Neste livro, o autor apresenta uma crítica profunda à epistemologia positivista, tanto nas ciências ditas naturais, como nas ciências sociais, fundamentando-a à luz dos debates na física e na matemática. Vê nessa epistemologia um sinal da crise final do paradigma científico dominante e identifica os traços principais de um paradigma emergente que confere às ciências sociais uma nova centralidade na busca de um novo senso comum.
Boaventura de Sousa Santos is Professor of Sociology, University of Coimbra (Portugal), and Distinguished Legal Scholar at the University of Wisconsin-Madison. He earned an LL.M and J.S.D. from Yale University and holds the Degree of Doctor of Laws, Honoris Causa, by McGill University. He is director of the Center for Social Studies at the University of Coimbra and has written and published widely on the issues of globalization, sociology of law and the state, epistemology, social movements and the World Social Forum. He has been awarded several prizes, most recently the Science and Technology Prize of Mexico, 2010, and the Kalven Jr. Prize of the Law and Society Association, 2011. His most recent project – ALICE: Leading Europe to a New Way of Sharing the World Experiences – was funded by an Advanced Grant of the European Research Council (ERC), one of the most prestigious and highly competitive international financial institutes for scientific excellence in Europe. The project was initiated in July 2011 and ended in December 2016. Boaventura de Sousa Santos has published widely on globalization, sociology of law and the state, epistemology, democracy, and human rights in Portuguese, Spanish, English, Italian, French, German, Chinese, and Romanian.
Fantástico. Este não é um mero livro técnico-científico, assemelhando-se mais, na minha opinião, a um quasi-ensaio muito esclarecedor e rico em conteúdo sobre este período de transição da Vida da Ciência. Esta é uma leitura de poucas páginas, mas, por outro lado, é tão complexa e pesada. Exige atenção de linha para linha, o que não permite descontração durante a sua leitura, exigindo, antes, profundas reflexões face ao que se lê. Outro aspeto interessante deste livro é que em determinados momentos apresenta detalhes literários fantásticos, a roçar a escrita e o desabafo poético do cientista-filósofo. Quem quiser refletir e filosofar sobre o estado das Ciências, especialmente as Ciências Sociais e Humanas, nos (ainda) tempos modernos ou nos (já em andamento) tempos pós-modernos, encontra aqui um bom auxílio. Recomenda-se.
Há muito para elogiar neste discurso. Mas também há uma ou outra coisa a criticar, a discutir, a interrogar. Limito-me a apontar uma. Não sei se algum dias as ciências naturais e sociais chegarão a unir-se, se a deriva das ciências naturais a fará encalhar com as sociais ou se estas algum dia se vão agregar às humanidades; sinto, sim, que cada uma delas se fecha cada vez mais em si mesma, evitando o contacto com as outras. Nada disto tira valor à reflexão, que me parece muito esclarecida e esclarecedora. A minha crítica, aliás, até é outra: então a revolução científica do séc. XVI (a ter existido), de onde parte? De Aristóteles e dos clássicos, que distam quase mil anos desse século, ou do período exatamente anterior, por si só com quase mil anos de duração, a que chamamos Idade Média? Não sei se é só um preciosismo meu. Tirando isso, tudo o que possa ajudar a recentrar as humanidades e as ciências sociais é fundamental. Tal como importa desconstruir o mito das ciências 'exactas', da subjetividade das outras ciências, da inutilidade e superficialidade do não matemático.
Incrível apresentação de muitos debates entre as ciências naturais e a possibilidade de ciências sociais. Apresenta os debates clássicos, incluindo hoax de Sokal - vale a pena conferir no site dele. A relação com a filosofia da física e os estudos que objetivamente se tornam científico-sociais pela construção histórica do conhecimento de organização das epistemologias. Objetivo, com exemplificações e cheio de referências é uma leitura obrigatória para quem quer compreender mais sobre as ciências ditas sociais.
Um discurso pequeno, mas muito interessante, que nos obriga a reflectir sobre a ciência e a evolução a que esta assistiu. Enaltece a importância das ciências sociais, à qual não fiquei indiferente por ser a minha área. Para quem se interessa por ciência, é um discurso muito elucidativo e que nos ensina algumas coisas.
Este livro foi o primeiro texto que eu li sobre a erradicação do pensamento científico colonial e a perspectiva de um novo paradigma emergente que priorize a subjetivação e não seja preso ao universalismo das pesquisas quantitativas e tão somente objetivas. Embora o autor seja muito criticado por uma suposta "ode à pseudociência", não foi essa minha impressão. Isso porque o texto não tenta ser absoluto em sua proposta. O autor não visa o fim do pensamento objetivo, matemático e quantitativo, ele sugere uma aceitação de que os estudos humanísticos (subjetivos) tenham sua contribuição reconhecida no novo pensamento de construção de conhecimento. No primeiro capítulo, Boaventura de Sousa Santos faz uma crítica ao "paradigma domintante", para depois denunciar uma crise desse pensamento e, por fim, especular acerca da chegada de um novo tempo, o tempo do paradigma emergente.
Uma bela merda, é o que é. Ainda assim, tem a sua utilidade para se perceber a insanidade do pensamento pós-moderno sobre a ciência, sem se perder muito tempo nisso.
É interessante este exercício da releitura. Estamos continuamente evoluindo. E com essa evolução nossa visão de mundo se expande. Quando li o Boaventura pela primeira vez, me senti completamente perdido. Creio que me senti incapaz de realizar uma leitura desse porte. Mas eis o segredo de uma leitura que nos tira da zona de conforto: ela está nos desafiando internamente.
Mas sobre a leitura, acredito que essa frase simbolize sua essência: "Duvidamos suficientemente do passado para imaginarmos o futuro, mas vivemos demasiadamente o presente para podermos realizar nele o futuro."
Uma dica futura talvez seja em ler este livro, acompanhado de comentários de outros especialistas e leitores, para que a sua compreensão seja bastante rica.