lisboa, 20 de fevereiro de 1978) foi um poeta, romancista, cronista, académico e intelectual açoriano que se destacou como autor de Mau Tempo no Canal, e professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

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17 (2%)
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Profile Image for Luís.
2,359 reviews1,337 followers
May 8, 2022
The narrative, temporarily between 1917 and 1944, focuses on Marguerite Clark Dulmo, a piece of a romantic relationship, and none of them is frustrated. And mismatched ability to perform the existential ambitions, and continuously vetoed for what is socially agreed upon and imposed so stuffy and unavoidable by the Azorean society of bourgeois morality first decades of the 20th century.
"Mau Tempo No Canal" is the novel by Vitorino Nemésio that figures in the literary history of Portugal as one of the most complete and achieved. But there is also one fact that the insularity of the Azores raises into the Island prison of every man, with their universal fears, passions, enthusiasms and anguish.
Profile Image for Ana.
Author 14 books217 followers
January 1, 2021
Gostei muito deste livro.

Foi para mim uma leitura lenta, por vezes um pouco densa e complexa, mas maravilhosa.

No início cheguei a temer que se tratasse apenas de um romance sobre um amor proibido, que fosse a história de uma jovem de boas famílias apaixonada por alguém que nao é aceite pela sua família. Felizmente essa sensação inaugural revelou-se enganadora e rapidamente se dissipou. Margarida , a nossa personagem principal, é muito mais que os seus amores, e a nossa história é muito mais que Margarida.

Mas não lhe retiremos importância, pois apesar de a narrativa não se focar apenas nela, ela é, sem duvida, o esteio desta história. Julgo nunca antes ter tido a felicidade de encontrar uma personagem feminina tão interessante e multiforme nos clássicos portugueses que li até ao momento. E tal como ela, também o enredo é encantadoramente imprevisível.

Vitorino Nemésio, numa obra de indiscutível qualidade literária, oferece-nos uma imagem da sociedade açoreana daquele tempo. A acção decorre essencialmente entre as ilhas do Faial e do Pico, com palco principal na cidade da Horta, entre os anos de 1917 e 1919. A imagem que nos chega não é um mero retrato, mas uma imagem panorâmica e multidimensional. Das ilhas chegam-nos as emoções, as cores, os cheiros, as palavras, as angústias, as idiossincrasias... chega-nos a sua matriz.

Um autêntico privilégio para nós leitores das gerações posteriores, que Nemésio tivesse conseguido registar esta imagem em palavras, de forma tão talentosa. Um livro cuja importância, na minha opinião, transcende o campo literário, e uma leitura que vos aconselho.


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Profile Image for Nelson Zagalo.
Author 15 books463 followers
July 16, 2017
Chegado a meio, acabei por ler o resto em diagonal, apesar de saber que surge em praticamente todas as listas dos melhores livros de ficção de língua portuguesa*. Passo a explicar.

Vitorino Nemésio doutorou-se com uma tese em Alexandre Herculano em 1934, tendo em 1936 editado um dos seus mais importantes contributos académicos, "Relações Francesas do Romantismo Português”. Serve isto para definir e delimitar o seu estilo literário ao romantismo, o que estaria na base e génese do seu, quase único romance (apenas mais duas pequenas obras 20 anos antes, e uma posterior, quase 30 anos depois), “Mau tempo no Canal”. Tendo o Romantismo iniciado-se com a Revolução Francesa, viria a sucumbir ao realismo na segunda metade do século XIX. Mesmo em Portugal, temos Alexandre Herculano e Almeida Garrett, seguidos por Camilo Castelo Branco, e já na reta final Júlio Dinis, a fechar o género por volta de 1870, altura em que surge Eça de Queirós e vira tudo do avesso no país, transformando por completo a face da literatura portuguesa, abrindo caminho ao realismo e a tudo o que isso implicaria não apenas em liberdade temática, mas discursiva.

Ora Nemésio, passados mais de 70 anos, volta atrás no tempo. Não o faz por acaso, estava-se em plena efervescência no que toca à discussão académica das delimitações cronológicas dos modelos literários do século anterior. Os seus escritos académicos disso são prova. Por isso surgir da sua pena um romance assente nestes modelos, faz todo o sentido para si, e para alguns académicos, mas não deixa de ser anacrónico.

Voltando ao início. Se fechei o texto na diagonal, não foi apenas por considerar a obra anacrónica, isso é apenas um efeito do tempo, embora mereça reflexão. Mas foi apenas por ter esgotado a minha quota de paciência para com o romantismo literário. Do ponto de vista teórico, deveria adorar o romantismo, pelos seus valores, motivos e objetos. Contudo quando aplicado, nomeadamente na literatura, satura-me. A tendência para o exageramento e subjetivismo que conduz ao obscurecimento do que se vai descrevendo, cansa-me. Mas o que mais me incomoda é que aquilo que seria de esperar do estilo, um aprofundamento do sentir (psicologia) dos personagens, dado o seu enfoque no amor e suas tragédias, é completamente fantasioso, diria mesmo inócuo. Comparando-se ao que o realismo fez com as descrições psicológicas, parece até que se inverteram papéis estéticos. Assim, se fiz o esforço com “Moby Dick”, acabei por já não sentir suficiente ímpeto para o fazer por Nemésio. Diga-se que a impressão causada em 1944 não é replicável hoje. Se na altura o romance era um género praticamente ausente no país, estando a literatura nacional quase refém da poesia, hoje não nos falta romance, prosa e ficção.

