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A estrela sobe

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Leniza Máier é uma jovem pobre em busca de sucesso na grande fábrica de sonhos da época - o rádio. Para conseguir seus objetivos utiliza de todos os meios - a ponto de recusar o amor verdadeiro e aceitar outros, menos sinceros. Um retrato da era do rádio e da cidade do Rio de Janeiro dos anos de 1930-1940.

224 pages, Paperback

First published January 1, 1939

137 people want to read

About the author

Marques Rebelo

50 books4 followers
Marques Rebelo (nome literário de Edi Dias da Cruz), jornalista, contista, cronista, novelista e romancista, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 6 de janeiro de 1907, e faleceu na mesma cidade em 26 de agosto de 1973.

Era filho do químico Manuel Dias da Cruz Neto e de D. Rosa Reis Dias da Cruz. Sua infância dividiu-se entre Vila Isabel, onde nasceu, e a cidade mineira de Barbacena, para onde sua família se mudou quando ele tinha quatro anos. O que nunca lhe faltou, no Rio ou em Minas, foi um terreno baldio para jogar futebol e livros para ler. Além dos livros de ficção da biblioteca de seu pai, aos onze anos já tinha lido autores que os outros só leem quando adultos: Buffon, Flaubert, Balzac e os clássicos portugueses. Aos 15 anos o conhecimento de Machado de Assis e Manuel Antônio de Almeida iria despertar nele a “coceira de escrever” de que nunca mais se libertaria. Prosseguiu seus estudos e, no início dos anos de 1920, ingressou na Faculdade de Medicina, que logo abandonou para se dedicar ao comércio.

Dedicou-se ao jornalismo profissional no mesmo período. Publicou poemas nas revistas modernistas Verde, Antropofagia, Leite Crioulo e outras. Escreveu seus primeiros contos por volta de 1927, quando fazia o Serviço Militar. Oscarina, publicado em 1931, é, em grande parte, fruto de sua vivência na caserna, que se transformou em literatura graças a uma queda sofrida numa competição esportiva que o reteve meses numa cama de hospital, onde ele aproveitava o tempo para escrever. Juntamente com a decisão de abandonar a poesia e se tornar ficcionista, o escritor tomou a de rebatizar-se. Questionado porque adotou o pseudônimo de Marques Rebelo, Edi Dias da Cruz explicou: “Nome de família muitas vezes atrapalha. Devido à campanha que fizeram contra os modernistas na Semana de Arte Moderna, justamente na época e por influência da mesma senti que tinha vocação para a literatura e resolvi adotar esse pseudônimo, evitando assim sofrimentos para a família.”

Dois anos depois de Oscarina, veio a público Três caminhos, volume composto pelas novelas “Namorada”, “Vejo a lua no céu” e “Circo de cavalinhos”, e o romance Marafa, em 1935, laureado com o Grande Prêmio de Romance Machado de Assis, da Cia. Editora Nacional. O grande êxito viria em 1939 com A estrela sobe, romance de uma jovem suburbana que “vence” no rádio, a grande fábrica de ilusões da década de 1930. Marques Rebelo integrou a geração que fez o Romance de 30, inserido na linha da literatura de acusação e de denúncia da miséria brasileira. Foi o romancista do Rio de Janeiro, sobretudo de sua gente simples e humilde. Para ele, o Rio era a Zona Norte, de onde vinha o Carnaval e onde ia buscar a maioria dos seus personagens da baixa classe média. Escreveu sobre futebol, viagens e sobre Manuel Antônio de Almeida, o primeiro romancista brasileiro a retratar a vida urbana do Rio de Janeiro. Depois de Manuel Antônio de Almeida, Machado de Assis e Lima Barreto, Marques Rebelo foi o mais apaixonado pintor da vida carioca. Mas o Rio por ele descrito já desapareceu, pois ele retratou a cidade nos últimos anos pré-industriais, quando na Tijuca ainda se faziam serenatas, a Lapa estava no auge e casais de namorados passeavam de bonde.

Depois de anos de paciente trabalho, publicou, em 1959, O Trapicheiro, seguido de mais dois volumes: A mudança (1962) e A Guerra está entre nós (1968), que formam o grande e inconcluso romance cíclico O espelho partido, painel fragmentário da vida brasileira, especialmente carioca, na primeira metade do século.

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Profile Image for Felipe Oquendo.
180 reviews25 followers
March 7, 2016
“A Estrela Sobe” é, se não o melhor romance de Marques Rebelo, certamente o mais conhecido dele, fama essa propalada e sustentada pelo filme homônimo em que a atriz Betty Faria faz a personagem principal.

Publicado em 1939, esse romance marca o fim da primeira fase de Marques Rebelo, composta também pelos contos e pelo romance “Marafa”. Após “A Estrela Sobe”, o autor passaria longos anos se dedicando a outras empreitadas, a escrever livros de memórias e biografias, só voltando à ficção para nos brindar com o roman-fleuve “O Espelho Partido”, interrompido por sua morte.

