Excelente livro que mapeia o surgimento da noção de justiça social no pensamento político. O livro demonstra que só no séc. XVIII surgiu a noção de uma justiça distributiva de bens materiais para os mais pobres por meio do Estado. A partir desse momento, a noção de caridade se enfraqueceu e o Estado se agigantou.
Introdução: justiça distributiva em Aristóteles tinha a ver com recompensas por mérito, principalmente status político. Só a partir do séc. XVIII, justiça distributiva ganhou o sentido de repartição segundo as necessidades básicas das pessoas, independentemente de mérito.
Capítulo 01: justiça distributiva em Aristóteles tinha a ver com honra, posições de autoridade política, dinheiro distribuídos de acordo com o mérito, de forma isonômica. Aquino mantém o entendimento. Auxílio aos pobres tinha a ver com caridade, não justiça. Questões de propriedade tinham a ver com justiça comutativa, retribuir a cada o que lhe é devido.
Nem em caso de extrema necessidade, os antigos validaram a noção de distribuição material pelo poder político. Só com Hume e Smith surgiu o problema de justificar o direito à propriedade mesmo diante do aumento da desigualdade social. Nem na Bíblia, nem em Platão, os governos assumem o papel de erradicar a pobreza.
Capítulo 02: no séc. XVIII, surge a noção de justiça redistributiva em que se afirma que o Estado deve redistribuir bens e tirar pessoas da pobreza. Rousseau contribuiu para inspirar uma atitude de que a própria sociedade resolva a pobreza por meio da política. Para Rousseau, a desigualdade excessiva deve ser evitada porque corrói a política. Sua preocupação era com a política, não com o ser humano pobre.
Antes de Rousseau, o pai do liberalismo econômico, Smith, defendeu políticas redistributivas de auxílio aos mais pobres. Defendendo a igualdade entre ricos e pobres, ele sustentou a necessidade de redistribuir para ajudar o mais pobre. Para Kant, a distribuição aos pobres deveria ser questão do Estado porque evita o desdém ou falha da caridade privada e estabelece um direito previsível e exigível a todo homem cujo valor é igual entre si.
Apesar dessas contribuições filosóficas, foi o revolucionário francês Babeuf que, no fim da revolução francesa, proclamou a justiça distributiva: o Estado deve redistribuir para os pobres. Não viver em pobreza se tornou um direito político.
Capítulo 03: após a revolução francesa, a justiça distributiva se consolidou com os sentidos de recompensa maior pelo trabalho e satisfação de necessidades básicas de quem não podia trabalhar. No séc. XX, a justiça distributiva toma a consciência moral popular. E após a segunda guerra, se expande como um ideal sem limites, empoderando o estado. Com a teoria da justiça de Rawls, a distribuição de benefícios se torna o espaço da virtude da justiça.