Não posso contudo deixar de dizer que Nemésio escreve de forma belíssima, tal como Melville. São vários os momentos em que nos quedamos a ler e reler, pelo prazer que nos dão certas descrições mais divagantes. Mas quantas são as vezes em que nos perdemos, não percebemos onde estamos, ou onde estão os personagens, nem o que dizem, ou porque dizem. Não é uma questão de vocabulário, que sendo rico é acessível. É mesmo de estrutura narrativa, de maneirismo na forma das descrições que se perdem no espaço e no tempo. É como se nada pudesse ser dito de forma clara, menos ainda direta, e fosse obrigatório emaranhar. Como se o criador em vez de descamar a realidade para nos a apresentar, a esboçasse com mais e mais camadas até que esta se tornasse irreconhecível, fora do alcance de quem não a viu a nu, dificultando a partilha entre quem conta e quem recebe, por ausência de imaginário comum.

Talvez noutra fase da minha vida, com mais tempo e calma, possa cá voltar para desfrutar o que agora não fui capaz.


*Listas de livros de língua portuguesa
12 Melhores Livros Portugueses dos Últimos 100 anos, 2016
As 50 Obras Essenciais da Literatura Portuguesa, 2016
Melhores Romances Escritos em Língua Portuguesa, Público, 2016
Melhores Romances Escritos em Língua Portuguesa, Restrito, 2016
Grandes Livros RTP, série documental, 2009

Publicado no Virtual Illusion (https://virtual-illusion.blogspot.pt/...).
Profile Image for Ana Santos.
120 reviews19 followers
July 7, 2025
Li Mau Tempo no Canal, há muitos, muitos anos.
Eu e a minha grande amiga Eduarda fizemos um trabalho sobre esta obra magnífica para a cadeira de Introdução aos Estudos Literários. Dedicámos todo um fim de semana memorável a esta tarefa. Adorámos ler a obra, adorámos fazer o trabalho, adorámos descobrir e descodificar toda a simbologia e referências biblícas que se encontram ao longo de toda a história.
Uma obra que só me traz boas recordações (e cuja ação se passa nos Açores).
Uma obra verdadeiramente magistral. Recomendo.
Profile Image for Fátima Linhares.
911 reviews332 followers
January 17, 2021
O canal de S. Jorge e as ilhas do grupo central (Terceira, Graciosa, São Jorge, Faial e Pico) e os Açores são os grandes protagonistas deste romance de Vitorino Nemésio, nada de intrigante, visto que o autor nasceu na ilha Terceira. É um retrato da vida açoriana, da sociedade, dos costumes e das expressões do seu povo.

Queria ter gostado mais deste livro, não é que não tenha gostado, mas não me arrebatou. A protagonista, Margarida, tinha tudo para ser uma grande heroína, mas senti que lhe faltou "tempo de antena". O que é narrado do seu carácter faz com que seja uma grande personagem, mas faltou ali mais um pouco de desenvolvimento da sua história.

Não duvido que seja uma grande obra da literatura portuguesa e da literatura açoriana em particular, mas não me conquistou como eu esperava que acontecesse.
Profile Image for Jose Santos.
Author 3 books166 followers
July 14, 2018
Um clássico que gostei bastante de ler e que retrata espantosamente as pessoas e a vida nas ilhas açorianas. A heroína é a Margarida, o fio condutor de toda a história, das famílias e das relações entre elas. São muitas personagens e infelizmente a tábua de personagens no início do livro revela o fim de algumas delas (ainda não havia a palavra spoilers nos anos 1940's). Assim sabemos logo com quem algumas personagens acabam. Não leiam, se puderem.
Neste romance temos a história principal, onde conhecemos as personagens em variadas situações e também há muitas outras pequenas histórias, observações e descrições que o autor coloca entre a narrativa principal. Bocadinhos de texto que podem ajudar a caracterizar o povo açoriano ou que podem aborrecer o leitor. Eu tive um pouco dos dois.
Para mim, a parte final, no epílogo, após a tourada, está muito bem escrita e termina o livro de forma estupenda. Muito bem escrito, muito credível, emocional.
Acho que daria um bom argumento para um filme ou uma peça de teatro. Há um série da TV, não há??
Profile Image for João.
Author 5 books67 followers
June 20, 2017
No cenário açoriano da burguesia da Horta e da aristocracia agrícola de São Jorge, da vinha e dos baleeiros do Pico, das touradas da Terceira, dos temporais, dos vulcões, da lava e da peste que grassava no início do século XX, Margarida Dulmo e João Garcia estão apaixonados, mas as suas famílias têm questões antigas por resolver e as suas personalidades são quase opostas: ele é formal, quase tímido, indeciso, ela é extrovertida, social, irreverente. A chegada do tio Robert, filho natural (bastardo) do velho Clark, avô de Margarida, vindo de Londres onde trabalha numa casa financeira, vem desequilibrar a pacatez da vida na Horta.