A primeira fase de Marques Rebelo é muito marcada por sua verve de contista, que se caracterizou pelo realismo e pelo prosaísmo, com um olhar sempre atento para o banal e o corriqueiro que valeu ao autor a qualificação de “miniaturista”. Essa é, certamente, ainda a atmosfera que marca “A Estrela Sobe”, embora nesse romance haja muitos sinais de transcendência do mesquinho para os grandes dramas da humanidade, sem que contudo essa transição se complete.

O romance conta a estória de Leniza Maier, desde antes de seu nascimento, passando por sua infância, a morte de seu pai, sua vida difícil mas digna com a mãe, o nascimento de certos anelos no fim da adolescência e os percalços e glórias por que passou ao buscar realizar seus sonhos.

Sendo um romance tão curto, fica claro que não há espaço para que o autor divague ou coalhe a narrativa de cenas inúteis: se a sua vida é contada desde o início, é porque há importância em cada pormenor, num sistema intrincado de “pista e recompensa”: se ficamos sabendo que desde cedo Leniza convive com homens estranhos e, inevitavelmente, os vê nus; se o narrador nos revela que Leniza foi precoce nos namoricos e às vezes se deixava bolinar como forma de agradecimento por uma carona, isto tudo vai encontrar eco no seu comportamento reiterado de usar o sexo – ou sua promessa – como uma moeda de troca na obtenção dos mais variados benefícios. Se vemos Leniza – cena magistralmente elaborada! – encontrando prazer ao afetar humilhação perante a mãe, é para reconhecermos, mais adiante na narrativa, essa característica ressoando na mitomania e histrionismo da personagem.

Seja como for, essa parte do livro serve para dar a Leniza, sua mãe, seu Alberto e às vizinhas suas características básicas, normalmente apresentadas e desenvolvidas por meio do diálogo, das ações ou do discurso indireto livre, isto é, a narrativa impessoal dos pensamentos e sentimentos de Leniza.

Essa parte se encerra quando Leniza, estimulada pelo beócio seu Alberto, encasqueta que quer se tornar uma estrela do rádio. Efetivamente dotada de boa voz e outros encantos físicos, Leniza sem grandes dificuldades consegue uma audição na rádio Metrópole. Em demonstração clara de seu grau de obcecação com a fama e a glória, bem como de sua extrema impulsividade de menina de 16 anos, ela fecha um acordo verbal com a rádio, sem tomar qualquer precaução quanto a pagamento, e se demite do emprego como representante de vendas de uma farmacêutica. Pior ainda, se entrega ao pérfido Mário, como espécie de paga por tê-la inserido no mundo do rádio, mesmo amando o fraco Oliveira, médico que conhecera nas suas visitas profissionais e ao qual não entrega seu corpo.

Marques Rebelo, sem artificialismos e floreios, vai deixando entrever, pouco a pouco, ao leitor, o modus operandi de Leniza, que consiste em fazer coisas pouco recomendáveis impulsivamente por pressentir que desses atos pode advir um benefício, e cobrir suas intenções e feitos com mentiras, primeiro para sua mãe, depois para seu Alberto, para Oliveira, até que enfim passe a mentir sem necessidade, como que por um hábito ou esporte.

Nesse ínterim, Leniza como que descobre e se apropria de seu poder de atração, ganhando através de um tirocínio erótico certo traquejo na manipulação de homens e mulheres. O dilema moral de Leniza, de que ela pouco ou nada toma consciência, é que tem de fato meios poderosos de persuasão dos outros, mas carece da experiência de vida necessária para alcançar seus objetivos sem ser enganada. Ao perceber que foi passada para trás, ela sempre busca remediar a situação de sua própria forma, sem tomar uma distância crítica, conversar com sua mãe, pedir um conselho (exceto para as pessoas que acabou de conhecer e nas quais não deveria confiar tão rapidamente), e o resultado é quase sempre uma piora de sua situação, um novo rebaixamento moral.

Leniza é – coisa rara em literatura – um verdadeiro tipo, mas não é um tipo universal e sim brasileiro. Quantas Lenizas eu conheço, meu Deus! Sua psicologia foi magistralmente revelada por Marques Rebelo sem didatismos, naturalismos excessivos ou artificalismos que tais.

