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Vou-me embora de mim

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Portugese

87 pages, Unknown Binding

First published January 1, 2000

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About the author

Joaquim Pessoa

32 books9 followers
Com formação na área do "marketing" e da publicidade, foi diretor criativo e diretor-geral de várias agências de publicidade e autor ou co-autor de diversos programas de televisão ("1000 Imagens", "Rua Sésamo", "45 Anos de Publicidade em Portugal", etc.).[carece de fontes] Foi diretor pedagógico e professor da cadeira de Publicidade no Instituto de Marketing e Publicidade, em Lisboa, e professor no Instituto Dom Afonso III, em Loulé.

Desempenhou durante seis anos (1988-1994) o cargo de director da Sociedade Portuguesa de Autores. Em colaboração com Luís Machado, organizou em 1983 o I Encontro Peninsular de Poesia, que reuniu prestigiados nomes da poesia ibérica. Conta com mais de 600 recitais da sua poesia, realizados em Portugal e no estrangeiro.[carece de fontes] Foi director literário da Litexa Editora, diretor do jornal "Poetas & Trovadores", colaborador das revistas "Sílex" e "Vértice" e do jornal "A Bola".

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Profile Image for Carmo.
735 reviews579 followers
July 13, 2016
Um livro que é uma viagem pela vida do homem e do poeta, dissecando vivências entrelaçadas no poema.
Não conhecia a autor mas reencontrei-me também eu nesta poesia de uma maturidade consciente, melancólica e tranquila, pontoada por jogos de palavras e repetições constantes.

"Entre vento e navalha escolho o vento.
E com o vento partilho tudo quanto ganho: lingotes de ternura, moedas de oiro vivo, amigos, coisas simples, liberdade.
É minha a casa de água onde me oiço cantar, mas é de vós a voz e o próprio canto. O como é o quando. E o quanto.
Sou um viajante dos milénios.
Nasci em Ninive mas conheci Vergílio, que a vós conheceu também; a esfinge viva prisioneira do sol,
oferecia-a a Da Vinci, foi Gioconda, com o sorriso de um poeta rouxinol.
De Ginsberg, veleiro de heroína, recebi uma carta a abarrotar de versos
com o selo de Nabucodonosor. A melancolia do cisne agarrou-se aos poemas como a luz do sol às paredes de Florença.
Williams, Ferlinghetti, trocando impressões com Whitman, beberam em maravilhosos copos, os mesmos que Villon havia atirado contra o chão.
Shakespeare viaja quase sempre só, podem encontrá-lo nas melhores salas europeias, vestido com o rigor do canto das cigarras, procurando ver dentro dos homens como Camões e Dante.
Fui eu quem entreguei toda a correspondência de Neruda,
fui eu que por noites e noites ouvi falar Verlaine um pouco irritado com o riso de Rimbaud.
Em vosso nome, desculpem-me, incentivei Aragon à resistência, bebi de Éluard as mais pequenas e as maiores pérolas que a liberdade criou, e saudei, como eu saudei!, Cervantes e Cesário.
o eternamente vivo e o "meu querido morto".
Entre o vento e a navalha também eu escolho o vento,
David. Obrigado David, obrigado Amigo.
E também eu "não sou nada, nunca serei nada, não posso querer ser nada," mas será sempre minha a escolha, ofereço-a, dedico-a a vós que me podeis escolher ou rejeitar.
Disse-me Borges que não poderia nunca tirar as minhas lágrimas e trocá-las por outras.
e Don Vicente Aleixandre abraçou-me um dia
dizendo-me que abraçava a poesia portuguesa.
É agora tu, José, que farás com esse prémio?
"Mesmo que seja só de passagem, essa é uma brisa que te renova",
mas também um vento que entrou pelas casas
onde nunca tinhas entrado e onde agora te demoras.
Como disse, partilho quanto ganho: lingotes de ternura, moedas de oiro vivo, amigos, coisas simples, liberdade."

Profile Image for Rosa Ramôa.
1,570 reviews87 followers
December 27, 2014
A tua língua tem a consistência da rosa
e o sabor da madrugada.
Ergo-a com a minha na direcção do céu
e voas no interior da minha boca.
Mordes os meus lábios
e ficas com a boca entumescida e plena.
Se abres a boca deslizo na língua até à garganta
a sou a loba branca que vem morrer à praia.
Percorro o teu ouvido
como o mar explora as grutas;
procuro nele os búzios, as pedras,
as algas da tua história.
No meu peito as tuas mãos deslizam
e veêm nele uma superfície castanha,
um velho espelho chinês;
mas no teu peito as minhas mãos suscitam
a escultura e a música:
fazem nascer o volume amigo da terra,
os primeiros sonhos da tarde.
Na minha boca o teu peito é tranquilo:
oiço nele a água, a cor do ouro, o silêncio.
A tua pele está agora colada ao meu rosto
e leio nela uma mensagem.
Se sinto nas minhas mãos a curva das tuas coxas,
a grande baía azul do teu ventre descansa;
se me encosto na almofada,
as tuas pernas dobram-se em ângulo recto.
As mãos sobem até ao joelho e descem, depois,
até se imobilizarem na grande rosácea aberta do teu ser.
A minha mão toma agora a forma de ogiva
e lê nas estalactites aromáticas do teu ser
as inscrições e os símbolos que me transmites.
Repouso com a cabeça entre os teus pés
e aperto nos meus a tua cabeça.
Nas tuas mãos sou um unicórnio livre:
elas falam de todo o amor deste mundo
através dos seus cinco sinos.
Quando as tuas mãos guiaram o chifre fálico
nas espaçosas paisagens do teu ser,
os cisnes espalharam-se pelo lago
batendo com a cauda.
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