Sequência às teses de O anti-Édipo, contendo todos os componentes de um tratado de filosofia clássica - ontologia, física, lógica, psicologia, moral, política e estética. A obra é organizada em quinze "platôs", que podem ser lidos de forma independente. O volume 1 inclui os platôs 1) Introdução: Rizoma; 2) 1914 - Um só ou vários lobos?; e 3) 10.000 a.C. - A geologia da moral (quem a Terra pensa que é?); além do prefácio à edição italiana escrito pelos autores em 1987. Na presente edição foram acrescentados a indicação das páginas da edição original francesa, índice onomástico, índice das matérias e uma bibliografia de Deleuze e Guattari.
Deleuze is a key figure in poststructuralist French philosophy. Considering himself an empiricist and a vitalist, his body of work, which rests upon concepts such as multiplicity, constructivism, difference and desire, stands at a substantial remove from the main traditions of 20th century Continental thought. His thought locates him as an influential figure in present-day considerations of society, creativity and subjectivity. Notably, within his metaphysics he favored a Spinozian concept of a plane of immanence with everything a mode of one substance, and thus on the same level of existence. He argued, then, that there is no good and evil, but rather only relationships which are beneficial or harmful to the particular individuals. This ethics influences his approach to society and politics, especially as he was so politically active in struggles for rights and freedoms. Later in his career he wrote some of the more infamous texts of the period, in particular, Anti-Oedipus and A Thousand Plateaus. These texts are collaborative works with the radical psychoanalyst Félix Guattari, and they exhibit Deleuze’s social and political commitment.
Gilles Deleuze began his career with a number of idiosyncratic yet rigorous historical studies of figures outside of the Continental tradition in vogue at the time. His first book, Empirisism and Subjectivity, is a study of Hume, interpreted by Deleuze to be a radical subjectivist. Deleuze became known for writing about other philosophers with new insights and different readings, interested as he was in liberating philosophical history from the hegemony of one perspective. He wrote on Spinoza, Nietzche, Kant, Leibniz and others, including literary authors and works, cinema, and art. Deleuze claimed that he did not write “about” art, literature, or cinema, but, rather, undertook philosophical “encounters” that led him to new concepts. As a constructivist, he was adamant that philosophers are creators, and that each reading of philosophy, or each philosophical encounter, ought to inspire new concepts. Additionally, according to Deleuze and his concepts of difference, there is no identity, and in repetition, nothing is ever the same. Rather, there is only difference: copies are something new, everything is constantly changing, and reality is a becoming, not a being.
Lido em grupo, com o grupo que começou no início da quarentena lendo Genealogia da Moral, passando depois pela Interpretação dos Sonhos e entrando então num estudo aprofundado d'O anti-Édipo, que durou cerca de seis meses. O primeiro volume de Mil platôs é brilhante. Em geral, representa um rompimento ainda mais radical que O anti-Édipo em relação ao 'estruturalismo' ainda presente em Diferença e Repetição (um estruturalismo demasiado pós-estruturalista, é claro). O Rizoma é bastante interessante para analisar essa ruptura: a crítica ao 'decalque' é frontal em relação ao conceito de estrutura do capítulo 4 de Diferença e Repetição. Além disso, a questão política do Rizoma me intriga, numa fase que me questiono demais sobre práxis (desde 2020, com meu progressivo afastamento do leninismo e crescente influência dos pós-estruturalistas). A questão ontológica também apresenta um grande enigma para mim. Um Lobo ou Vários Lobos é extensão da discussão psicanalítica d'O anti-Édipo, radicalizando as análises e atingindo novas profundidades. A questão linguística, já presente no Rizoma, é brilhante. Geologia da Moral é sem dúvidas o melhor platô do livro. O filme de terror (obrigado, Vereza) combinado com a grande Genealogia é intrigante. Aqui temos mais um momento claro de ruptura com o estruturalismo de D&R, aprofundando questões e revisando pontos também d'O anti-Édipo. Há inclusive uma crítica implícita à Althusser, sobre a determinação em última instância (algo explicitamente defendido em D&R). Em geral, a discussão sobre os estratos e o plano de consistência em seus diversos níveis (químico, biológico, linguístico, social, etc) é riquíssima; a conclusão é sinistra e brutal. Não tenho bem como resumir, é uma experiência difícil de descrever. Mas é, sem dúvidas, o momento mais característico de qual filosofia está sendo mobilizada em Mil platôs: se entre Diferença e Repetição e O anti-Édipo há algumas rupturas (foco bastante nesse ponto sobre Althusser e o estruturalismo pois é o filósofo que mais me influencia e a questão é importantíssima para mim), em Mil platôs as rachaduras se alargam. Não proponho um corte epistemológico nem uma discontinuidade absoluta (Vereza levanta um bom ponto: a mudança de objeto já promove tais distâncias), mas vejo aqui a culminação de um movimento já-presente em D&R, desenvolvido em AE e elevado à enésima potência aqui. Movimento descontínuo, sem início nem fim.
O primeiro volume da estranhíssima (e injustificada???) edição brasileira de Mil platôs contém os platôs sobre os rizoma, as matilhas e os estratos. A julgar por esse início, o livro 2 de Capitalismo e esquizofrenia é mais plácido, mais sereno (menos pistola?) que o primeiro. Mas isso não significa que ele seja menos louco, aliás pelo contrário: enquanto O anti-Édipo tinha um propósito político claro que emprestava uma certa unidade de ímpeto à obra, aqui a construção dispersa e fragmentada, em tom menor, permite que os autores se entreguem com mais desprendimento a uma viagem alucinada pela fantasia filosófica, em busca de todas as potências que essa trajetória permite reunir.
"é por debandada que as coisas progridem e os signos proliferam. O pânico é a criação. Um jovem gritou 'debaixo da mais selvagem, mais profunda e mais hedionda crise de pânico epilético'." Sigo em fuga contigo na mente, Gilles.
Expõe conceitos e ideias interessantes, não nego, mas na maior parte do tempo o que se lê é uma esquizofrénica mistura de ideias, factos, opiniões e alucinações que aos poucos começa a cansar. Não entendo a necessidade de misturar excessivamente ideias, conceitos e dados com vista a provar um dos seus pontos principais: que nada é dicotómico, antes múltiplo. Parece-me demasiado histérico o discurso neste livro.
Também não gosto de excessivas referências de livros num livro. Não sou uma biblioteca como o senhor Gilles Deleuze, o que me impede de seguir muitos pontos do livro onde são referidas obras que ele leu e eu não.