Outra grande conquista de Marques Rebelo é a linguagem simples, ágil, sem contudo perder o lirismo. Os diálogos são extremamente naturais, revelando a linguagem dos cariocas da década de 30 sem que o autor sacrifique no altar da mera imitação fônica. Mas a mim me pareceu mais impressionante ainda a habilidade com que ele lida com a distância irônica e a quarta barreira. O autor cria uma série de convenções que valem apenas para o seu livro e, sem nos dar um manual de instruções (penso aqui em “Avalovara”), ele vai gradualmente nos acostumando com as regras narrativas, de modo tão bem sucedido que eu acredito firmemente que muitos dos leitores nem mesmo atinarão para tais artifícios. Um exemplo é o espaço, levemente maior, que ele usa para quebrar as cenas, convenção tipográfica muito bem vinda num romance sem capítulos definidos e numerados. Outro exemplo, mais original, é o uso de rápidos parênteses durante os diálogos para denotar um pensamento simultâneo à fala. E, finalmente, vem o curioso uso de notas de rodapé, bem parcimonioso, é verdade, nas quais o autor faz um comentário ou revela algum dado sobre um personagem, sempre de forma lírica. O grau de autoconsciência artística, aqui, seria insuperável se não fosse ainda maior no “Espelho Partido”.

Mas voltando à narrativa: Leniza traça sua meta, mas, ao contrário do que o título do romance sugere, não a alcança, esbarrando em diversos obstáculos: a falta de profissionalismo da rádio, sua ingenuidade, alguns inimigos, excesso de otimismo, falta de sorte. Quando fechamos o livro, o maior sucesso de Leniza foi ter ficado bem colocada num concurso de popularidade local, para cujo resultado ela não teria contribuído diretamente. De resto, sua carreira é igualzinha à de todas as suas rivais e colegas, inclusive a obrigação degradante de se prostituir para complementar a renda e saldar as dívidas cada vez maiores, decorrentes sobretudo de gastos com a vaidade.

O ápice do livro é talvez as cenas que mostram, dia a dia, o sofrimento de Leniza com a operação abortiva a que se submeteu: a cantora, tendo escondido sob uma montanha de mentiras todos os seus podres, ironicamente acaba por revelá-los à sua família em estado delirante decorrente da febre. Todos ficam sabendo de seu aborto, das relações com homens e até com uma mulher, da vida de concubinato que levava.

Encarada por um outro ângulo, a trajetória de Leniza Maier lembra uma espiral de ascensão e queda. Em diversos momentos, a ambição difusa de Leniza é interrompida por um desejo de se anular, seja num casamento com Oliveira, a quem ama, seja numa união estável com Porto, a quem se afeiçoou. Mas basta uma mudança, um sinal qualquer, para que ela afaste da cabeça a ideia e volte a focar na sua subida ao estrelato.

Isto ocorre pelo menos três vezes no livro. As duas primeiras, eu já mencionei. Mas a terceira é menos perceptível: depois de atingir o fundo do poço com seus delírios pós-aborto, depois de levar sua mãe a romper relações para sempre consigo, Leniza sente uma necessidade de rezar e, possivelmente, de abandonar aquela vida anulando-se em Cristo. Mas a igreja do Rosário – uma pequena igreja no Centro do Rio de Janeiro pela qual passo todo dia – estava fechada. E a estrela, num de seus raciocínios típicos, toma a igreja pela Igreja, concluindo levianamente que o “céu não me quer”. Nesse ponto, o narrador abandona a narrativa, cheio de comiseração, alegando que perdeu de vista sua criatura.

Esse fim é como que um símbolo do próprio livro: longe de ser um romance de costumes das classes baixas do Rio de Janeiro, ele se propõe a ser a história de uma alma, mas, assim como a alma que descreve, tenta, porém não alcança a transcendência almejada - como se fosse possível sair do prosaísmo com uma personagem tão mundana e mediana. Então, muito naturalmente, o narrador se despede daquele mundo, daquela Leniza, como se fosse mais um de seus amores malogrados.

