Nesta interessante análise dos comportamentos humanos que informa toda a trama novelesca, o narrador desdobra-se em observador, distanciando-se do vivido, e em participante, envolvendo-se, para melhor compreender. Assim nos dá a conhecer Catarina, doce e adorável mulher que no entanto abriga em si uma perigosa atracção pelo abismo. A leitura deste romance é sempre renovado pelo prazer de saborear a prosa de Alçada e, simultaneamente, experiência de inquietação, o que, de resto, caracteriza toda a obra do autor.
António Alçada Baptista nasceu em 1927 na Covilhã e faleceu em Lisboa a 7 de Dezembro de 2008. Licenciado em Direito, esteve ligado ao jornalismo e à edição. Em 1971 publica o seu primeiro livro de reflexões Peregrinação Interior; Peregrinação Interior II, publicada em 1982. Seguiram-se entretanto as obras O Tempo Nas Palavras; Conversas Com Marcello Caetano e Os Nós e os Laços. Catarina ou o Sabor da Maçã; Tia Suzana, Meu Amor e O Riso de Deus. A Pesca à Linha - Algumas Memórias, um livro que se assume como uma obra de memórias, recordações, lucidez e ironia, e à qual não é alheio o profundo sentido afectivo que caracteriza a escrita deste autor. Como cronista e defensor da liberdade Alçada Baptista publicou em Outubro de 2002 Um Olhar à Nossa Volta, o testemunho de uma vivência colectiva registada na década de 70 e 80 marcada por inquietações político-sociais. Mais recentemente A Cor dos Dias – Memórias e Peregrinações.
Dentro e fora da caixa da Sociedade. Duas catarinas que fazem desencadear sentimentos e reacções ao mesmo homem, que primeiro a ama e depois sente repulsa.
Li este livro há cerca de 3 anos e, por coincidência ou não, encontrei-o abandonado numa cabine telefónica em Évora. Trouxe-o comigo e foi a minha refeição da tarde. Parece que a história mudou. Sou totalmente a Catarina, quer queira ou não, sei que sou.
Felipe apaixona-se por Catarina. Sabendo que ela mantinha uma amizade com um dos seus amigos, arrisca um pedido de ajuda para conquistar a jovem. O amigo, que é quem está a contar a história, ao aproximar-se da inteligente e bonita Catarina começa a olhá-la com outros olhos. Quando Felipe recebe e aceita uma proposta de trabalho no estrangeiro, o amigo vê aumentar as suas chances com a jovem.
" - Talvez fosse possível ensinar as pessoas a ver nascer o Sol... Eu perguntei: - E a ti, quem te ensinou? - Tudo me ensinou: o meu pai, a minha mãe, o mundo em que eu nasci...Tudo mais ou menos me preparou para coisas destas. Viver é capaz de ser uma educação de sentimentos. - Sim. É capaz de ser, só que nós temos uma imensa capacidade de sermos infiéis às coisas para que fomos feitos."
A história de Felipe e Catarina serve de ponto de partida para aproximadamente 90 páginas onde são abordados temas relacionados com o ser humano e as suas atitudes e comportamentos perante determinadas situações da vida. António Alçada Baptista analisa situações tão ambíguas como um momento de pura felicidade onde se aprecia a beleza da natureza ou as acções que levam alguém a bater no fundo do poço e a não conseguir arranjar forças ou apoios para sair do buraco, transformando-se na vergonha da sociedade dita civilizada.
A Patxocas acha que é um livro que mais pessoas deveriam ler e eu aceitei o desafio. Gostei.
temos dificuldade de compreender nos outros aquilo que não conseguimos viver.
uma leitura surpreendente e agradável.
ao longo desta narrativa, felipe apaixona-se por catarina, e pede a um dos seus amigos que o ajude a conquistá-la. este amigo, também narrador, aproxima-se de catarina com a melhor das intenções - ajudar felipe - mas começa a vê-la de outra forma.