A escrita de Vitorino Nemésio é riquíssima, com uma sintaxe elaborada, um vocabulário muito extenso (Alô, dicionaristas...), carregado de regionalismos tanto a nível das expressões (muitas delas trazidas do inglês dos baleeiros americanos, como "tempo rofe" para "rough" ou "puláiete" para "pull ahead") como da pronúncia. Muitas cenas são tão bem descritas que nos sentimos a vivê-las, como por exemplo a da tourada da Terceira ou da noite em que os baleeiros dormem numa furna depois de terem sido arrastados para São Jorge por duas baleias que trancaram, e que não resisto a transcrever:
"O ti Amaro da Mirateca, ajeitando discretamente o seu molho de maravalhas contra um canto da furna, acomodara-se e dormia, de nariz e barba ao céu. O silêncio que fechava uma vaga... Depois, do outro lado, um ruído seco, timpânico, cortou o ressonar dos baleeiros. Ouviu-se uma voz acordada do fundo da morrinha: «Quem foi que deu um peido?!» «Sssch... Tómim vergonha, padaço de malcriados! Nã têm respeito à menina!...» Só então Margarida se deu conta de que estava deitada na caverna de uma ilha que parecia deserta, embrulhada no pano de uma vela, no meio de homens a quem o sono e o cansaço tinham devolvido o instinto e o bruto calor da natureza."

Os diversos personagens da família Clark e seus criados, dos Garcia e da família do barão da Urzelina, os baleeiros, do grupo de amigos de João Garcia, os criados, são excelentemente retratados. Neste campo, Nemésio não é clemente para o leitor, trazendo-o para namoros, discussões, conversas, diretamente, como se estivéssemos presentes, sem apresentações.

Neste campo dos personagens do romance, é muito curiosa a personagem do tio Ângelo (Garcia), que desde o princípio é apresentado como homossexual numa reflexão de Margarida ("A recordação do maricas acordava nela a soberba dos Clarks, aquele sentimento maciço, enjoado e um pouco cínico. (...) Representou-se-lhe Ângelo de bigodinho frisado a ferro, faces de menina, o cabelo ruço e melado sob o chapéu de coco, correndo as casas da Horta com o seu pezinho atrasado."). Ângelo é descrito como efeminado, gostando de mexericos, adorando organizar festas e decorar igrejas para festas, muito amigo de Pretextato, um viúvo que não voltou a casar, e, pela noite, rondando os quartéis para engatar soldados. João Garcia, o seu sobrinho, olha para o tio com algum desgosto, embora pareça aceitá-lo. Já o irmão, Januário, não só o protege e emprega, como tira partido dos seus conhecimentos sociais. Ângelo, ele próprio, parece ter vergonha de si mesmo ("Olha. João, teu tio é uma desgraça...").
Profile Image for Jose Garrido.
Author 2 books20 followers
June 30, 2025
Regresso ao Mau Tempo no Canal, a cada tantos anos. Sempre com um fugaz receio: será que ainda vou gostar? Será como o xis, o ípsilon e o zê, que em seu tempo achei de paixão imorredoura e hoje sofro com aflição e impaciência?...
Logo no início, quase me assustei, encontrei-lhe um não sei quê de romance russo, na salada de nomes e relacionamentos… mas logo depois, a narrativa puxou-me a pulso. Continua lá, continua todo lá. Magnífico.
Profile Image for Sara Jesus.
1,661 reviews122 followers
April 23, 2018
"Mau tempo no canal" é um retrato dos ilhéus açorianos. É a história de duas famílias rivais: os Clarks e os Garcia. Há quem retrate como "Romeu e Julieta " dos Açores , mas não creio que tal afirmação seja verdadeira. O único ponto em comum é a revalidada entre duas famílias importantes.
É verdade que há um início de romance entre João Garcia e Margarida Dulmo Clark. Mas a paixão não é sufeciente para vencer os obstáculos. E mostrasse mais intensa por parte de João. Contudo, Margarida sempre teve o desejo de viajar e aventurar-se por outras paisagens.

Margarida é uma das personagens mais femininas e interessantes da literatura portuguesa. Uma mulher independente, mas ao mesmo tempo alguém muito ligada as suas origens. É bastante bondosa e aventureira. Muito próxima do seu tio Roberto, que seu pai queira arranjar-lhe um casamento com ele. Mas acaba por unir-se André Barreto, tendo uma bonita relação com os pais destes.