Que fique bem entendido: é possível, nos mais terríveis bas-fonds da sociedade, encontrar a grandeza humana, para o mal ou para o bem: por economia, cito aqui como prova todos os romances e contos de Dostoievsky. Sucede porém que Marques Rebelo tinha de trabalhar com o material humano a seu dispor. e o que via era só mediocridade, de forma que ao dar ao mundo uma obra-prima, fê-la uma pérola menor, o ápice de um gênero mesquinho.
Profile Image for april (ygor).
7 reviews
April 26, 2022
Depois de finalizar 76% do livro a tarde, deixei para completa-lo outro dia, mas a ansiedade bateu mais forte e, logo, fui correndo finalizar todas as páginas dessa incrível obra carioca. Como posso explicar o protagonismo de Leniza? se não, majoritariamente, confuso, oriundo do próprio estado da personagem durante a maior parte da obra, ao chegar no fim, senti que Marques estava escancarando na minha cara a explicação de que Leniza era nada mais, nada menos, que dependente emocional, sim, de pessoas, de terceiros, a trajetória de Le é marcada por muitos personagens relembráveis (alguns não tão profundos quanto outros) e seus relacionamentos são dos mais caóticos possíveis, Leniza surta, xinga, debocha, ama e odeia todos os seus próximos mais íntimos, até que de alguma forma todos se encontram afastados dela, você SENTE a pressão esvaziando toda saúde mental de Leniza no final do livro, a sensação de solidão naquelas gigantes estrofes sem fim, todas conjuntas em um único parágrafo, característica ao contrário do começo do livro e do meio, onde tudo parece curto, rápido e menos sufocante. Me surpreendeu de muitas formas, nunca esperaria uma reviravolta tão tão grandiosa de uma obra que parecia ser um singelo drama-romance sobre a vida difícil de uma carioca humilde, mas não é, é muito mais, A Estrela sobe trata sobre drama, o sonho, a obsessão, algumas pautas mais escancaradas como o machismo no ramo artístico, assim como as trocas de favores, o previsível linchamento que mulheres recebem durante a obra devido a época inserida. O Rio, o flamengo de A Estrela Sobe é agitado, é contagiante e é sufocante ao mesmo tempo, Leniza se insere em situações e 15 páginas depois entende as furadas que se meteu mas mesmo assim se mantem inteira, permanece intacta com sua grandiosa personalidade, até a finalização do livro, onde tudo parece insuficiente, quase como se Leniza tivesse vivido com os joelhos, suas ultimas descrições chegam até ser meio preocupantes se eu não lembrasse que aquilo eram apenas páginas de uma velha obra brasileira.
Profile Image for Fernando Ferreira.
66 reviews6 followers
April 23, 2016
Deveria escrever sobre o romance «A Estrela Sobe», de Marques Rebelo. O autor é um dos meus prediletos e o livro, até onde sei, um dos mais importantes dele, tendo alcançado grande sucesso de crítica e público — inclusive virou filme em 1974.

Mas os acontecimentos praticamente me impedem de escrever a respeito. Co-mo falar de literatura em meio a um País que desmorona? Que, governado por uma elite psicopática no mais alto grau, afunda em meio ao desespero, em meio à loucura e ao crime generalizado.

Não tenho forças — nem seria o caso — para analisar a situação, sondar suas origens e causas profundas — outros o farão com mais competência e esmero.

Mas penso que, de algum modo, o texto de Marques Rebelo, como toda grande obra literária, joga luz, ainda que parcialmente, sobre a realidade e, no caso, sobre a origem de nossos males.

A personagem principal, Leniza, é um tipo banal. Menina desmiolada, sem re-cursos intelectuais ou espirituais, vive a vida de modo quase inconsciente, sem saber muito bem o que faz e por quê o faz:

- Não sei o que quero, Oliveira. Sei é que não quero o que você me tem proposto.
- Mas que diabo, então, você quer?
- Não acabo de dizer que não sei? (Marques Rebelo, A estrela sobe (Nova Fronteira, 2001), p. 34).

Esse é um traço muito comum do espírito brasileiro. Agimos sem saber muito bem para quê ou por quê. Não fazemos planos, não concebemos projetos de longo prazo, não estabelecemos metas. Tudo o que fazemos é de ocasião, é de improviso. Não temos o costume do esforço, constante e sistemático, em prol de um objetivo a ser alcançado num futuro distante. Nossas ações são de curta duração, são explosões de entusiasmo e energia que logo se exaurem, se gastam, restando daí uma prostração, uma inércia quase insuperável.

Leniza faz o que quer, ela é livre, dona de seu nariz («(...) quero ser livre, Oliveira! Dispor de mim, você não compreende? Dispor de mim. Fazer o que entender») (p. 36). Mas que tipo de liberdade é essa que não serve a objetivo ou propósito algum? A mesma pessoa que afirma não saber o que quer é a que afirma retumbantemente ser é livre — lembro a respeito a frase de Bernanos: «liberdade para quê?».

Essa inconsciência do querer se manifesta de forma mais patente quando nos damos conta que de fato existem duas Lenizas — uma boa e outra, má:

[f]oi arrastada pelo outro «eu» que havia nela, um «eu» mais forte que ela mes-ma: (...)
(...) Ela abafou o grito selvagem, na sensação inglória e dolorosa de que estava sendo aberta ao meio, rachada, dividida em duas Lenizas: Leniza-Bem, Leniza-Mal — destruída para sempre a Leniza-Verdadeira, a que era Bem e Mal... (p. 60 e 82).

Existem, portanto, duas Lenizas que se debatem e lutam uma contra a outra. No entanto, nenhuma das duas prevalece definitivamente — a vontade é fraca, tíbia, sem direção, sem rumo. Leniza diz ser livre, mas isso é o que ela positi-vamente não é: não existe liberdade sem força de vontade, sem propósito, sem rumo definido. Viver ao sabor das circunstâncias, sendo levado para cá e para lá — como no caso de Leniza — é talvez o cúmulo da escravidão.

