Estamos na década de cinquenta e a família de António do Couto Maia deixa Lisboa para se fixar em Moura, no Alentejo. A decisão é do chefe de família e surpreende tanto a mulher como as filhas, que não compreendem o que leva um homem de meia-idade a abandonar subitamente a sua confortável vida na capital para mergulhar num Alentejo desconhecido. É através do olhar inquiridor de Isabel, a filha mais velha, que assistimos ao conflito entre dois o da cidade, representado pelos recém-chegados, e o mundo rural, que os recebe com desconfiança. Inicialmente atraída pela beleza da vila alentejana, a jovem é confrontada com a prepotência dos senhores e com a miséria dos camponeses, num lugar onde qualquer tentativa de mudança é imediatamente esmagada. O seu sentido de justiça leva-a a colidir com Eduardo Leôncio Teles, o herdeiro da maior fortuna da região, iludindo, assim, a forte atracção que sente por ele. Ao mesmo tempo, Isabel envolve-se nos acontecimentos da vida rural, enquanto tenta descobrir o segredo que levou o pai a esconder-se no Alentejo, arrastando a família para uma existência tão difícil.
Nasci em 1981, em Lisboa. Aos 8 anos comecei a escrever as minhas primeiras histórias. Durante a adolescência dediquei-me à poesia, mas desde os 19 anos que me dedico à prosa, entre histórias juvenis (O Portal dos Sonhos, Editorial Presença, e A Guerra das Sombras – Monstro, QuidNovi) e um romance histórico chamado Além Tejo, Chá das Cinco – Saída de Emergência. Entretanto, auto-publiquei outras duas obras, Raízes de Um Poema, uma antologia de poemas escritos na infância e na adolescência; e um livro de eco-aventuras, As Aventuras do Doutor Maravilha. Licenciei-me em Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, mas nunca exerci, porque entretanto descobri o fascinante mundo do livro. Frequentei uma pós-graduação em Edição de Livros, na Universidade Católica de Lisboa, e comecei pouco depois a trabalhar numa editora, onde o meu gosto pelos bastidores dos livros se aprofundou. Hoje trabalho na área do livro e da edição e posso dizer que tenho o privilégio de gostar do que faço e de ao mesmo tempo continuar a escrever nas horas vagas. É o melhor de dois mundos!
Já tinha este livro em fila de espera há alguns anos e desde que soube que era inspirado nos clássicos ingleses “Orgulho de Preconceito” e “North and South”, mas com o enredo a basear-se em Portugal, o meu interesse aumentou.
Viajamos até à década 1950, no auge do Estado Novo. A família Couto Maia, pais e duas filhas, vivem em Lisboa quando o patriarca da família, António, comunica à família que terão de mudar-se para Moura, sem contudo dar razões para tal. A filha mais velha, Isabel, sabe da importância de acompanhar os seus para onde quer que vão e deixa para trás a carreira de professora; Inês, a mais nova, namoradeira e com vontade de apenas se tornar dona-de-casa, faz um drama e só a muito custo segue a família. Já em Moura, Isabel conhece e antagoniza-se com o dono da propriedade para onde o pai vai trabalhar, e desde o início que toda a gente sabe como a história dos dois vai terminar. Entretanto, Isabel fica sensibilizada com as precárias condições de vida dos trabalhadores da região e com a pouca escolaridade da maioria, fazendo sempre questão de revelar sem pudores as suas ideias em relação ao papel da mulher na sociedade e revoltando-se ela própria com o que parece o destino marcado de todas: tornar-se dona-de-casa.
Parti para a leitura deste livro esperando encontrar nele os elementos que me cativaram nos livros que lhe serviram de inspiração. Contudo, as semelhanças são tão evidentes que tenho quase vontade de dizer que é um retelling dos mesmos. A fuga misteriosa para outro local do país por vontade do pai, o encontro entre os protagonistas marcado por uma agressão dele a um seu subordinado, as dicotomias entre os locais de origem dos protagonistas e as preocupações sociais da protagonista são coisas que vimos em “North and South”; a cena final inspira-se não na cena final do livro, mas na da mini-série. A mãe fútil, a irmã que vê o seu apaixonado ser afastado por uma familiar que não os quer juntos, uma personagem secundária que engana a protagonista com o seu charme para mais tarde se vir a revelar um canalha do pior, o orgulho da protagonista e o preconceito do protagonista: tudo isto pertence a “Orgulho e Preconceito”. Isabel é obviamente uma mistura entre Margaret Hale e Elizabeth Bennet, mas Eduardo fica, quanto a mim, a milhas de distância de um John Thornton ou de um Mr. Darcy.