O que realmente impressiona neste romance é o relato dos habitantes das ilhas, as suas tradições e a caça a baleia. Lembrando-nos de "Moby Dick" de Herman Melville, no entanto em vez de centra-se o livro sobre esse tempo oferece-nos só alguns episódios o tornando único. É uma das obras mais belas da literatura portuguesa!
Profile Image for João Vaz.
254 reviews27 followers
August 21, 2021
No início julguei tratar-se do Romeu e Julieta dos Açores. Mas essa ideia dissipou-se rapidamente. Sim, há drama entre as famílias de dois pombinhos enamorados, mas há, não um, mas vários pretendentes de Margarida, presumida Julieta e figura central desta história, uma personagem intricada, sobre quem sublinho o espírito livre e independente. A sério que dá gosto ler sobre ela. A história passa-se no início do século XX, pelos finais da Primeira Guerra Mundial, e a personagem principal é talvez a peste bubónica que assolou as ilhas por essa altura. Toca directa ou indirectamente todas as personagens, sendo também responsável pelos momentos mais comoventes do romance. Nunca tinha lido um livro passado nos Açores e adorei; a sociedade estratificada, os ricos e pobres, os seus tiques, os baleeiros, a sua simplicidade e tormento e, enfim, a insularidade e isolamento das gentes das ilhas e como isso afecta a sua psique. Olhem, fantástico! E deixo uma nota: não leiam as descrições na Tábua de Personagens antes de lerem o livro. Tem um spoiler que me acossou... e muito!, porque o dito só é revelado no último capítulo. Depois não digam que não avisei.
Profile Image for Neni.
22 reviews17 followers
September 15, 2013
Há uma altura certa para cada livro. Pensei que já o devia ter lido há muito tempo mas só agora fez sentido. Lê-lo nesta altura faz com que fique com ele num lugar muito especial do coração. Até qualquer dia Margarida.
Profile Image for João Roque.
342 reviews16 followers
June 10, 2021
Poderá um livro que consideramos quase uma obra prima, ser algo de chato e demorar a ser lido?
Será caso raro, mas acontece e exemplo disto é o romance escrito por Vitorino Nemésio e publicado nos anos 40 do século passado "Mau Tempo no Canal".
Este canal é o que separa as ilhas do Faial e S.Jorge, e claro que também tem a ver com a ilha do Pico.
A edição do livro que possuo é a da Bertrand e só começa na página 40, pois as páginas antecedentes são preenchidas por um longo e brilhante prefácio de David Mourão Ferreira a que se junta algumas das críticas muito positivas de várias personalidades ligadas à literatura portuguesa.
Nesse prefácio DMF mostra bem a diversidade das formas como o livro foi recebido e estando totalmente do lado dos entusiastas dele, não deixa de referenciar essas críticas...
E essas críticas mantêm-se hoje ainda na reacção de quem lê o livro, já que eu, quando começo a ler um livro, dou conta disso num grupo fechado do FB, sobre literatura, e ao referir que ia começar a ler este livro, logo houve pessoas a dizerem que tinham detestado, que não conseguiram acabar de ler e coisas assim.
Por tudo isto, eu estava ciente de que não iria encontrar uma leitura fácil e realmente demorei mais temo do que esperava a terminá-lo.
Quer dizer que não gostei, que foi difícil acabar a sua leitura?
Não no que refere a gostar, eu gostei e gostei muito, mas por várias vezes custava-me a progredir, por causa da forma como Nemésio escreve.
Ele é de tal maneira preciso quer a descrever uma personagem, quer a mostrar uma situação, com uma riqueza de promenores que só um grande escritor pode fazer, que nós, leitores, muitas vezes temos que reler o que foi escrito para alcançarmos tudo o que o autor nos quis transmitir.
As muitas personagens e as várias ligações estabelecidas são fabulosas.
Nomeadamente a forma como descreve as gentes da Horta, desde os grandes senhores falidos aos pobres baleeiros que vivem do mar, melhor do canal...
E depois ainda nos leva auma outra ilha - S.Jorge - muito mais rural e quase toda propriedade de uma família brasonada.
Adicionando tudo isto a uma linguagem que usa a língua portuguesa normal misturada com o delicioso dialecto açoriano, deixa-nos atónitos e obrigatoriamente atentos.
Ainda nos dá, no final, um pouco da vivênciana Terceira, mostrndo uma tourada na velha praça de touros de Angra.
Como disse atrás, personagens há muitas neste livro, mas uma há que centraliza quase todo o livro - Magarida, com um feitio muito especial, uma autêntica heroína da literatura portuguesa.
A sua pessoa enche o livro e seria decerto um papel para uma grande actriz, se este livro fosse transformado em cinema.
Portanto e sem hesitar, leiam o "Mau Tempo no Canal" e não desistam, porque nas suas páginas encontramos das mais belas descrições dos Açores e das suas gentes.
Profile Image for Raquel.
166 reviews52 followers
August 22, 2017
Qual Romeu e Julieta dos Açores, este 'Mau Tempo no Canal' é uma das grandes histórias literárias portuguesas de amores proibidos, de esperanças frustradas e dores dos corações mais apaixonados. Uma obra densa, com uma escrita descritiva e sentimental, que nos cativa pela complexidade das relações sociais que representa.

http://leiturasmarginais.blogspot.pt/...
Profile Image for livros.da.sofia.
471 reviews72 followers
May 11, 2016
Pode ser considerado uma das obras mais importantes da literatura portuguesa, mas não será de todo uma a relembrar.