Num acesso de autoconsciência raro nesse tipo de situação, Leniza exclama: « — Eu sou louca, Oliveira. Eu sou louca!» (p. 45). Oliveira, único verdadeiro amor de Leniza — e, como tudo o mais no romance de Marques Rebelo, um relacionamento falhado, incompleto, frustrado —, traça, em linhas cortantes, o modus vivendi da protagonista:

— Leniza, você não é louca, nada louca. Nenhum louco se acha louco... Mas é incompreensível, sem controle, sem direção, disparatada. Tudo em você é contraditório, inconseqüente, ilógico, absurdo. Sente que está sendo ilógica, inconseqüente, absurda, mas não se importa, não se trava — quer falar, quer se abrir, quer se esvaziar como um alívio (...) (p. 46).

Não existe Leniza, mas várias Lenizas: contraditórias, inconseqüentes, ilógicas. Todas elas em guerra, todas elas lutando umas contra as outras num turbilhão de vontades, desejos, sonhos e delírios sem fim. Leniza é uma casa dividida contra si mesma — não há o mais mínimo de ordem na alma de Leniza; há o caos e a luta fratricida de uma alma partida em vários pedaços.

Platão tratando na «República» da decadência da pólis ideal, da pólis dos filósofos, fala das quatro etapas da queda que, num tempo mítico, fora da história, se manifestaria na seqüência dos regimes da timocracia, da oligarquia, da democracia e da tirania.

Ao analisar a passagem da oligarquia para a democracia, Platão menciona que o homem oligárquico — o tipo prevalecente na sociedade oligárquica — encontra-se à beira de uma guerra interna («all the man is one internal war») (República, 556e). Quer dizer com isso que o homem oligárquico não possui um prin-cípio de unidade, que sua alma não se organiza em torno de um princípio diretor, mas é como que dividida em facções que estão no limite de uma luta aber-ta. O equilíbrio do homem oligárquico é mantido de forma precária, frágil, bastando uma simples ocasião («only a slight occasion») para que esse desequilíbrio se rompa e a guerra interna estale.

Ao fazer a passagem para a democracia, Platão menciona logo de saída que na pólis democrática todos são livres, que a pólis está «cheia de liberdade», que todos podem dizer e fazer o que bem entenderem («and has not every man licence to do as he likes?»). Mais ainda: Platão aponta que no regime democrático existem todos os tipos e todas as condições de homens, uma heterogeneidade total — espécie de multiculturalismo avant la lettre. Arrematando a descrição, Platão menciona que a democracia é anárquica e variegada («anarchic and motley»).

Ao tratar do homem democrático, Platão segue a mesma linha de raciocínio — a alma do homem democrático é dominada por facções em permanente conflito, controlada por paixões e desejos desnecessários em constante estado de tumulto. Insolência, anarquia, prodigalidade e falta de vergonha na cara são os traços típicos do homem democrático. Mas há aqui uma inversão: esses vícios não são tratados como tais, mas sim como grandes virtudes. Insolência é «boa criação»; licença, «liberdade»; prodigalidade, «magnificência»; cara de pau, «virilidade».

Além disso, o homem democrático vive sua vida de maneira absolutamente caótica, sem nenhum rumo, sem nenhuma direção — a cada novo dia, um novo desejo, uma nova resolução («also live out his life in this fashion, day by day indulging the appetite of the day») (República, 561c).

Em suma, tanto o homem com a pólis democrática não possuem ordem nenhuma. São compostos, cada qual, de muitas partes, de muitos elementos, todos em conflito uns com os outros. Preenchido de muitos desejos, de muitos apetites — a grande maioria desnecessários —, o homem típico da democracia vive desordenadamente, sem propósito firme algum ou, melhor dizendo, trocando de propósito a cada dia, por mero capricho, sem nenhuma lógica. A alma do homem democrático é uma colcha de retalhos sem nenhum padrão, sem nenhuma ordem — ela vive em guerra interna permanente.

Ao ler o romance de Marques Rebelo, e ao notar o comportamento de Leniza — sua instabilidade, sua falta de direção, sua volubilidade —, lembrei-me da descrição do homem democrático de Platão. E não é assim mesmo? Não vivemos num mundo povoado de Lenizas? De pessoas que não sabem o que querem, não sabem para onde vão, o que desejam, o que realmente devem ou não devem fazer? Não somos todos nós, em maior ou menor grau, birutas ao vento, tal como Leniza, mudando de direção ao sabor das circunstâncias, sem sabermos como impor nossas vontades, nossos propósitos, nossos planos?