Pessoalmente, nunca consegui olhar para esta história por ela própria e a falta de originalidade incomodou-me. Claro que gostei do toque português e da preocupação da autora com a caracterização do modo de vida das pessoas mais simples da época em que situa a sua história, mas sendo este um livro sobre pessoas o enredo raramente se desvia muito das personagens e dos seus dilemas. Gostei das personagens, apesar de por vezes as ter achado estereotipadas, e o livro lê-se muito bem, com uma escrita cuidada, ainda que quanto a mim tivesse a ganhar em adotar mais vezes a técnica “show, don’t tell“.
Portanto, apesar de ter sido uma leitura longe de marcante, acabou por ser agradável e permitiu-me tomar contacto com uma autora portuguesa que desconhecia.
Recommended by a friend and it did not disappoint me!
In the 50's, during the Salazar dictatorship, the Couto Maia family has to leave Lisbon suddenly and then end up going to a village in Alentejo, where they all need to adjust to a new society. The oldest daughter decides to do her bit to improve the lives of those around her, while the younger one is only interested in finding a husband.
Influences from "Pride and Prejudice" or "Sense and Sensibility" are easy to spot (and maybe other classics as well), but they blend well on this story about recent Portuguese history. I'm from the next generation, so I never lived during the dictatorship, but heard stories from my parents that make me appreciate the freedom we can have in Portugal these days.
I've found that the story line and characters had some flaws/gaps, but overall it was very engaging, especially in a week where I was so busy!
Fã como sou de "Pride and Prejudice" e "North and South", um romance português que homenageia estes dois clássicos, passado num dos períodos mais conturbados da nossa história, era sem dúvida um romance a não perder. Mas talvez por ser tão fã das obras que claramente deram origem a "Além Tejo", tive séries dificuldades em distanciar-me dos clássicos e imergir totalmente na história contada pela autora. Ao ler a história, as personagens saltavam dos anos 50 em Portugal para a Inglaterra do século XIX, o que não ajudou ao contexto. Aliando a isso a necessidade que a autora tem de fazer "comentários" sócio-políticos na voz da personagens (algo que era desnecessário), a leitura tornou-se, por vezes, algo cansativa. De qualquer forma, é um romance interessante e que se lê bem numas férias.
One of the things I was hoping to find through the Portuguese Historical Fiction challenge was to find new books to read. Not that I didn't already have an extensive TBR pile but a true book lover never has enough books and is always hoping to find a new "buried treasure". I am very happy to say that I have found my first buried treasure in this Alem Tejo that I first knew about through Patxocas review.
What attracted my attention first was the mention that this would appeal to both fans of Austen's Pride and Prejudice and fans of Gaskell's North and South. I love both books and have been collecting prequels, sequels and spinoffs. Could it be that there was one in Portuguese that I hadn't heard about? Yep, there is!
And I am quite happy that I tracked it down and read it. First of all because it is set in one of favourite regions of the country in a recent period in Portuguese history - the fifties in Alentejo - and because it is an interesting story of two people falling in love.
Basically it is the story of Eduardo, a wealthy landowner who manages a large estate in Alentejo providing work for many poor laborers, and Isabel a young lady of a good family who believes in education for all in a period when the poorer classes were often unable to send their children to school and the adults could barely read and write. Eduardo and Isabel's relationship starts off on the wrong foot and the tension grows each time they meet.
The references to P&P and N&S are obvious in particular scenes and in the development of the relationships. Although that makes it all the more endearing to fans of the other books I think it may have slowed the action a bit as Eduardo and Isabel's relationship kept moving forward and backwards... But it wasn't anything that kept me from enjoying it very much.
I just read on Goodreads that the author has rewritten it for the ebook version and now I am wondering if I should get that one too.
This is a book I would recommend to anyone. P&P and N&S lovers but also lovers of romance and Portuguese historical fiction!