Uma vez que me foi por vezes difícil concentrar nesta obra, e não consegui encontrar em mais lado nenhum, vou disponibilizar um resumo muito rudimentar por capítulos dos acontecimentos mais importantes.
Profile Image for Natacha Martins.
308 reviews34 followers
June 11, 2012
"Mau Tempo no Canal" é um livro sobre os Açores, mas não é bem um livro sobre os Açores. Foi escrito nos Açores, a acção tem lugar no Arquipélago, as personagens são açorianas, no entanto, a história poderia passar-se em qualquer outra ilha perdida no meio de um qualquer oceano. Posto isto, "Mau Tempo no Canal" é, para além de muitas outras coisas, um livro sobre o isolamento e sobre as amarras da sociedade que nos impõem caminhos que na realidade não desejamos. Tendo como pano de fundo o Canal do Faial, Vitorino Nemésio vai-nos contando uma história de amor, que acaba por não o ser, aliás, poucas são as coisas que correm como planeado neste livro. :) A protagonista, Margarida Clark Dulmo é uma filha da terra, pertencente a uma das famílias mais antigas e respeitáveis da ilha. Margarida é uma miúda inteligente, divertida, corajosa e sonhadora. Todos os seus sonhos acabam, no entanto, por ir contra ao que a família espera dela, um casamento conveniente que permita à família recuperar algum do fulgor económico que perdeu, com a má gestão do pai, Diogo Dulmo, e com a cada vez mais rara caça de baleias.
O livro começa com a promessa de uma história de amor entre Margarida e João Garcia, um rapaz não tão bem-visto no seio dos Clark Dulmo. João Garcia parte para o continente para cumprir serviço militar, deixando Margarida quando ainda havia muito pouco para recordar, no entanto, o que sente por ela em vez de desaparecer, cresce e Margarida acaba por se tornar na única mulher realmente amou. Margarida, pelo contrário, acaba por afastar João Garcia, embora ao longo do livro se perceba que sente por ele mais do que quer dar a entender. Na verdade, Margarida, nos dias de hoje seria, provavelmente, uma mulher concentrada na carreira profissional, sem procurar a felicidade numa relação amorosa, mas sim no seu desenvolvimento pessoal. Posto isto e, tendo em conta que a acção se desenrola entre 1917 e 1919, num sítio rodeado por mar, podemos intuir que a vida de Margarida não será propriamente fácil e as suas escolhas serão tudo menos pacíficas. :) Tendo sempre presente que, num meio pequeno, de certa forma isolado, todos os problemas parecem maiores, todos os dilemas, questões de vida ou morte. Neste aspecto, Margarida não é muito diferente de todas as outras pessoas da ilha.

É com pena que chego ao fim deste livro sem ter gostado especialmente dele. Não me identifiquei com a escrita elaborada de Vitorino Nemésio, não me conseguiu envolver nas vidas das personagens ou mesmo fazer sentir o ambiente das ilhas. Manter a concentração foi o maior desafio que encontrei neste livro. No entanto, embora não tenha ficado impressionada com ele, fiz um esforço extra para tentar chegar ao fim (confesso que saltei parágrafos) queria saber como acabava tudo. A história é boa, a forma com nos é contada é que, pessoalmente, não me cativou. Gostei, por exemplo, dos diálogos, da escrita em "açoriano" praticamente indecifrável mas que ajudavam a criar o ambiente vivido e gostei de algumas descrições. A forma como tudo isto está ligado, pareceu-me por vezes desconexo, confuso e com muitas descrições, para mim desnecessárias. Cheguei a mais de meio do livro e pensei em desistir, custava-me voltar a pegar nele, exactamente porque me sentia completamente desligada da história, tão desligada que a memória do que tinha lido era muito vaga e cheguei a confundir personagens... Só quando li algumas críticas é que me apercebi de que nem tudo acontecia na mesma ilha e que o canal separava a ilha do Pico e do Faial... (shame on me). Só voltei a pegar nele por puro despeito e, na realidade, lá mais para a frente a história ganha outro balanço e, como já referi, gostei da parte dos diálogos e por isso fui lendo.

Não fiquei impressionada e duvido que alguma vez volte a ele, no entanto, não li nenhuma crítica negativa sobre ele, pelo contrário, sempre li coisas muito positivas sobre este livro. Sendo assim, não posso deixar de o recomendar, é muito provável que o problema seja meu! :)

