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As Palavras Interditas / Até Amanhã

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O presente volume prossegue a publicação da obra canónica de Eugénio de Andrade, tal como o poeta a estabeleceu em vida. Integra os livros «As Palavras Interditas», publicado pela primeira vez em 1951, e «Até Amanhã», de 1956. Como diz Nuno Júdice no seu prefácio, «"As Palavras Interditas" e "Até Amanhã" são livros em que se encontra, praticamente em cada poema, aquilo que fez, e faz, de Eugénio de Andrade o mais luminoso e claro dos nossos poetas do século XX.»

67 pages, Paperback

First published September 1, 1978

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About the author

Eugénio de Andrade

127 books93 followers
The Portuguese poet Eugénio de Andrade, pseudonym of José Fontinhas, is revered as one of the leading names in contemporary Portuguese poetry.
His poetry is most striking for the depth of his short poems. One of Eugénio de Andrade's most known poems is his Poem to Mother.
In 2001, he received the Portuguese award Prémio Camões.

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Displaying 1 - 17 of 17 reviews
Profile Image for Luís.
2,385 reviews1,380 followers
March 16, 2021
(...) A luminous poet in dark times and an apparent poet in a time when what meant often had to go through the coded and hermetic expression for the uninitiated, it may seem like a contradiction. But Eugénio had learned that clarity from two poets whose simplicity of language and images did not diminish his art: António Botto and Federico Garcia Lorca. (...)

Preface: Nuno Júdice
Profile Image for Paula Mota.
1,677 reviews569 followers
March 31, 2020
JUVENTUDE
Sim, eu conheço, eu amo ainda
esse rumor abrindo, luz molhada,
rosa branca. Não, não é solidão,
nem frio, nem boca aprisionada.
Não é pedra nem espessura.
É juventude. Juventude ou claridade.
É um azul puríssimo, propagado,
isento de peso e crueldade.

63 poemas que me deram aquilo de que precisava agora: sol, calor, campo, praia, mas também imagens de paixão e tranquilidade, que são extras sempre bem-vindos, tudo embrulhado nas típicas palavras cristalinas e melancólicas de Eugénio de Andrade.

ECOS DE VERÃO
Quando todo o brilho da cidade
me escorre pelas mãos, que já não são
mais que fugidios ecos de verão,
a música dos dias sem idade
subitamente como fonte ou ave
rompe dentro de mim - e nem eu sei,
neste rumor de tudo quanto amei,
se a luz madrugou ou chegou tarde.
Profile Image for Célia Loureiro.
Author 30 books963 followers
September 12, 2018
"Os meus olhos partiram com os teus."


De tanto seguir as reflexões do Júlio Machado Vaz n'O Amor É, acabei a procurar as palavras do Eugénio de Andrade, tantas vezes mencionado, e de Nuno Júdice, que por acaso faz o prefácio deste livro. É o primeiro livro de poesia que comprei (ando a adiar o Poesia de Alberto Caeiro há bastante tempo). Li-o em menos de uma hora, tem apenas 63 páginas de poemas sobre o amor terminado, a melancolia da cumplicidade ida, a saudade, no fundo, sem que, no entanto, a palavra seja jamais evocada.

Há um positivismo paradoxal nos poemas, que conjuram amor e morte, dia e noite, com uma mesma naturalidade, como se tudo fosse - e é - dois lados de uma mesma moeda. É como se nunca caíssemos em desespero, mas a voz que nos chega não é feliz, está privada de alimento, de afecto, de companhia. Está preso às lembranças da doçura, que projecta em mares e areais.

Palavras belas, simples, que criam retratos de uma tristeza alva, incontornável e, por isso, acomodada.

Na orla do mar,
no rumor do vento,
onde esteve a linha
pura do teu rosto
ou só pensamento
(e mora, secreto,
intenso, solar
todo o meu desejo)
aí eu vou colher
a rosa e a palma.
Onde a pedra é flor,
onde o corpo é alma.
Profile Image for Rosa Ramôa.
1,570 reviews85 followers
April 3, 2014
ATÉ AMANHÃ

Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.

É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.

É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.

Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.

Eugénio de Andrade, in "Até Amanhã"

































Profile Image for corvi.
19 reviews
March 19, 2023
as palavras interditas... comoveu-me ao ler este livro.