Com esta obra viajamos ao Portugal do Estado Novo, nos anos 50, no contexto de repressão política e social. Acompanhamos o percurso de uma família que parte de Lisboa para Moura e que tem o embate com a realidade do interior alentejano, com a vida simples do campo, mas também com preconceitos sociais enraizados por gerações e gerações. Sei, por ler opiniões de outros leitores, que a autora foi muito influenciada por obras clássicas anglófonas que retratam o século XIX e, por vezes, na leitura tinha de me lembrar que a época eram os anos 50 do século XX, pois sentia-me imediatamente remetida para o século XIX. Ainda que o papel das mulheres no Estado Novo fosse muito limitado a nível profissional, sendo relegada para o papel de dona de casa e mãe/esposa perfeita, os discursos das personagens levaram-me a pensar na mulher do século XIX. Gostei de conhecer a personagem Isabel Couto Maia, ainda que me tenham irritado por vezes as suas inflexibilidade de "detentora da verdade absoluta". Tão opinativa que se tornava pedante e arrogante. Mas no final (finalmente!) cede aos seus sentimentos e, paralelamente à luta pelos seus ideais, abraça a felicidade com o amor que tentou deixar para segundo plano. Uma obra interessante, uma visão do Estado Novo com toques de Romantismo Inglês do século XIX, onde não faltam os elementos trágicos, os dilemas amorosos e morais, a luta entre o coração e a razão.
Um livro maravilhoso que devorei! Agora que acabei de o ler, não entendo porque demorei eu a encontrá-lo e também porque não teve destaque nos nossos cantos literários.
Para quem gosta de Elizabeth Gaskell (North and South) e também de um pouquinho de Jane Austen (Orgulho e Preconceito), esta obra será um momento de verdadeiro deleite dado que a história se baseia muito nas anteriores. Contudo, não deixa de manter a sua originalidade e beleza dado que a sua acção situa-se no Portugal dos anos 50 do século passado e consequentemente no conturbado movimento sócio-político (Estado Novo) que se vivia por essa altura. As personagens estão bem construídas e o discurso da história é fluido, acessível e cativante.
O final é esperado mas também trágico e isso é algo que se destaca pois não existem grandes momentos de tragédia em Gaskell ou Austen; Tudo lá é suavizado. No entanto, nesta obra a tragédia acontece, o que leva os nascidos depois do 25 de Abril (como eu), a pensar no que realmente seria viver naquela época repressiva.
Aconselho vivamente a sua leitura e relerei com toda a certeza!
Adquiri gratuitamente este ebook numa promoção da Amazon e em boa hora o fiz pois é um óptimo livro. É passado durante o Estado Novo e foca as diferenças entre Lisboa e Moura, entre as classes sociais, abordando também a forma como a sociedade "esperava" das mulheres, no clima de opressão característico da época. Julgo que as personagens estão bem caracterizadas para a época e gostei particularmente de Isabel, pois é uma jovem que não consegue aceitar as injustiças sociais e tenta fazer tudo para as diminuir. Achei também muito bem conseguido o relacionamento entre Isabel e Eduardo, apesar de um bocadinho previsível mas que nada estragou a leitura. E na parte final do livro ainda temos cenas que nos apertam o coração e nos fazem escapar umas lagrimitas e que nos faz 3 Achei o livro muito ao estilo da série "North and South" de Elizabeth Gaskell (só vi a série e ainda não li o livro) e que me proporcionou umas boas horas de leitura. Recomendo!!
Gostaram de Norte e Sul de Elizabeth Gaskell ? Gostaram de Orgulho e Preconceito de Jane Austen? Então vão adorar esta história passada em Portugal entre 1952-1954, que relata um país em crescimento, onde uma sociedade que tem medo de mostrar os seus ideias e convicções está debaixo do olho da PIDE.
Se ao lerem sentirem-se transportados para cenas do livro de P&P (como a subida de Isabel para a carruagem), ou cenas do livro de N&S, como Isabel conhece Eduardo, não é pura coincidência, a escritora admite mesmo paixão por ambas obras e nota-se a sua influência no desenrolar da história que está muito bem adaptado à realidade histórica Portuguesa.
Lido num instante, este é o tipo de livro que merecia/merece mais divulgação.
Vou ser honesta: como alguém que ADORA o North and South, estava mortinha por ler a adaptação à realidade portuguesa. Não fiquei desapontada, gostei imenso do casal principal, as peripécias, tudo.
É um verdadeiro page turner, ao ponto de o levar para todo o lado (incluindo a festa do avante).
Só tenho duas falhas a apontar: poderia ter um pouco mais de "show, don't tell" e a revisão/edição podia ter sido mais cuidada, mas nada que nos distraia da história que estamos a ler.
Fiquei com imensa curiosidade de ler mais coisas da autora, e com imensa pena de o livro não ser muito conhecido.