Boas leituras!
Profile Image for Carla Luis.
171 reviews2 followers
October 15, 2016
Um livro soberbo. Não obstante, custou a "pegar" - não fosse a insistida perseverança e não o teria lido. Outro alerta: o prefácio, belíssimo, parece-me que deve ser lido só no fim (e aí fica magnífico!), e talvez até a tabela de personagens.
A cena épica, para mim inesquecível, é a descrição da epopeia dos baleeiros, da canoa a reboque de uma baleia trancada, dos baleeiros a serem conduzidos para outra ilha. Para mim é a descrição épica do livro, inesquecível.
Outras notas são as descrições feitas das classes populares, do povo, da fortíssima estratificação social nos Açores. Ilustrativo é que mesmo sendo uma canoa uma embarcação aparentemente simples, mesmo assim era posse de senhores - e nunca dos baleeiros. Os baleeiros acabam também a ser danos colaterais de outras rivalidades, sem que deles haja dó nem piedade.
Terão muitos escritores descrito de forma tão carinhosa e cuidadosa as classes mais baixas? É uma das perguntas que fica. Dá vontade de ampliar mais uma hipotética lente e procurar seguir esta história em particular do livro.
Um livro fantástico, sem duvida, que do meio realmente prende.
Um livro escrito em plena língua portuguesa, com uma utilização soberba da mesma, abundante vocabulário, recursos, gíria...
Os Açores, como pano, de fundo, ficam envoltos de (mais) mística.
Recomendo, sem duvida.
Profile Image for Nuno Martins.
111 reviews13 followers
February 19, 2012
Este livro foi-me particularmente gostoso de ler, porque para além de ser um dos melhores romances escritos em português no séc.XX, retrata uma zona do país que eu adoro, que são os Açores.
A ação centra-se no chamado "triângulo" que comporta as ilhas do Faial, Pico e São Jorge, mas sendo o término da estória na Ilha Terceira.
A estória em si trata da vida de Margarida Dulmo e dos seus amores, e das guerras entre as famílias Dulmo/Clark com os Garcia... Mas a verdadeira personagem principal são os Açores, Nemésio (tal como Brandão nas suas "Ilhas Desconhecidas", descreve com uma intensidade e realismo as Ilhas, as suas gentes, costumes e falas, que pessoas como eu que tiveram a felicidade de conhecer e viver nos Açores (Faial e Pico), ao ler as suas descrições me passavam diante dos olhos como se lá estivesse nesses mesmos sítios, fossem as ruas da Horta, a imponência do Pico ou as Fajãs de São Jorge.
Gostei especialmente do capítulo em que ele descreve uma caçada à baleia, absolutamente fantástico.
Profile Image for Miguel Tapada.
44 reviews
July 29, 2021
Porque ia de visita ao Faial e ao Pico queria muito ler este clássico da nossa literatura e a leitura não desiludiu.
Não deixando de ser por vezes muito descritivo o que pode desmotivar a leitura, o esforço é recompensado com uma magnifica história e personagens: Centrada na personagem de Margarida Dulmo, filha mais velha de uma notável familia da Horta, somos levados a navegar no canal entre o Faial e o Pico enquanto vamos vivendo o seu amor impossivel com João Garcia, o entusiasmo com o Tio Roberto, a aproximação ao filho do Barão da Urzelina.... uma teia de intrigas vai servindo para apresentar uma critica social ao papel secundário da mulher, ao jogo dos interesses sociais e económicos e apresentando os desafios de uma vida nas ilhas no meio do atlântico.
Levo com entusiasmo o episódio da caça ao cachalote, as vinhas do pico e a tourada na terceira.
Um livro que exige esforço mas que recomendo vivamente
Profile Image for tiago..
461 reviews134 followers
November 1, 2021
Que personagem inesquecível, Margarida Clark Dulmo, e que magnífica obra-prima que Nemésio decidiu afogar em palha, palhinha, palhuço e verborreia. Por todo o livro sobram frases, descrições que duram páginas inteiras, palavrórios que de muito pouco servem. O início do livro foi, confesso, um verdadeiro tédio; e então, chegado a metade, acontece tudo de uma vez: incêndios, mortes, arrestos de bens, dois ou três casamentos, dondocas da Horta que vão à caça da baleia, enfim, uma comoção. Ainda é isso que redime um pouco o aborrecimento inenarrável que algumas partes de Mau Tempo no Canal me causaram. Isso e, sobretudo, o magnífico capítulo final do livro – a verdadeira chave de ouro que faz culminar esse excelente personagem que é Margarida Clark Dulmo.

Dirão que Nemésio é bom escritor e não discordarei – escreve de facto muito bem – mas direi que o estilo não é muito do meu agrado. É o fraseamento confuso, que a cada parágrafo me faz perder o fio à meada, é as descrições que não vão a lado nenhum, é os meandros que nunca mais acabam. Enfim, para gostos as cores. Ainda assim, tive gosto em ler o livro; mas não creio que repita a experiência.
Profile Image for José Pereira.
378 reviews20 followers
February 12, 2024
Só com paciência, atenção e de dicionário na mau se conquista este requintado romance. Cada frase obriga a releitura. Não só pela a intrincada linguagem empregada por Vitorino Nemésio que, entrecortada pelo linguajar Açoreano, muito densifica o texto, mas, principalmente, pela riqueza de cada frase - o cruzar de metáforas, o jogo metonímico, a singularidade das ideias.
O livro, como sabido, é uma ode aos Açores. Procura, e com ligeireza alcança, um retrato irrestrito do arquipélago - do espírito, das gentes e do natural. Os Açores, na sua insularidade, são prenhes de significado, de particularidade pulsante, atractiva. É por isso que tantos (culpado) se apaixonam pelo arquipélago. Nemésio conjura este sentimento magistralmente - nas iridescentes descrições do Pico, dos "mistérios", do mar e das nuvens; no pintar das gentes, o seu alvo trato e o seu carácter Conradiano; no cuidado retrato da História e das tradições.
Ao rol acima descrito, Nemésio acrescenta uma personagem de nomeada. Margarida Dulmo, no seu poder apórico, é das mais complexas e matizadas personagens que encontrei na literatura portuguesa. Enleada por tramas românticas, Margarida nunca é definida por outrem. É ela, mulher no início do século XX, o locus gravitacional, a força activa, do Faial e do livro. Um segredo para outros e para si, Margarida vive numa busca por quem é e será. "Cega" para o futuro, secreto como o mar profundo que cobre a "cucumária dos abismos", Margarida segue irresoluta e estoica, encarnando o poder vital dos Açores. Deliciará qualquer leitor.
Profile Image for Jorge Almeida.
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October 4, 2016
Em face da cidade da Horta na Ilha do Faial nas Açores ergue-se do mar a majestosa ilha do Pico com a sua montanha, a terceira mais alta do vasto Oceano Atlântico.

Uma pequena sociedade escalpelizada, as suas atividades agrícolas e pesqueiras descritas com minúcia e enlevo, as relações entre as classes e grupos sociais finamente dissecadas, as paisagens rurais e urbanas apresentadas com rigor, o tempo e as suas mudanças relatados com exatidão de observador atmosférico, através dos amores de Margarida a filha mais velha de um casal da classe mais alta que junta a fortuna dos ingleses aos pergaminhos aristocratas do ramo português.

Surge, com grande nitidez, aos nossos olhos uma sociedade fechada rigidamente estratificada, ferreamente conservadora, assente numa forte concentração de riqueza no topo e numa pobreza franciscana generalizada na restante população, atrasada economicamente, dizimada por doenças medievais transmitidas por pulgas e ratos e usando ainda técnicas produtivas obsoletas.