Jules Payot, em «A Educação da Vontade», fala que, até meados do século XVIII, a disciplina da vontade, dos propósitos, não era um problema — a Igreja Católica, com toda a sua autoridade, exercia uma influência poderosa sobre as consciências, guiando-as no caminho determinado pelos santos e pelos doutores da fé. Entretanto, já no tempo dele — fins do século XIX —, as coisas já não eram assim. Desaparecida a influência do clero católico, as consciências se viram sem rumo, sem propósito, soltas no mundo em meio ao turbilhão das circunstâncias e do acaso.

E não é o caso de notar apenas o desaparecimento da influência reguladora da Igreja. Há também de se notar o desaparecimento da influência da própria família. Esta também, em tempos passados, exercia uma poderosa influência sobre seus membros — ninguém escapava da influência e educação domésticas. Isso porque, segundo Eric Voegelin, falando sobre a «República», de Platão, pai, mãe, irmãos, amigos, conhecidos, etc. são tantas forças psíquicas que atuam na alma do indivíduo, sendo esta nada mais nada menos do que uma sociedade de forças psíquicas («[t]he psyche is a society of forces») (Eric Voegelin e Dante L. Germino, Order and History: Plato and Aristotle. Volume III (University of Missouri Press, 2000), p. 179).

Ora, no caso de Leniza, quais seriam as forças psíquicas a atuar em sua alma de maneira retificadora, isto é, como elementos que poderiam emprestar algum princípio àquela alma «sem controle, sem direção, disparatada»? A primeira força psíquica que vem à mente seria a do pai, Seu Martin Máier. O problema é que o homem morreu cedo, quando Leniza ainda era uma pequena criança, não havendo tempo de exercer uma influência positiva na sua alma. Ainda assim, mesmo que Seu Martin não tivesse desaparecido tão precocemente, não parece que pudesse exercer essa influência ordenadora na alma de Leniza — era gastador, vivendo sempre nas mãos de credores («[g]astava quanto ganhasse, se endividando mesmo por amor a uma porção de pequenos luxos bur-gueses») (p. 10).

As outras forças psíquicas a influenciarem — ou que poderiam influenciar — Leniza são Mário, Dulce, Oliveira, Porto, Seu Alberto e Dona Manuela. O primeiro, Mário, evidentemente não pode ser uma influência, senão negativa. É um aproveitador rastaqüera, um pilantra, um estróina. Talvez seja um dos grandes responsáveis pela corrupção de Leniza, ao introduzir esta no mundo do rádio e dos artistas — quase todos uns transviados. O mesmo se diga de Dulce que inicia Leniza na prostituição. Oliveira, talvez o único verdadeiro amor de Leniza, poderia, em certa medida, ser a influência ordenadora que ela tanto necessitava. Mas é fraco, uma alma derrotada pela dureza da vida, incapaz de reagir e tomá-la em suas próprias mãos. Oliveira é mais o resultado, a manifestação, da alma partida do que um fator de cura. E, mesmo assim, cansado da situação humilhante no seu relacionamento — igualmente falhado — com Leniza, ao fim desiste dela, abandonando-a à própria sorte na cena em que recusa arranjar o procedimento abortivo que ela buscava tão sofregamente.

Sobram três personagens, três forças psíquicas: Porto, Dona Manuela e Seu Alberto. Começando pelo último, Seu Alberto é o cume da inconsciência beócia. Um idiota completo que, muito provavelmente, por conta de sua sugestão leviana a respeito do talento musical de Leniza, tenha colocado a vida desta no rumo da devassidão e do desespero. É um exemplo clássico de inconsciência — o sujeito que não consegue atinar com causa e efeito; que não consegue perce-ber um palmo à frente do nariz; que foi incapaz de notar que, ao sugerir uma carreira de diva do rádio à Leniza, poderia estar condenando-a à uma vida de dissipação, de excessos, de pouquíssima ou nenhuma virtude dada a influência perversa do meio artístico.

Porto, como o próprio nome indica, poderia ter sido o porto seguro de Leniza — e talvez mesmo o fosse. Apesar de o relacionamento de ambos ter começado de forma nada ortodoxa — começa como um acerto de prostituição, Leniza oferecendo-se por trinta dias por um punhado de moedas —, fato é que o afeto se desenvolve em ambos, Porto mostrando-se uma companhia boa, justa e amiga: « — Você é tão bom, Porto. Daria um bom marido. Palavra! Por que é que você não se casa?» (p. 187).

