É preciso retirar a homossexualidade do campo da medicina e da psicologia confinada pelo pensamento oficial. O primeiro passo para isso é observá-la sob a ótica da cultura e da política, no sentido mais amplo desta palavra. A situação brasileira contemporânea serve de ponto de partida para essa reflexão: da afronta de Caetano ("é proibido proibir"), passando pela rígida separação do feminino e do masculino até o surgimento da consciência homossexual.
Os livros da coleção Primeiros Passos sempre são bastante elucidativos para quem está ingressando em um tema. Embora não esteja ingressando agora neste tema, é a primeira vez que leio um material bibliográfico sobre o mesmo. É um livro esclarecedor quanto a uma antropologia da homossexualidade em povos primitivos e sua relevância social dentre os mesmos. Também traz um histórico de como a homossexualidade era tratada no Brasil desde o descobrimento até 1983, o último ano da ditadura e da publicação deste volume. Depois versa sobre como a homossexualidade passou de pecado, para crime, para doença e, aí sim, para uma variação da sexualidade. Por fim, mas não menos importante, o último capítulo aborda as lésbicas e como elas não se encaixam nem no movimento feminista e também não se encaixam no movimento gay. No final do livro também existe uma indicação de bibliografias para aqueles que desejam pesquisar mais sobre o tema. Recomendo para todo gay ler e, para aqueles que possuem alguma dúvida sobre sua sexualidade ou sobre a legitimidade do "terceiro sexo".
Para uma primeira experiência em leituras queer, essa obra - por mais antiga que seja, são quase 40 anos de sua publicação - cria uma base interessante para exploração. Entre noções básicas da homossexualidade como aparato social, passando por uma breve história no movimento mundial refletido no Brasil, o autor traça caminhos para se entender esse paradigma e sua, até então, assimilação na sociedade. Fazendo apenas um contraponto, a abordagem aqui da figura "travesti" é debatida rasamente e por vezes até de forma preconceituosa - provável que ainda não enxergassem a transexualidade como algo a ser considerado para o movimento GLS. É inevitável, porém, dizer que muitas das proposições ainda são atuais e os estigmas associados tanto aos homossexuais quanto às feministas estão mais vivos que nunca.
Published in the 80s, in my native language, it is a very good introduction to Homosexuality as it happened during those decades, and enticing the reader to think about gender roles, the evolution of homosexuality (first as sin, then as a disease, then as a identity), and how often the most accepted homo relationships and the terms used by people in the community at the time tend to follow sex roles found in straight relationships.