Margarida procura o seu futuro que se antevê difícil pelo desgoverno do pai que arruína paulatinamente a fortuna do sogro. E no decurso desta fase de crescimento humano e moral molda-se como uma figura de típica aristocrata feminina assumindo sem constrangimentos ou remorsos o casamento de conveniência que se vai tornando inevitável.
Profile Image for AFG.
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January 9, 2022
Adorei as descrições que transportam quem lê para as paisagens da Horta, do Pico e de S. Jorge. A transcrição dos diálogos com sotaque e expressões açorianas pode ser difícil de ler, mas é uma delícia que se saboreia lentamente. E Margarida Dulmo é, sem dúvida, uma heroína ímpar da literatura portuguesa, complexa e insatisfeita, crítica dos costumes e das tradições, atenta à humanidade e à natureza que a rodeia.
Profile Image for Gonçalo Embaló.
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April 8, 2016
!!!! como de um sítio tão particular escrever uma coisa tão universal? !!!!
Profile Image for João.
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March 2, 2020
PT/ENG
Estava tentado a dar apenas 4 estrelas, mas claramente merecia mais, portanto a meu ver nota correta é 4.5. Digo isto pois a meu ver esta obra tem um defeito (para mim, para outros talvez não), entra em demasiadas descrições e pormenores ao seu redor, seja do ambiente, pessoas até história das ilhas etc e afasta-se um pouco do foco das personagens e história principais demasiado para meu gosto. Apesar de com isto ter aprendido uma coisinha ou duas, Nemésio no seu melhor.
É o tipo de livro que podia ou devia ter mais relevância nas escolas nacionais e especialmente em escolas açorianas, agora com a nova onda em meter história dos Açores e cultura no plano de estudo dos alunos açorianos, isto é um livro que a meu ver tinha de estar.

Numa era que se fala tanto em igualdade do género, falta de representação de personagens fortes femininas, esta obra tinha de estar nos olhos e lista de todos. Pois Margarida é uma personagem feminina com todas as qualidades que tanto querem (muitas vezes até meter há força de uma forma não realista) para uma protagonista feminina. Eça escrevia grandes histórias e grandes personagens, conseguia entrar e desmantelar a natureza humana como ninguém nas suas histórias, mas suas obras tinham uma coisa em comum. Nenhuma tinha uma grande protagonista feminina com as qualidades de Margarida. Atrevo-me a dizer que é a protagonista feminina mais bem escrita e interessante da literatura portuguesa até aquela altura (senão até hoje). E de relembrar que foi escrita por um homem, criado numa sociedade mega conservadora como era os Açores e ainda mais no auge do Estado Novo, é admirável o que o ator fez aqui e deveria ser mais falado.

Na época e até hoje as pessoas caem no erro de acusar o romance de ser muito regionalista e em parte tenho que admitir para alguém que nunca viveu nas ilhas ou não tem ancestral idade nos Açores, não é tão apelativo, mas os temas que trata e as personagens, são universais. Pois muitos esquecem-se que os escritores retratam suas sociedades como elas são para depois quem é "de fora" ver o espelho da sociedade retratada no romance, portanto não cair na armadilha "é um Romeu e Julieta dos Açores" porque não é, o ator em nada quis ser igual a outras obras do mundo como muitos atores caíram, não quis ser igual a ninguém em nenhuma obra.

A obra em si é muito regional, percebo que alguns ficam desligados se não são açorianos ou não conhecem muito o meio. Pois Nemésio apesar de tanto tempo longe de suas ilhas, faz um retrato sócio cultural enorme de suas ilhas, pois ninguém como ele descreveu melhor o que é ser açoriano através do seu "manisfesto" a "Açorianidade", mas ao mesmo tempo a obra um retrato da humanidade em si.

Através de Margarida e sua família e outras personagens, vamos até o inicio da colonização das ilhas, uma ancestralidade Flamenga e Inglesa que existe nas ilhas, através da sua escrita vamos para através das personagens até momentos históricos e personagens açorianos e nacionais. Mostrando que os Açores e suas gentes sempre estiveram presentes na história nacional e até mundial.
A obra retrata o conflito entre duas famílias, uma aristocracia antiga e poderosa em decadência, uma burguesia emergente e a diferença entre classes e estados sociais representado pelos seus criados e os Baleeiros do Pico. O retrato de uma sociedade muito religiosa mas com rituais pagãos, uma sociedade fechada, limitada por sua geografia e conservadora mas aberta, universal e cosmopolita ao mesmo tempo. Uma obra que retrata muitas vezes as escolhas que fazemos e a conformidade que muitas vezes ficamos com nossas vidas. Com temas muito humanos.
Recomendo muito, isto é das obras portuguesas que em nada fica atrás das grandes obras portuguesas.

ENG
I was tempted to give it only 4 stars, but it clearly deserved more, so in my opinion the correct score is 4.5. I say this because, in my opinion, this work has a flaw (for me, for others maybe not), it enters in too many descriptions and details, can be around the environment, people, even the history of the islands, etc. and it moves away from the focus of the main characters and story too for my taste. Despite having learned a little thing or two, Nemésio at his best.
It is the type of book that could or should have more relevance in national schools and especially in Azorean schools, now with the new wave of putting history of the Azores and culture in the study plan of Azorean students, this is a book that in my view had has to be.

