Com formação na área do "marketing" e da publicidade, foi diretor criativo e diretor-geral de várias agências de publicidade e autor ou co-autor de diversos programas de televisão ("1000 Imagens", "Rua Sésamo", "45 Anos de Publicidade em Portugal", etc.).[carece de fontes] Foi diretor pedagógico e professor da cadeira de Publicidade no Instituto de Marketing e Publicidade, em Lisboa, e professor no Instituto Dom Afonso III, em Loulé.
Desempenhou durante seis anos (1988-1994) o cargo de director da Sociedade Portuguesa de Autores. Em colaboração com Luís Machado, organizou em 1983 o I Encontro Peninsular de Poesia, que reuniu prestigiados nomes da poesia ibérica. Conta com mais de 600 recitais da sua poesia, realizados em Portugal e no estrangeiro.[carece de fontes] Foi director literário da Litexa Editora, diretor do jornal "Poetas & Trovadores", colaborador das revistas "Sílex" e "Vértice" e do jornal "A Bola".
Um livro que é uma viagem pela vida do homem e do poeta, dissecando vivências entrelaçadas no poema. Não conhecia a autor mas reencontrei-me também eu nesta poesia de uma maturidade consciente, melancólica e tranquila, pontoada por jogos de palavras e repetições constantes.
"Entre vento e navalha escolho o vento. E com o vento partilho tudo quanto ganho: lingotes de ternura, moedas de oiro vivo, amigos, coisas simples, liberdade. É minha a casa de água onde me oiço cantar, mas é de vós a voz e o próprio canto. O como é o quando. E o quanto. Sou um viajante dos milénios. Nasci em Ninive mas conheci Vergílio, que a vós conheceu também; a esfinge viva prisioneira do sol, oferecia-a a Da Vinci, foi Gioconda, com o sorriso de um poeta rouxinol. De Ginsberg, veleiro de heroína, recebi uma carta a abarrotar de versos com o selo de Nabucodonosor. A melancolia do cisne agarrou-se aos poemas como a luz do sol às paredes de Florença. Williams, Ferlinghetti, trocando impressões com Whitman, beberam em maravilhosos copos, os mesmos que Villon havia atirado contra o chão. Shakespeare viaja quase sempre só, podem encontrá-lo nas melhores salas europeias, vestido com o rigor do canto das cigarras, procurando ver dentro dos homens como Camões e Dante. Fui eu quem entreguei toda a correspondência de Neruda, fui eu que por noites e noites ouvi falar Verlaine um pouco irritado com o riso de Rimbaud. Em vosso nome, desculpem-me, incentivei Aragon à resistência, bebi de Éluard as mais pequenas e as maiores pérolas que a liberdade criou, e saudei, como eu saudei!, Cervantes e Cesário. o eternamente vivo e o "meu querido morto". Entre o vento e a navalha também eu escolho o vento, David. Obrigado David, obrigado Amigo. E também eu "não sou nada, nunca serei nada, não posso querer ser nada," mas será sempre minha a escolha, ofereço-a, dedico-a a vós que me podeis escolher ou rejeitar. Disse-me Borges que não poderia nunca tirar as minhas lágrimas e trocá-las por outras. e Don Vicente Aleixandre abraçou-me um dia dizendo-me que abraçava a poesia portuguesa. É agora tu, José, que farás com esse prémio? "Mesmo que seja só de passagem, essa é uma brisa que te renova", mas também um vento que entrou pelas casas onde nunca tinhas entrado e onde agora te demoras. Como disse, partilho quanto ganho: lingotes de ternura, moedas de oiro vivo, amigos, coisas simples, liberdade."
A tua língua tem a consistência da rosa e o sabor da madrugada. Ergo-a com a minha na direcção do céu e voas no interior da minha boca. Mordes os meus lábios e ficas com a boca entumescida e plena. Se abres a boca deslizo na língua até à garganta a sou a loba branca que vem morrer à praia. Percorro o teu ouvido como o mar explora as grutas; procuro nele os búzios, as pedras, as algas da tua história. No meu peito as tuas mãos deslizam e veêm nele uma superfície castanha, um velho espelho chinês; mas no teu peito as minhas mãos suscitam a escultura e a música: fazem nascer o volume amigo da terra, os primeiros sonhos da tarde. Na minha boca o teu peito é tranquilo: oiço nele a água, a cor do ouro, o silêncio. A tua pele está agora colada ao meu rosto e leio nela uma mensagem. Se sinto nas minhas mãos a curva das tuas coxas, a grande baía azul do teu ventre descansa; se me encosto na almofada, as tuas pernas dobram-se em ângulo recto. As mãos sobem até ao joelho e descem, depois, até se imobilizarem na grande rosácea aberta do teu ser. A minha mão toma agora a forma de ogiva e lê nas estalactites aromáticas do teu ser as inscrições e os símbolos que me transmites. Repouso com a cabeça entre os teus pés e aperto nos meus a tua cabeça. Nas tuas mãos sou um unicórnio livre: elas falam de todo o amor deste mundo através dos seus cinco sinos. Quando as tuas mãos guiaram o chifre fálico nas espaçosas paisagens do teu ser, os cisnes espalharam-se pelo lago batendo com a cauda.