-as palavras interditas:
Os navios existem, e existe o teu rosto
encostado ao rosto dos navios.
Sem nenhum destino flutuam nas cidades,
partem no vento, regressam nos rios.

Na areia branca, onde o tempo começa,
uma criança passa de costas para o mar.
Anoitece. Não há dúvida, anoitece.
É preciso partir, é preciso ficar.

Os hospitais cobrem-se de cinza.
Ondas de sombra quebram nas esquinas.
Amo-te… E entram pela janela
as primeiras luzes das colinas.

As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.

Profile Image for Rita.
86 reviews7 followers
January 11, 2016
Ao contrário do volume anterior da colecção, este trata maioritariamente de poemas de maior dimensão, quase todos com o mesmo tema. Há, no entanto, claramente poemas que se destacam entre os outros e que merecem por si só as cinco estrelas.
Profile Image for Marta.
33 reviews
April 21, 2024
A leitura calma e serena destes poemas trouxe-me o encantamento feroz da poesia, a elevação muda daquilo que temos cá dentro, foi tão bom e gritante!
Reencontrar Eugénio de Andrade tem sido voltar a sentir a minha presença, essa vontade de mim em mim, já que eu sou essencialmente poesia.
O que li nestes breves livros de poemas, foi uma voz que canta uma beleza incontornável e uma piedosa crença nos sentimentos mais puros.
Todos deviam lê-los.
Profile Image for Roxana.
19 reviews1 follower
February 22, 2025
Não é verdade tanta loja de perfumes,
não é verdade tanta rosa decepada,
tanta ponte de fumo, tanta roupa escura,
tanto relógio, tanta pomba assassinada.

Não quero para mim tanto veneno,
tanta madrugada varrida pelo gelo,
nem olhos pintados onde morre o dia,
nem beijos de lágrimas no meu cabelo.

Amanhece.
Um galo risca o silêncio
desenhando o teu rosto nos telhados.
Eu falo do jardim onde começa
um dia claro de amantes enlaçados.
Profile Image for Rita Moreira.
77 reviews1 follower
September 30, 2023
Muitos poemas muito bonitos.

“Nada podeis contra o amor.
Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.

Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco.”
Profile Image for Beatriz Pina.
12 reviews
May 11, 2024
A fluidez de discurso e a recorrência à natureza muitas vezes relacionada com o mar trazem uma profundidade que me tocou muito. Este livro permite uma abstração do nosso ambiente através de poesia. amei
Profile Image for Gabriela Santos.
59 reviews
March 6, 2022
Nada podeis contra o amor.
Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.

Podeis dar-nos a morte,
a mais vil,isso podeis
-e é tão pouco.
Profile Image for Joana Garcia.
6 reviews1 follower
July 9, 2022
Nada podeis contra o amor.
Contra a dor da folhagem,
Contra a carícia da espuma,
Contra a luz, nada podeis.

Podeis dar-nos a morte,
A mais vil, isso podeis
- e é tão pouco.
Profile Image for João.
3 reviews
March 13, 2025
Coração habitado, p. 43.

“Aqui estão as mãos.
São os mais belos sinais da terra.
Os anjos nascem aqui:
frescos, matinais, quase de orvalho,
de coração alegre e povoado.

Ponho nelas a minha boca,
respiro o sangue, o seu rumor branco,
aqueço-as por dentro, abandonadas
nas minhas, as pequenas mãos do mundo.

Alguns pensam que são as mãos de deus
- eu sei que são as mãos de um homem,
trémulas barcaças onde a água,
a tristeza e as quatro estações
penetram, indiferentemente.

Não lhes toquem: são amor e bondade.
Mais ainda: cheiram a madressilva.
São o primeiro homem, a primeira mulher.
E amanhece.”
Profile Image for letícia almeida.
43 reviews
March 5, 2025
Não tenho palavras. Deixo só a humilde classificação (que penso fazer jus à beleza dos textos que li) e os versos que me são mais queridos:
"e nem eu sei, / neste rumor de tudo quanto amei, / se a luz madrugou ou chegou tarde." (Ecos de verão)
Profile Image for mafalda.
7 reviews
Read
December 16, 2017
“Entre o teu rosto e o ar
ninguém deseja ser neve.

Ninguém deseja o veneno
da noite despovoada.”

("Contigo", p. 46)
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