In an era where there is so much talk about gender equality, lack of representation of strong female characters, this work had to be in everyone's eyes and list. Margarida is a female character with all the qualities that alot of people wants so much (often even putting strength in female characters in an unrealistic way) for a female protagonist. Eça wrote great stories and great characters, managed to enter and dismantle human nature like no one else in his stories, but his works had one thing in common. None had a great female protagonist with the qualities of Margarida. I dare to say that she is the best-written and most interesting female protagonist in Portuguese literature up to that time (if not today). And to remember that it was written by a man, raised in a mega conservative society like the Azores and written at the peak of the Estado Novo regime, it is admirable what the actor did here and should be talked about more.

At the time and until today people fall into the error of accusing the novel of being too regionalist and in part I have to admit to someone who has never lived on the islands or is not of ancestral age in the Azores, it is not so appealing, but the themes it deals with and the characters are universal. For many forget that the writers portray their societies as they are so that afterwards it is "outside" to see the mirror of society portrayed in the novel, so not falling into the trap "is a Romeo and Juliet of the Azores" because it is not, the actor in no way wanted to be like other works in the world as many actors fell, did not want to be like anyone in any work.

The work itself is very regional, I realize that some are disconnected if they are not Azorean or do not know much about the environment. For Nemésio, despite being away from his islands for so long, he makes a huge socio-cultural portrait of his islands, because nobody like him best described what it means to be an Azorean through his "manifestation" the "Azorean", but at the same time the work a portrait of humanity itself.

Through Margarida and her family and other characters, we go to the beginning of the colonization of the islands, a Flemish and English ancestry that exists on the islands, through her writing we go through the characters to historical moments and Azorean and national characters. Showing that the Azores and its people have always been present in national history and even world history.
The work portrays the conflict between two families, an old and powerful aristocracy in decline, an emerging bourgeoisie and the difference between classes and social states represented by its servants and the Whales of Pico. The portrait of a very religious society but with pagan rituals, a closed society, limited by its geography and conservative but open, universal and cosmopolitan at the same time. A work that often portrays the choices we make and the conformity we often have with our lives. With very human themes.
I highly recommend it, this is one of the Portuguese works that should have been much more prominent.
Profile Image for Henrique S..
15 reviews
April 12, 2025
pá, bué menos. o livro tem 456 páginas - as primeiras 300 e tal páginas não têm plot nenhum, e com uma quantidade absurda e gratuita de personagens que não contribuem nada para a história. meio que escolhi este livro pq diziam ser uma escrita desafiante e que o cenário era os meus amados açores - mas o livro em si não tem praticamente referências nenhumas aos açores de um pov etnográfico? imensas localidades e ruas bué sem motivo nenhum, palavras caras (leia-se, inglesas e holandesas e alemãs e wtv) com imensa frequência super forçadas, o episódio dos baleeiros e dos "rurais" é sempre escrito de forma super estranha e cheia de erros e entonações propositadas à toa, tipo que os burgueses não teriam sotaque açoreano... enfim. "Gostei" das últimas 100 páginas, no sentido de que havia um actual plot a acontecer, mas a verdade é que este livro NÃO é sobre um romance entre membros de famílias opostas; na verdade, eu nem sei sobre o que é este livro... parece a vida de margarida, mas na verdade... não há um plot palpável que justifique 456 páginas.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Helena.
116 reviews3 followers
August 15, 2024
Bardzo wolna i w sumie nie ma tam jakiejś porywającej akcji ale bardzo przyjemnie się ją czytało
Profile Image for Elizabeth Barcelos.
4 reviews5 followers
July 14, 2016
Nouveau riche boy meets girl with an Anglo name and old money. They exchange promises and a ring as a storm rolls through the canal. It's a Romeo and Juliet story set in the Azores Islands; how could I resist? There are even scenes on São Jorge, where my family comes from.

For all that the geography is familiar, everything else was new to me. It's set in another Azores, an Azores before my time, an Azores I didn't know existed. The weather is bad and the characters go through bad times (weather and time being two translations of the word "temp0" into English) but the tempo of the novel never suffers.

Margarida and João's love story is as tempestuous as the weather that runs through the canal that connects the islands of Faial, Pico, and São Jorge. In some ways, it's easy to see which way it will go, but you keep turning the pages anyway as Nemesio immerses you in their world through their families and their geography, both of which serve to drive João and Margarida apart even as they draw you into the story.

After reading this, I understood a little more of what it means to be Azorean. I just wish there was an English translation (there's one on Amazon but it doesn't look promising) I could share with my friends.
Profile Image for Fernando Pestana da Costa.
557 reviews27 followers
January 4, 2021
This is the most famous novel by Nemésio, an important 20th Century Portuguese novelist and intellectual, and is widely considered a masterpiece of last century's Portuguese literature. The masterly description of life in the claustrophobic social atmosphere of the city of Horta in the beginning of the 20th Century. The action is essentially set in three of the Azores' islands (Faial, Pico, and São Jorge) and turns around the complex relationship between two families of Horta's bourgeoisie, but it builds into a subtle and variegated plot in which the coming of age is intermingled with the stiff insular social conventions and prejudices, but also with a lovely panorama of the whaling communities in Pico and the isolated rural life in São Jorge. And all done in the exquisitely and inspired prose of a master of the language. Gorgeous!
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