O problema é que Leniza, em mais um de seus gestos súbitos, inopinados, sem a mais mínima reflexão, dá cabo do relacionamento, entregando-se, como prostituta de luxo, nos braços de Amaro, velho rico e loucamente lascivo. O relacionamento quebra-se irremediavelmente:

Porto quisera, a princípio, ser calmo e irônico — Você é surpreendente, meu amor! — mas acabou por magoar-se seriamente. Leniza tentou explicar, tentou lembrar-lhe o acordo, mas ela mesma já se arrependia da precipitada decisão, só não queria dar o braço a torcer, e explicava por explicar... Mas ele não aceitara a explicação. Ela acabou por se sentir-se vencida. Chorara, ajoelhara aos pés de-le, sinceramente arrependida, pedindo perdão. Foi inútil. «Não! Não! Tudo que você precisasse, Leniza, eu haveria de arranjar. Você nem sabe como eu já esta-va gostando de você!...» Ela sabia. Como era delicado, terno, complacente para suas tolices. Como procurava corrigir seus gestos impensados e as bobagens que dizia. Perto dele sentia-se contente, plácida, satisfeita... (...) (p. 191).

Sobra, então, Dona Manuela, a mãe. Seria ela a pessoa mais adequada, mais talhada, para exercer uma influência positiva sobre a alma de Leniza, como uma espécie de princípio ordenador, em torno do qual os vários elementos em luta na psique dessa última pudessem cada qual encontrar o seu lugar.

Acontece que Dona Manuela não desempenha esse papel — não porque se negasse, mas porque não tinha tônus moral, não tinha recursos espirituais para tanto.

É uma mulher calada que, apesar de amar sua filha, dificilmente demonstrava afeto. Sonhava com um bom casamento para Leniza, de modo que esta pudesse seguir vida semelhante à sua, junto a um homem sério e bondoso que a provesse.

Dona Manuela é boa pessoa — séria, honesta, trabalhadora, econômica, etc. Mas essa bondade é insuficiente, é fraca, é passiva. Ela é o retrato perfeito, a encarnação ideal, das virtudes do bom burguês, daquele sujeito que é bom funcionário, cumpridor de ordens, zeloso de seus deveres profissionais e domésticos, em suma, bom cidadão. Dona Manuela é isso — dona de casa exemplar, esposa fiel, trabalhadora infatigável, mãe zelosa.

Nada disso, no entanto, dá à Dona Manuela forças para enfrentar os desafios que se lhe apresentam com relação a Leniza. Ela não vê, em nenhum momento, o abismo no qual a filha se precipita. Ou, mesmo que, de algum modo, pressinta o risco, é incapaz de uma decisão enérgica, firme, de um «não» decidido.

Dona Manuela não comanda o seu lar, sendo arrastada, tal como a filha, pelas circunstâncias. A bondade existe, mas é inerte, passiva, como que contida, sem energias para se manifestar em gestos largos, em ações decisivas.

Esse caráter burguês das virtudes de Dona Manuela, sua total fraqueza na defesa dos destinos de Leniza, revela-se de maneira acachapante no momento da descoberta, da anagnorisis — a partir da leitura da carta anônima, que revela o comportamento devasso e sórdido de Leniza, Dona Manuela nitidamente murcha, encolhe-se, numa impotência, numa ausência de reação que chega a ser enervante para quem lê o desenrolar da trama. Ao invés de reagir, de cobrar explicações da filha, de passar-lhe um pesado sermão, de exigir uma drástica mudança de vida — os antigos meteriam Leniza num convento —, Dona Manuela cala-se, mostrando sua contrariedade apenas pela mudança formal de tratamento: não chama mais Leniza de «minha filha», e sim de «você».

No fim, quando Leniza, à beira da morte, em meio a acessos de delírio causa-dos pela febre altíssima , revela todos os lances sórdidos de sua vida, Dona Manuela mostra-se novamente incapaz de qualquer reação — cuida da filha, é verdade, mas feito autômato. Sim, o choque é terrível, brutal. Mas houve tempo para absorvê-lo, processar essas informações — por mais terríveis que fossem — e reagir, lutar pela vida e pelos destinos da filha. Dona Manuela não faz nada disso — sua participação na vida de Leniza termina laconicamente, de maneira patética, com o abandono do campo de batalha:

13 de... (sexta-feira) — Quando acordou eram já dez horas e o sol ia alto, um sol escondido que não furava as nuvens. Levantou-se, caminhou para o banheiro. Passou pela sala — a mãe não estava. Passou pela cozinha — a mãe não estava. Esforçou-se para supor: teria saído apenas? Mas não foi possível. Sabia muito bem que não teria saído apenas. E acudiram-lhe os rumores de véspera, quando já estava meio adormecida — abrir e fechar de gavetas, barulho de objetos sobre a mesa, barulho de papel embrulhando, ranger de tesoura cortando. Uma dor no coração — só! (p. 238-239).

A vida de Leniza é um desastre. Uma vida de desejos contraditórios, fraqueza de vontade, falta de direção, loucura, impulsos. A situação no final do livro é tão deprimente, de um gosto tão amargo, que nem mesmo na religião — religião de sua infância e meninice — Leniza consegue encontrar conforto e orientação: vê a igreja da rua do Rosário com as portas fechadas: «[a]h!, e estacou — a igreja estava fechada. O papel caiu-lhe da mão ou ela jogou-o fora? Não! O céu não me quer!» (p. 241).

Leniza se perde na vida, mas a derrota não é exclusivamente sua. Quantas pessoas, quantas vidas cruzaram com a sua e foram incapazes de ajudá-la, de guiá-la, de orientá-la. S. Luís Maria Grignon de Monfort, escrevendo nos primeiros anos do século XVIII, notava, já naquele tempo, a dificuldade para se perseverar na justiça «por causa da corrupção do mundo» (São Luís Maria Grignon de Montfort, Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, 46ª ed (Petrópolis: Editora Vozes, 2015), p. 96). Dizia ele que:

[o] mundo está, atualmente, tão corrompido, que é quase necessário que os corações religiosos sejam manchados, se não pela lama, ao menos pela poeira dessa corrupção (...).

O nosso mundo, o mundo de Leniza, não está em situação melhor. Não temos mais a influência poderosa da Igreja Católica, nem mesmo dos grandes filósofos. Nosso mundo anda à deriva, sem princípio de ordem, sem direção. Não temos mais — imagem que Sócrates tantas vezes traz à tona na «República» — o piloto que governe o timão.

Se Leniza tem culpa pela ladeira abaixo em que coloca sua vida, também temos culpa todos nós — toda a sociedade. Esse conjunto de forças deveria atuar para, na maior medida do possível, colocar a vida dos indivíduos numa boa direção, numa direção adequada. Mas não fazemos isso, seja por incapacidade, fraqueza ou indolência.

O que Marques Rebelo nos mostra, então — ou ao menos o que mais me chamou a atenção em «A Estrela Sobe» —, é que todos nós, em maior ou menor medida, participamos do mal de Leniza, de Dona Manuela, Seu Alberto, Oliveira, etc. Não temos rumo, somos fracos, quase que completamente incapazes de resoluções firmes e duradouras, de longo prazo.

Marques Rebelo é grande artista, grande escritor, pois consegue espelhar com nitidez essa face de nossa constituição, esse mal du siècle que nos consome e derrota — e faz isso com grande sensibilidade e simplicidade, com um estilo conciso, fácil, rápido, mas que não abre mão da precisão na descrição psicológica, não permitindo, no entanto, que estas se transformem em monólogos existencialistas daqueles que enchem o saco do mais paciente dos cristãos.

Sim, a conclusão final é que Leniza está entre nós — às centenas, aos milhares. Somos todos, em maior ou menor medida, Lenizas: birutas ao vento sem raízes, jogadas de um lado ao outro pelas circunstâncias do momento. Além disso, não contamos com nenhuma força social, nenhuma força psíquica, a contrabalançar a loucura reinante — onde está a Igreja? Onde está aquela poderosa força que moldava corações e mentes? E isso, mui certamente, é a origem — ao menos parte dela — de todos os nossos males: sociais, políticos, econômicos.
Profile Image for Almir Santos.
52 reviews
January 17, 2022
Um passeio no RJ de metade do século passado, e a vida de uma garota perdida. A estória ilustra com muita proximidade como, sem nem perceber, muitas pessoas vão levando suas vidas rumo ao abismo.

Começam fugindo da realidade aos poucos, postergando responsabilidades, desejando facilidades... Lhes ocorre um sonho meio desastrado, ali no improviso, para tampar um vazio que nem sentem — "por que não?", e o tomam para si. Não param um só momento para perceberem quem são, onde estão, para quê e para quem. Trágico...

No mundo de hoje com suas e-girls, packs e Onlyfans, esse com certeza é o retrato de muitas. Para obras que não perdem sua atualidade, nota 5.
Profile Image for Alexandre Rivaben.
219 reviews2 followers
March 27, 2024
Um texto muito fluído e gostoso de ler, daqueles que você lê em uma sentada (foi o que aconteceu comigo).

Vi muitas qualidades na obra. Destaco, em especial, a construção da personagem Leniza: uma mulher sonhadora, determinada, mas repleta de questionamentos e inseguranças. Uma mulher misteriosa, apaixonada pela vida e pelo que ela tem a oferecer. Quem nunca conheceu alguém assim em sua juventude?

Gostei muito também da ambientação (Rio dos anos 40) e da forma como os diálogos são escritos, mostrando o que o personagem está falando e o que ele está, de fato, pensando no momento da fala. O recurso leva a momentos muito interessantes e divertidos.

Profile Image for Cicero Marra.
354 reviews23 followers
September 2, 2018
Tirando o crescendo dramático que antecede um final muito comovente -- bem ao estilo Marques Rebelo -- não há nada demais na história, a nao ser o fato de "A Estrela Sobe" ser, talvez, um dos primeiros romances realmente "marginais" do Brasil. Mesmo assim vale a pena ler.
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